Nota Histórico-Artistica
A Igreja do Salvador data da segunda metade do século XII, construção contemporânea da Sé Velha. Um letreiro indica que o portal foi mandado fazer por Estêvão Martins, em 1179. Sabemos que esta obra do segundo ro mânico de Coimbra substituiu uma outra anterior, que existia pelo menos em 1064. O edifício sobreviveu na meia encosta da cidade, conservando ainda parte da sua estrutura original que é formada por um corpo de três naves e de três tramos, com um falso transepto e uma cabeceira tripartida, com capelas de planta quadrangular. A solução da cobertura está muito próxima da de Santiago, com pilares - rectangulares e circulares - onde assenta directamente o travejamento de madeira. (PEREIRA, p. 257)
O portal da igreja, bem como o que se pode concluir do aspecto da primitiva fachada, já que sofreu uma grande reforma no século XVIII, demonstra a sua filiação na corrente introduzida na cidade pelos mestres franceses, a que aderiram os construtores locais, e a frontaria devia ser uma redução da da Sé Velha. (DIAS, 2002)
No interior podemos observar uma cobertura de madeira com excepção das capelas da cabeceira e de uma lateral que são abobadadas. O plano, que é algo irregular, com um desvio do eixo de alguns graus, compõe-se por um corpo de três naves separadas por pilares simples, cilíndricos nos primeiros tramos e compostos no que define o espaço do transepto, só enunciado em altura, e de uma cabeceira tripla com as capelas no seguimento das naves.
O coro-alto mantém o essencial da antiga estrutura medieval, provavelmente do século XV que deveria ser também muito parecido com o já desaparecido da Sé Velha, obra de carácter mudejar.
A capela-mor possui um retábulo de talha dourada e marmoreada, datado de 1746, e a colateral do lado direito outro do mesmo estilo e época. O da colateral esquerda é um exemplar de estilo maneirista, obra de João de Ruão datada de cerca de 1540 e executada em pedra de Ançã,.
A meio do corpo da Igreja, do lado direito, foi aberta uma capela funerária, no tempo de D. Manuel I, em ano próximo ao de 1515, de planta rectangular, coberta por uma abóbada de nervuras, num tipo comum ao gótico final utilitário. Encontra-se aqui o túmulo de Afonso de Barros e Guiomar de Sá, obra de um artista ligado ao "Mestre dos Túmulos Reais" de Santa Cruz. Toda a decoração desta capela, incluindo o retábulo barroco de colunas torsas, as pinturas alusivas à Vida da Virgem e o revestimento azulejar de padrão azul e branco foi executada em 1699, como indica uma cartela incluída num rótulo também em azulejo. (DIAS, 2002)
As paredes do edifício estão revestidas com painéis de azulejos historiados em estilo rococó, datáveis da segunda metade do século XVIII, e de fabrico local.
Do lado oposto fica a Capela de São Brás, obra renascentista, de meados do século XVI, mas com um curioso retábulo-maquineta de estilo barroco e uma grande escultura do orago, também setecentista, de excelente factura e policromia. (AMântua)
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível