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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Torre de Quintela

Arquitectura Militar / Torre

Designação
Designação Atual
Torre de Quintela
Outras Designações
Tipologia
Torre
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Situada junto à Ribeira da Marinheira, a ocidente de Vila Real, a Torre de Quintela é um dos poucos exemplos de arquitectura civil-militar que comprovam o avanço da senhorialização, tipicamente baixo-medieval, por terras transmontanas. A história deste local é antiga, recuando, pelo menos, até aos meados do século XI. Nessa altura, a propriedade aparece como uma das principais unidades agrárias das actuais terras de Vila Real, intimamente ligada aos condes que tutelavam o território de Chaves, uma vez que estava na posse de D. Gotronde Nunes, mulher do conde D. Vasco (SERENO; TEIXEIRA, 1994, DGEMN on-line).
A torre senhorial que hoje vemos, contudo, nada tem que ver com esse recuado passado condal. Ela é o produto dos séculos XIII-XIV, período que corresponde a um maior desenvolvimento agrícola e demográfico da região. Na viragem para o século XIV, aqui se instalou D. Alda Vasques, a quem se atribui a construção da torre, para sua própria residência. No entanto, o facto de a propriedade vir referida nas Inquirições de D. Afonso III (1258) pode retardar a sua construção em cerca de meio século, circunstância que a colocaria numa fase ainda tardo-românica da nossa arquitectura. Outros autores apontam uma construção já tardia, em pleno século XV (SILVA, 1995, p.55).
Na actualidade, o edifício apresenta algumas reformas posteriores, mas a sua estrutura deve corresponder ao plano fundacional do século XIII: uma planta quadrangular (com cerca de 12 metros de largura) define um alçado bastante elevado (mais de vinte metros de altura), organizado interiormente em 4 pisos. O acesso faz-se através de uma porta de entrada, de volta perfeita (mas originalmente em arco quebrado), com lintel recto e arco de descarga, elevado em relação à cota do terreno, na origem ligando-se com esta através de uma escadaria de madeira.
Os elementos decorativos que aqui vemos empregues, como os balcões ameados, os matacães, as frestas de iluminação ou a linha de merlões que coroa toda a estrutura, são característicos da arquitectura gótica, embora algumas opiniões apontem para a sua posterior integração na torre já pelos séculos XV ou XVI, hipótese que não está, até ao momento, integralmente confirmada.
Por disposição testamentária, D. Alda legou a Torre de Quintela à Ordem dos Hospitalários, instituição que ficou na posse da propriedade durante os século seguintes. Em 1695, numa altura em que a torre se encontrava na posse do Morgadio dos Conde de Vimioso (de que era titular D. Francisco de Portugal), deu-se uma reforma importante do morgado. A Torre é então descrita como tendo "52 fiadas da base ao coroamento das ameias, (...) quatro guaritas e varanda em cada uma das faces" (SERENO; TEIXEIRA, 1994, DGEMN on-line). Para além disso, a grande reserva agrícola que lhe estava adstrita possuía uma capela, dedicada a Santa Maria Madalena, e uma ampla área de cultivo, assim como numerosas dependências.
Até ao século XIX, a Torre de Quintela manteve-se na posse da Ordem, sendo uma das principais referências da época medieval, a ponto de ter inspirado o próprio Camilo Castelo Branco, num dos seus romances eivados de Romantismo. A extinção das Ordens Religiosas, em 1834, veio abrir um novo e desastroso período na história deste monumento. Vendida a privados, e tendo estado prestes a ser destruída, ela viria a ser poupada da ruína por condicionantes económicas. Mais recentemente, foi projectada a sua reconversão em pólo museológico, tendo, para isso, sido submetida a um restauro integral, nos primeiros anos da década de 80 do século XX. Particularmente importante, neste processo, foi a total reformulação do interior e consequente divisão em quatro andares, organização que poderá não corresponder à primitiva definição espacial, uma vez que, em alguns pontos, ainda se observam consolas de apoio a pavimentos. A Câmara Municipal de Vila Real, que actualmente detém a gestão do edifício, tem em projecto a instalação de um Museu de Heráldica.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 9823119
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Vila Real / Vila Real / Vila Marim
-- -
Quintela -
Polícia:
LATITUDE
41.297308
LONGITUDE
-7.780472
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1258
1258) pode retardar a sua construção em cerca de meio século, circunstância que a colocaria numa fase ainda tardo-rom...
1695
1695, numa altura em que a torre se encontrava na posse do Morgadio dos Conde de Vimioso (de que era titular D.
1834
1834, veio abrir um novo e desastroso período na história deste monumento. V
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) Situada junto à Ribeira da Marinheira, a ocidente de Vila Real, a Torr...
1994
1994, DGEMN on-line).A torre senhorial que hoje vemos, contudo, nada tem que ver com esse recuado passado condal.
1995
1995, p.55).Na actualidade, o edifício apresenta algumas reformas posteriores, mas a sua estrutura deve corresponder ...
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Paços Medievais Portugueses SILVA, José Custódio Vieira da Edição 2002 Lisboa
O Gótico vila-realense do século XV GONCALVES, António Nogueira Edição 1941 Coimbra
Tesouros Artísticos de Portugal ALMEIDA, José António Ferreira de Edição 1976 Lisboa
Solares Portugueses AZEVEDO, Carlos de Edição 1988 Lisboa
"Torre de Quintela", O Archeologo Português, Lisboa, vol. 10, 1905, p. 292 - 295 BOTELHO, Henrique Edição 1905
Torre de Quintela PLÁCIDO, Manuela Alves Edição 1986 Vila Real
Roteiro dos castelos de Trás-os-Montes VERDELHO, Pedro Edição 2000 Chaves
"Roteiro arqueológico e artístico do Concelho de Vila Real", Juventude com História PARENTE, João Ribeiro Edição 1999 Vila Real

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