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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja dos Clérigos, designadamente a sua torre

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja dos Clérigos, designadamente a sua torre
Outras Designações
Igreja e Torre dos Clérigos (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Do conjunto de obras concebidas pelo arquitecto toscano Nicolau Nasoni no Norte de Portugal, a igreja e torre dos Clérigos é, não apenas a sua obra documentada mais antiga, mas também aquela que maior projecção conheceu. Facto que se deve, em grande medida, ao impacto do conjunto, à sua complexidade e à estranheza das formas, no sentido em que eram pouco comuns à arquitectura da época, e em particular ao Norte do país.
A documentação subsistente permite-nos acompanhar o andamento dos trabalhos, que tiveram início em 1732, ou seja, no ano seguinte à aprovação do plano de Nasoni pela Irmandade dos Clérigos. Esta, existia desde 1707, com sede na Igreja da Misericórdia, resultando da fusão de três confrarias (ALVES, 1989, p. 122). Nesse ano, era presidente o deão Jerónimo de Távora e Noronha, protector de Nasoni, o que terá favorecido a escolha deste arquitecto. Como responsáveis pela obra encontramos nomes próximos do artista toscano - António Pereira (responsável pelo traçado de São João Novo e cuja obra se confunde com a de Nasoni), o entalhador Miguel Francisco da Silva e, por fim, já na última fase, Manuel António de Sousa.
As obras da igreja foram bastante demoradas (com uma interrupção entre 1734 e 1745). Neste último ano, foi necessário proceder a uma vistoria dos alicerces da fachada, destruindo-se o que existia para se levantar de novo, com bases seguras. Por este facto, o templo estaria totalmente concluído somente em data próxima a 1750, muito embora a escadaria de acesso ao portal principal remonte aos anos de 1750-53/1754 (e posteriormente alterada em 1827).
Se na fachada observamos uma composição cenográfica (que encobre o corpo da igreja), que se desenvolve na vertical e tira partido de um amplo leque de elementos decorativos de cariz tardo-barrocos (comuns à formação pictórica de Nasoni) (SMITH, p. 89), o espaço interior é marcado pelo desenho elíptico da sua planta, que recorda modelos de arquitectura romana, como a igreja de Santa Maria in Campitelli, de Carlo Reinaldi (WOHL, 1993; SERRÃO, 2003, p. 268), ou a igreja de Santiago de Valeta, em Malta (ALVES, 1989, p. 123). Por sua vez, a galeria que percorre a nave, de origem toscana, constituiu uma novidade na arquitectura do Norte, razão pela qual foi utilizada como modelo em muitas das igrejas construídas posteriormente (SMITH, 1966, p. 91). A monumentalidade do espaço interno acentua-se através do retábulo marmóreo (colorido) da capela-mor, executado entre 1767 e 1780 pelo arquitecto Manuel dos Santos Porto. As representações das virtudes da Virgem enquadram-se na iconografia da igreja, dedicada, desde a fundação, a Nossa Senhora da Assunção.
Por sua vez, o projecto da torre e da Casa dos Clérigos é mais tardio, tendo sido aprovado em 1754. A enfermaria e a secretaria, atrás da igreja, estavam concluídas em 1759, e a Torre, com os seus 240 degraus e 75 metros de altura, foi terminada entre 1757 e 1763, constituindo a "síntese do estilo de Nasoni", onde os valores estruturais imperam sobre os decorativos que, no entanto, se vão intensificando à medida que nos aproximamos do topo da torre (FERREIRA ALVES, 1989, p. 125). As semelhanças entre esta obra máxima do arquitecto toscano e a Torre Nueva da Sé aragonesa de Zaragoza, da autoria de Gian Bautista Contini (1641-1722), são evidentes ao nível da configuração e da linguagem barroco-romana. Ainda que Nicolau Nasoni possa não ter conhecido esta obra, a proximidade entre ambas "trai o domínio das mesmas fontes do classicismo romano de Seiscentos" (SERRÃO, 2003, p. 268).
Nesta medida, a igreja e torre dos Clérigos é considerada o ex-libris do Porto, uma das primeiras igrejas barrocas da cidade ("onde este estilo se apresenta organizado e estruturado em função da planimetria, do espaço, da decoração e da escala"(FERNANDES, 1995, p. 72)), e a primeira grande obra de Nasoni, cujas arquitecturas marcaram tão fortemente a paisagem urbana do Norte do país nas décadas centrais do século XVIII. (RC)
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria de 22-10-1953, publicada no DG, II Série, n.º 6, de 8-01-1954 (com ZNA)
Afectação 12707538
Localização
Porto / Porto / Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória
Rua dos Clérigos
Porto -
Polícia:
Rua de São Filipe Nery
Porto -
Polícia:
Rua da Assunção
Porto -
Polícia:
Campo dos Mártires da Pátria
Porto -
Polícia:
LATITUDE
41.145739
LONGITUDE
-8.614339
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1641
1641-1722), são evidentes ao nível da configuração e da linguagem barroco-romana. Ain
1707
1707, com sede na Igreja da Misericórdia, resultando da fusão de três confrarias (ALVES, 1989, p. 12
1722
1722), são evidentes ao nível da configuração e da linguagem barroco-romana. Ain
1732
1732, ou seja, no ano seguinte à aprovação do plano de Nasoni pela Irmandade dos Clérigos. Est
1734
1734 e 1745).
1745
1745).
1750
1750, muito embora a escadaria de acesso ao portal principal remonte aos anos de 1750-53/1754 (e posteriormente alter...
1754
1754 (e posteriormente alterada em 1827).Se na fachada observamos uma composição cenográfica (que encobre o corpo da ...
1757
1757 e 1763, constituindo a "síntese do estilo de Nasoni", onde os valores estruturais imperam sobre os decorativos q...
1759
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1763
1763, constituindo a "síntese do estilo de Nasoni", onde os valores estruturais imperam sobre os decorativos que, no ...
1767
1767 e 1780 pelo arquitecto Manuel dos Santos Porto.
1780
1780 pelo arquitecto Manuel dos Santos Porto.
1827
1827).Se na fachada observamos uma composição cenográfica (que encobre o corpo da igreja), que se desenvolve na verti...
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) Do conjunto de obras concebidas pelo arquitecto toscano Nicolau Nasoni...
1966
1966, p.
1989
1989, p.
1993
1993; SERRÃO, 2003, p.
1995
1995, p.
2003
2003, p.
16
IMAGENS
10
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
O Barroco SERRÃO, Vítor Edição 2003 Lisboa
"O barroco do século XVIII", História da Arte Portuguesa, vol.3 PEREIRA, José Fernandes Edição 1995 Lisboa
Nicolau Nasoni, arquitecto do Porto SMITH, Robert C. Edição 1966
"Nasoni, Nicolau", Dicionário de Arte Barroca em Portugal ALVES, Joaquim Jaime Ferreira Edição 1989
"Clérigos, Igreja dos", Dicionário de Arte Barroca em Portugal ALVES, Joaquim Jaime Ferreira Edição 1989 Lisboa
Porto a Património Mundial - Processo de Candidatura da Cidade do Porto à Classificação pela UNESCO como Património Cultural da Humanidade LOZA, Rui Ramos Edição 1993
"La Torre Nueva, de G. B. Contini, en Zaragoza, yla Torre de São Pedro dos Clérigos, de N. Nasoni, en Oporto", Bracara Augusta, 1974 CEBALLOS, Alfonso G. Rodriguez de Edição 1974 Braga
"Portuguese Baroque Architecture", The Age of the Baroque in Portugal WOHL, Hellmut Edição 1993 Washington
A Igreja e a Irmandade dos Clérigos apontamentos para uma história COUTINHO, Bernardo Xavier Edição 1966 Porto
Novos subsídios para a história da igreja e irmandade dos Clérigos COUTINHO, Bernardo Xavier Edição 1974 Porto

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