Nota Histórico-Artistica
A Livraria Lello e Irmão, considerada uma das mais belas do mundo, constitui um ex-líbris da cidade do Porto e um autêntico santuário das artes editoriais e livreiras, albergando no seu edifício monumental uma das mais antigas e prestigiadas editoras nacionais. Inaugurado no Porto em 1906, o estabelecimento, herdeiro da tradição já bem firmada da Livraria Chardron, causou grande impacto no meio cultural da época.
O edifício foi concebido segundo projeto do engenheiro Xavier Esteves, cujo caráter eclético, em perfeita atualidade com algumas das tipologias estéticas da época, e a que a literatura coeva não foi alheia, se adapta na perfeição ao seu objetivo comercial. A fachada neogótica é rasgada, no piso térreo, por um arco Tudor de grandes dimensões, abrangendo a porta central e as montras laterais, e sobre o qual corre a legenda Lello e Irmão. No registo superior destaca-se uma grande janela tripla, flanqueada por duas figuras representando a Arte e a Ciência, sendo o conjunto da fachada pontuado por decoração vegetalista e geométrica de cariz medievalista, platibandas rendilhadas e pináculos enquadrando um remate em arco conopial.
No interior, os arcos em ogiva apoiam-se em pilares esculpidos com bustos de escritores como Antero de Quental, Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Teófilo Braga, Tomás Ribeiro e Guerra Junqueiro, sob baldaquinos rendilhados. O amplo vitral revivalista com a divisa da casa, Decus in Labore (Dignidade no Trabalho), da claraboia, os esplêndidos tetos em estuque dourado e o magnífico trabalho de marcenaria, bem representado pelo corrimão em madeira da imponente escadaria, constituem os elementos decorativos mais emblemáticos da livraria.
A Livraria Lello e Irmão apresenta-se como um dos mais importantes edifícios da arquitetura eclética portuguesa, integrando marcenarias e vitrais sem paralelo no país. Ao seu valor arquitetónico e artístico acresce a importância cultural que tem assumido de forma contínua ao longo do tempo, bem como o seu excelente estado de conservação, a autenticidade e exemplaridade da estrutura e da decoração, e a merecida fama internacional de que desfruta.
UCC/DGPC/2013
Diploma de Classificação
Decreto n.º 11/2026, DR, 1.ª série, n.º 41, de 27-02-2026 (reclassificou como MN) (ver Decreto)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 6-10-2022 da subdiretora-geral da DGPC
Anúncio n.º 2/2022, DR, 2.ª série, n.º 3, de 5-01-2022 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 9-11-2021 do diretor-geral da DGPC
Proposta de 19-05-2021 da SPAA do CNC a propor a reclassificação como MN
Em 7-01-2020 a DRC do Norte colocou o assunto à consideração da DGPC
Requerimento da Livraria Lello de 15-10-2019, que deu entrada em 16-10-2019, para a reclassificação como MN
Portaria n.º 625/2013, DR, 2.ª série, n.º 182, de 20-09-2013 (classificou como MIP) (ver Portaria)
Despacho de homologação de 14-02-2000 do Ministro da Cultura
Parecer de 24-03-1994 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como IIP
Despacho de abertura de 28-09-1993 do presidente do IPPAR
Proposta de abertura de 14-09-1993 da DR do Porto do IPPAR
Proposta de classificação de 14-12-1981 da Delegação Regional do Norte da SEC
Número do Processo
Rua das Carmelitas, nº 144