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Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Mosteiro de Ermelo (restos da igreja e da abadia cisterciense)

Arquitectura Religiosa / Mosteiro

Designação
Designação Atual
Mosteiro de Ermelo (restos da igreja e da abadia cisterciense)
Outras Designações
Mosteiro de Ermelo / Igreja de Ermelo (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Mosteiro
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
O que resta do mosteiro medieval de Ermelo constitui um dos mais enigmáticos casos da nossa arte românica, discutindo-se, ainda, quer a cronologia da obra que sobreviveu até aos nossos dias, quer o contexto em que foi criada. Nas últimas décadas, duas visões antagónicas fizeram escola e não se perspectiva uma fácil e consensual aceitação de uma em detrimento de outra.
As origens do mosteiro são igualmente discutidas, tendo alguns autores dos séculos anteriores reivindicado uma maior antiguidade que aquela que os documentos autorizam (Cf. ALVES, Dez. 1982, p.49). Certo é que no governo de D. Teresa, pelos primeiros anos do século XII, a condessa decidiu fundar um mosteiro de monges beneditinos, destinado a albergar mulheres nobres (GRAF, 1986, vol.2, p.33).
Começam aqui as dúvidas acerca do ambicioso programa construtivo, de três naves e cabeceira tripartida, de que ainda restam vestígios. Uma das perspectivas consagra a este primeiro momento a concepção do projecto, equivalente, em monumentalidade, aos de Ganfei e Fiães (IDEM), dele restando ainda "os arcos das capelas laterais", cujas "impostas são de um tipo mais arcaico que as da entrada da capela-mor" e cujos capitéis se assemelham a outros do portal de Manhente e da cabeceira do mosteiro de Travanca (REAL, 1982, pp.120-122).
Outra perspectiva aponta para que a obra tenha sido projectada um século mais tarde, na altura em que o mosteiro passou para as mãos dos cistercienses (ALMEIDA, 1978; 1986; 1987; 2001). A existência de capelas quadrangulares, a decoração de alguns capitéis e modilhões com temas que se repetem em igrejas tardias do interior do Entre-Douro-e-Minho (como Fervença, Valdreu e Ferreira) e a ornamentação das bases das colunas do interior da capela-mor com uma "solução bolbiforme", impôs a conclusão de que se tratava de uma obra conotada com as dominantes estéticas cistercienses e nunca anterior à primeira metade do século XIII (ALMEIDA, 2001, p.98). Os argumentos invocados por Carlos Alberto Ferreira de Almeida (e continuados, em linhas essenciais, por RODRIGUES, 1995, p.229) não podem, contudo, ser tomados como definitivos, uma vez que existem outros indicadores estilísticos que apontam para uma campanha anterior, datável da primeira metade do século XII.
Fosse como fosse, o certo é que do projecto inicial apenas sobrevive parte da cabeceira, passando, em altura incerta, o absidíolo Norte a servir de sacristia enquanto o Sul foi demolido. Novamente neste ponto as opiniões divergem. Alguns autores sustentam que o projecto de cabeceira tripartida e três naves foi efectivamente construído, só sendo reduzido nos meados do século XVIII - uma vez que, em 1723, um relatório de uma inspecção ao mosteiro refere claramente a existência de três naves (GRAF, 1986, vol.2, p.33). Outros, porém, sustentam que, logo no século XIII, a empreitada foi drasticamente reduzida "para uma simples e pobre edificação, mais baixa e ocupando pouco mais que o espaço projectado para a primitiva nave central" (ALMEIDA, 1986, p.65).
A nova nave central não incorporou a rosácea que, originalmente, encimava o arco triunfal. Ela deverá situar-se entre os finais do século XII e os inícios do seguinte e é um dos elementos que melhor evidencia a qualidade da decoração incorporada no templo. Igual avaliação deve fazer-se em relação à janela românica da capela-mor, ornamentada com capitéis de motivos vegetalistas e geométricos, com volutas.
Alvo de renovada atenção por parte de D. João I - sendo mesmo possível que parte das obra apenas tenha sido concluída por essa altura (GRAF, 1986, vol.2, p.33) -, o mosteiro estava deserto em 1553 e acabou por ser suprimido sete anos depois, por ordem do cardeal D. Henrique. A reforma do século XVIII, celebrada por inscrição de 1760, restituiu uma relativa normalidade na vida do templo, mas só na década de 80 do século XX teve lugar o seu parcelar restauro, limitado a trabalhos de conservação e consolidação.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 9914630
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Viana do Castelo / Arcos de Valdevez / São Jorge e Ermelo
Lugar da Igreja
Ermelo -
Polícia:
LATITUDE
41.853668
LONGITUDE
-8.289299
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1553
1553 e acabou por ser suprimido sete anos depois, por ordem do cardeal D.
1723
1723, um relatório de uma inspecção ao mosteiro refere claramente a existência de três naves (GRAF, 1986, vol.2, p.33...
1760
1760, restituiu uma relativa normalidade na vida do templo, mas só na década de 80 do século XX teve lugar o seu parc...
1977
1977 (ver Decreto) O que resta do mosteiro medieval de Ermelo constitui um dos mais enigmáticos casos da nossa arte r...
1978
1978; 1986; 1987; 2001).
1982
1982, p.49).
1986
1986, vol.2, p.33).Começam aqui as dúvidas acerca do ambicioso programa construtivo, de três naves e cabeceira tripar...
1987
1987; 2001).
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1995, p.229) não podem, contudo, ser tomados como definitivos, uma vez que existem outros indicadores estilísticos qu...
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Uma fundação de D. Teresa (o mosteiro de Ermelo)", O Archeólogo Portuguez, nº23, pp.138-158 PEREIRA, Félix Alves Edição 1918 Lisboa
"A organização do espaço arquitectónico entre beneditinos e agostinhos no século XII", Arqueologia, nº6, pp.118-132 REAL, Manuel Luís Edição 1982 Porto
História da Arte em Portugal, vol. 3 (o Românico) ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1986 Lisboa
História da Arte em Portugal - O Românico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 2001 Lisboa
Arquitectura Românica de Entre Douro e Minho ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1978 Porto
"Primeiras Impressões sobre a Arquitectura românica portuguesa", Revista da Faculdade de Letras do Porto, Série História, nº1, pp.3-56 ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1972 Porto
Alto Minho ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1987 Lisboa
Egrejas e Capelas Românicas de Ribeira Lima BARREIROS, Manuel de Aguiar Edição 1926 Porto
"O mundo românico (séculos XI-XIII)", História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331 RODRIGUES, Jorge Edição 1995 Lisboa
Portugal roman, vol. II GRAF, Gerhard N. Edição 1986
"Igrejas e Capelas românicas da Ribeira Lima", Caminiana, ano IV, nº7, pp.47-118 ALVES, Lourenço Edição 1982 Caminha
Arquitectura religiosa do Alto Minho, 2 vols. ALVES, Lourenço Edição 1987 Viana do Castelo
"O património cultural do Alto Minho (civil e eclesiástico). Sua defesa e protecção", Caminiana, ano IX, nº14, pp.9-80 ALVES, Lourenço Edição 1987 Caminha
"Subsídios para a história da Ordem de Cister no Alto-Minho", Caminiana, nº14, pp.193-214 RODRIGUES, Henrique Fernandes Edição 1987 Caminha
Routier des abbayes cisterciennes du Portugal COCHERIL, Maur Edição 1986 Paris

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