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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Antas da Serra de Soajo

Arqueologia / Anta

Designação
Designação Atual
Antas da Serra de Soajo
Outras Designações
Antas da Serra do Soajo (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Anta
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Ao que se sabe, foi o "correspondente efectivo" da (então ainda) Real Associação dos Architectos Civis e Archeologos Portuguezes, Félix Alves Pereira (?-1915), quem identificou pela primeira vez aquelas que são conhecidas na actualidade por "Antas da Serra de Soajo", numa altura em que o estudo dos monumentos megalíticos ganhava maior popularidade entre os investigadores locais, inserido num contexto europeu generalizado que o propiciava, ainda que persistissem algumas das lendas populares que envolviam o significado da sua edificação e utilização desde, pelo menos, a medievalidade ocidental. Além disso, o registo destas antas integrava-se perfeitamente nas principais directrizes de trabalho delineadas pelo Conselho Superior dos Monumentos Nacionaes, cujos vogais efectivos vinham, há muito, pugnando pela inventariação sistemática das denominadas "riquezas artísticas e arqueológicas" do país. E, neste contexto, não surpreenderá que estes exemplares acabassem por ser incluídos na primeira grande listagem dos "monumentos nacionais", publicada em decreto de 1910, onde, pela primeira vez, entre nós, os vestígios arqueológicos assumiram um estatuto legal equiparável às demais construções humanas.

F. Alves Pereira terá, na verdade, identificado, entre os finais do século XIX, e os princípios do XX, cerca de sessenta antas, ainda que, quase uma década antes, tivesse, durante as suas múltiplas deambulações pela região, em busca de testemunhos de um passado mais remoto, encontrado muitas delas num já avançado estado de ruína, situação assaz frequente, quer pelo seu posicionamento em terrenos agrícolas, quer pela ambição que suscitavam junto de quem procurava "tesouros" no seu interior. Não constituirá, por isso, propriamente uma surpresa que, volvidos que estão mais de cem anos sobre estas primeiras incursões, se tenha tornado (quase) impossível encontrar resquícios materiais de muitas dessas antas, devido ao facto de terem sido sujeitas a sucessivos processos de violação, espoliação, destruição e reaproveitamente dos seus esteios para as finalidades mais diversas, quase sempre conectadas às actividades diárias das populações residentes nas suas imediações. Daí que, na maioria dos casos, subsista apenas a mamoa - ou tumulus - com a depressão central correspondente ao local onde se erguia a primitiva câmara funerária, por vezes a par de um ou dois esteios, e, só muito raramente, a estrutura total

Edificadas em contexto montanhoso, as antas parecem formar pequenos núcleos distribuídos ao longo de aproximadamente dez quilómetros pelas vertentes da margem esquerda do rio Vez.

O mais conhecido destes exemplares será, sem dúvida, o "Dolmen do Mezio" (ou "Anta do Mezio"), precisamente pelo facto de, a par dos vestígios da primitiva mamoa, exibir ainda os elementos constituintes da estrutura primordial que lhe subjazia, nomeadamente da câmara sepulcral, tal como sucede, ademais, nas outras duas antas que integram o mesmo núcleo. De planta poligonal irregular, a câmara do "Dolmen de Mezio" ainda preserva a laje de cobertura - ou "chapéu" - e o correspondente corredor, voltado a Nascente.

As intervenções arqueológicas conduzidas no local nos últimos anos permitiram recolher um número considerável de material bastante representativo desta realidade funerária das comunidades neo-calcolíticas da região. Entre os artefactos exumados, abundam particularmente as pontas de seta e uma ponta de lança em sílex, para além de múltiplos fragmentos de cerâmica.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 12707538
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Viana do Castelo / Arcos de Valdevez / Soajo; Cabana Maior
- -
Mezio e Cabana Maior -
Polícia:
LATITUDE
41.884253
LONGITUDE
-8.313442
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) Ao que se sabe, foi o "correspondente efectivo" da (então ainda) Real ...
1915
1915), quem identificou pela primeira vez aquelas que são conhecidas na actualidade por "Antas da Serra de Soajo", nu...
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Novas Mamoas da Serra do Soajo", O Arqueólogo Português PEREIRA, Félix Alves Edição 1903 Lisboa
"Um passeio arqueológico no concelho de Arcos de Valdevez", O Arqueólogo Português PEREIRA, Félix Alves Edição 1902 Lisboa
"O núcleo megalítico do Mezio (Arcos de Valdevez)", Actas do 3º Congresso de Arqueologia Peninsular. Neolitização e Megalitismo da Península Ibérica SOARES, Nuno Miguel de Sousa Ribeiro Edição 2000 Porto
História da arquitectura primitiva em Portugal: monumentos dolménicos MONTEZ, Paulino Edição 1943 Lisboa
"Adenda à notícia explicativa da Carta Geológica de Portugal, folha 1-D (Arcos de Valdevez)", Terra de Val de Vez Obra

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