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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Cava de Viriato

Arqueologia / Acampamento

Designação
Designação Atual
Cava de Viriato
Outras Designações
Cava do Viriato / Cava de Viriato (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Acampamento
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Tradicionalmente atribuído a um tão glorioso quanto lendário período de resistência lusitana à conquista romana, e depois aos próprios romanos, só muito recentemente estas catalogações foram postas em causa para o monumento conhecido como "Cava de Viriato". No estado actual dos nossos conhecimentos, pode mesmo dizer-se que ele ilustra bem a tradição historiográfica nacional, tão alicerçada em atribuições duvidosas (sistematicamente repetidas), antes que existam esforços científicos de comprovação ou rejeição. Neste caso, apesar das múltiplas reafirmações acerca da sua pretensa antiguidade, nunca houve uma intervenção arqueológica, limitando-se os trabalhos a campanhas de prospecção que lograram identificar algum material que, para além de descontextualizado, se assume como de pouca relevância.
Nos últimos anos, todavia, o grande impulso dado à arqueologia medieval islâmica permitiu o aparecimento de uma perspectiva alternativa, que confere ao período muçulmano a construção deste complexo sistema militar. As primeiras dúvidas foram avançadas por Vasco Mantas, que estranhou a inexistência de qualquer paralelo planimétrico romano (MANTAS, 1996; 1998; 2002 e 2003). Mais recentemente, Helena Catarino teve oportunidade de confirmar algumas conclusões daquele autor e salientar outras que colocam a Cava em plena época islâmica (CATARINO, 2005). Ambos coincidem na funcionalidade tradicional apontada: a de se tratar de uma fortaleza.
Ocupando uma área de cerca de 30 hectares, a fortificação é um imenso octógono, "com muros de terra rodeados por um fosso, cujo diâmetro interior é de 640 metros", tendo os muros uma largura, na base, da ordem dos 30 a 35 metros (MANTAS, 2003, p.40). Uma tal configuração, que não encontra qualquer semelhança a nível peninsular, parece ter melhor explicação nas "cidades-acampamentos" muçulmanas, de que o melhor exemplo conservado é a de Samarrã, no actual Iraque, local já intervencionado arqueologicamente e sede do poder califal abássida entre 836 e 892 (CATARINO, 2005, p.202).
Hoje, tal como a podemos ver, a Cava foi sujeita a algumas modificações e muitas destruições, mas o perímetro é ainda integralmente reconhecível. Ao que tudo indica, ela possuía um relativamente complexo sistema de engenharia hidráulica, na medida em que o seu interior e os fossos em redor estavam ligados ao rio Pavia e à ribeira de Santiago e dentro do recinto existiam diversos poços e cisternas de armazenamento de água (IDEM, pp.201-202).
Se, na actualidade, a perspectiva islâmica se impôs sobre a tradicional catalogação romana, são muitas as dúvidas que se mantêm. Uma das mais importantes relaciona-se com a cronologia exacta a atribuir ao monumento. Helena Catarino (IDEM, p.202) sugere tratar-se de uma "uma qal'a, ou cidade acampamento, do mesmo tipo dos outros qila' que as fontes árabes indicam para a primeira época islâmica", mas não exclui outras hipóteses posteriores, nomeadamente durante o poder emiral e, sobretudo, na época de Almansor (Al-Mansur), altura em que Viseu foi o ponto de partida para uma série de razias destrutivas no Norte asturiano-leonês.
De maior complexidade é a hipótese avançada por Vasco Mantas a respeito de um primeiro estabelecimento romano, eventualmente do século I a.C., que o autor sugere reconhecer no interior do grande octógono. Aí existe uma "pequena plataforma natural", de desenho rectangular, onde parecem confluir quatro vias, provenientes dos diversos pontos cardeais (MANTAS, 2003, p.42). Esta perspectiva viria, assim, explicar algum material romano aqui aparecido, embora este não possa ser considerado como um vector fundamental de interpretação.
Com estas recentes propostas cronológico-funcionais estão reunidas todas as condições para que se avance com uma investigação arqueológica de grande escala (a que é determinada pela monumentalidade da estrutura) e de forma sistemática, que permita responder a muitas das dúvidas acerca desta enigmática fortificação.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria de 3-02-1970, publicada no DG, II Série, n.º 48, de 26-02-1970 (sem restrições)
Afectação 9913229
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Viseu / Viseu / Viseu
Campo de Viriato
Viseu -
Polícia:
LATITUDE
40.668382
LONGITUDE
-7.909639
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) Tradicionalmente atribuído a um tão glorioso quanto lendário período d...
1996
1996; 1998; 2002 e 2003).
1998
1998; 2002 e 2003).
2002
2002 e 2003).
2003
2003).
2005
2005).
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Portugal Romano ALARCÃO, Jorge Manuel N. L. Edição 1988 Lisboa
A cidade romana de Viseu ALARCÃO, Jorge Manuel N. L. Edição 1989 Viseu
"Notas sobre o período islâmico na Marca Inferior (Tagr al-Gharbí) e as escavações na Universidade de Coimbra", Muçulmanos e Cristãos entre o Tejo e o Douro (séculos VIII a XIII), pp.195-214 CATARINO, Helena Maria Gomes Edição 2005 Palmela
"Indícios de um campo romano na Cava de Viriato?", Al-Madan, 2ªsér., nº12, pp.40-42 MANTAS, Vasco Gil Edição 2003 Almada
"Arqueologia e História antiga: dos monumentos aos homens de ontem e de hoje", As oficinas da História, pp.118-123 MANTAS, Vasco Gil Edição 2002 Coimbra
"Viriato. Genealogia de um mito", Penélope, nº8, pp.9-23 GUERRA, Amílcar Manuel Ribeiro, FABIÃO, Carlos Jorge Soares Edição 1992 Lisboa
"Geografia e campos fortificados romanos", Boletim do Centro de Estudos Geográficos, nº1 (6-7), pp.73-80. OLEIRO, João Manuel Bairrão, GIRÃO, Aristides de Amorim Edição 1953 Coimbra
A Civitas de Viseu. Espaço e Sociedade, Dissertação de Doutoramento em Arqueologia apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra VAZ, João Luís da Inês Edição 1997 Coimbra
A Cava de Viriato. Notícia descriptiva e critico-histórica NEVES, Henrique das Edição 1893 Figueira da Foz

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