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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Muralhas e Portas Antigas da Cidade

Arquitectura Militar / Muralha

Designação
Designação Atual
Muralhas e Portas Antigas da Cidade
Outras Designações
Muralha e portas antigas de Viseu / Cerca urbana de Viseu (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Muralha
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Variam muito as opiniões acerca das origens das muralhas viseenses, diversidade fomentada pela escassez de informações arqueológicas. Dada a antiguidade da cidade, tem sido consensual a atribuição de um primitivo amuralhamento ao período romano, hipótese confirmada recentemente por escavações arqueológicas realizadas no Largo de Santa Cristina, mas cuja amplitude, dimensão e perímetro se deconhecem. Também a cerca medieval se apresenta bastante problemática. Tem sido frequente considerar uma estrutura defensiva do burgo na viragem para o século XII, mas, invariavelmente, faltam certezas.
O que efectivamente sabemos acerca das muralhas de Viseu data da Baixa Idade Média, mais concretamente do século XV, momento por demais tardio face às condicionantes reconquistadoras que, com certeza, motivaram o amuralhamento da localidade logo nos primeiros tempos da nacionalidade, ou, ainda, antes.
No tempo de D. João I, trabalhava-se nas muralhas, mas a principal informação é do reinado de D. Afonso V: em 1472, uma epígrafe associada à Porta do Soar, indica que, nesse ano, o monarca ordenou uma reformulação da estrutura defensiva, passando esta a integrar as duas cercas antigas.
Esta informação é bastante importante, na medida em que certifica terem existido duas linhas de muros, já considerados antigos pelos meados do século XV. Neste sentido, é possível equacionar, pelo menos, duas fases anteriores, que poderão corresponder, mesmo, a épocas distintas de evolução urbana da própria cidade. Contudo, é possível que tenham sido o resultado dos primeiros amuralhamentos medievais, cuja eficácia foi dramaticamente testada no ciclo de Guerras Fernandinas, na segunda metade do século XIV, quando Viseu foi, por quatro vezes, atacada por exércitos castelhanos.
O que hoje resta destas muralhas data, assim, do século XV. Sob o patrocínio da dinastia de Avis, edificou-se uma cerca poligonal, de planta muito irregular (abraçando a própria fisionomia humanizada da cidade), cuja correcta definição das suas linhas está hoje bastante prejudicada pelas múltiplas alterações posteriores. Com efeito, os poucos vestígios que restam são secções isoladas e destituídas de ligações entre si, circunstâncias que impossibilitam a reconstituição do seu traçado.
Das sete portas primitivas, restam apenas duas, e das torres originais quase nada se conserva. As fases de destruição da muralha de Viseu estão ainda por esclarecer convenientemente, na medida em que parecem ter existido obras na época moderna, como o prova a lápide de 1646 associada à Porta dos Cavaleiros. Ao que tudo indica, o seu desmantelamento iniciou-se logo no século XVI, aquando da ampliação do Paço episcopal. Mais tarde, em 1844, a própria Câmara Municipal ordenou a demolição das antigas portas, recapitulando-se, em Viseu, um processo entendido como modernizante e que caracterizou a actuação de alguns municípios oitocentistas nacionais.
A Porta do Soar, ou de São Francisco, é o principal elemento remanescente. De arco ogival e com um pequeno troço adossada, foi o eixo fundamental de circulação da cidade, onde os construtores colocaram a epígrafe que data a construção do reinado de D. Afonso V e um brasão com as armas nacionais. No interior, um pequeno nicho contém ainda uma imagem do santo tutelar da Porta, característica comum às principais entradas das fortalezas tardo-medievais. A importância e o prestígio deste local fez com que, anexa à porta, séculos mais tarde, se construísse uma das mais interessantes casas civis barrocas de Viseu, o Solar dos Melos, cujo impacto urbanístico e simbólico levou mesmo a que a velha Porta do Soar passasse a ser conhecida como Arco dos Melos. No Largo de Santa Cristina, conserva-se um solar presumivelmente do século XVII, cujas fundações assentam sobre um troço de muralha, o que prova como na época moderna a antiga estrutura defensiva da cidade foi constantemente adulterada em benefício da ampliação de espaços civis.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 2 165, DG, I Série, n.º 265, de 31-12-1915 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 9913329
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Viseu / Viseu / Viseu
Rua Nunes de Carvalho (Porta do Soar de Cima)
Viseu -
Polícia:
Rua dos Loureiros (Porta dos Cavaleiros)
Viseu -
Polícia:
LATITUDE
40.660801
LONGITUDE
-7.911205
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1472
1472, uma epígrafe associada à Porta do Soar, indica que, nesse ano, o monarca ordenou uma reformulação da estrutura ...
1646
1646 associada à Porta dos Cavaleiros.
1844
1844, a própria Câmara Municipal ordenou a demolição das antigas portas, recapitulando-se, em Viseu, um processo ente...
1915
1915 (ver Decreto) Variam muito as opiniões acerca das origens das muralhas viseenses, diversidade fomentada pela esc...
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Espaço e tempo na Acrópole de Viseu", Monumentos, n.º 13, Lisboa, Setembro de 2000, pp. 44-51 VAZ, João Luís da Inês Edição 2000 Lisboa
A gloriosa história dos mais belos castelos de Portugal PERES, Damião Edição 1969 Barcelos
"Eclectismo. Classicismo. Regionalismo. Os caminhos da arte cristã no Ocidente peninsular entre Afonso III e al-Mansur", Muçulmanos e Cristãos entre o Tejo e o Douro (sécs. VIII a XIII), pp.293-310 FERNANDES, Paulo Almeida Edição 2005 Palmela
"A acrópole e a cidade", Monumentos, n.º 13, Lisboa, Setembro de 2000, pp. 52-55 FERNANDEZ, Sergio Edição 2000 Lisboa
Imagens de Viseu MOREIRA, Francisco de Almeida Edição 1937 Porto
Viseu monumental e artístico VALE, Alexandre de Lucena e Edição 1969 Viseu
"O castelo romano de Viseu", Beira Alta, n.º 30, 1957, pp. 215-226 VALE, Alexandre de Lucena e Edição 1957 Viseu

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Edifício do antigo seminário de Viseu, depois Paço dos Bispos de Viseu, vulgarmente conhecido pelo nome de «Colégio»
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Igreja da Misericórdia de Viseu, incluindo o património integrado, adro e escadório
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