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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Monumento funerário eneolítico do Barro

Arqueologia / Monumento Megalítico

Designação
Designação Atual
Monumento funerário eneolítico do Barro
Outras Designações
Tholos do Barro / Tholos da Pena / Monumento funerário da Pena (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Monumento Megalítico
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Foi no seguimento dos estudos desenvolvidos no século dezanove pelos pioneiros da Geologia e da Pré-história em território nacional que o "Monumento funerário eneolítico", mais vulgarmente conhecido por "Tholos do Barro" ou "Tholos da Pena", foi identificado ainda nos inícios da nova centúria.

Com efeito, e tal como sucedia amiúde, esta estação arqueológica foi descoberta na sequência de obras de construção conduzidas no local em 1908, que permitiram colocar a descoberto materiais pré-históricos prontamente recolhidos pelo poeta e publicista P.e José Joaquim d'Abreu Campo Santo (1841-1909), do Colégio do Barro. E seria outro prelado, dessa feita de nacionalidade francesa, o P.e Paul Bovier-Lapierre, a prospectar o terreno, encontrando o tholos

Entrara-se, na realidade, num dos períodos mais interessantes da investigação arqueológica no nosso país, depois de 1885 ter assistido à primeira tentativa de institucionalização do seu exercício, por intermédio do seu reconhecimento académico, com a inauguração, na Universidade de Coimbra, da cadeira de "Antropologia, Paleontologia Humana e Arqueologia Pré-histórica", poucos anos antes de o MEP (vide supra) assegurar a formação de colecções arqueológicas constituídas com artefactos recolhidos um pouco por todo o Portugal continental (Cf. MACHADO, J. L. S., 1964). Conjuntamente às mais destacadas figuras do Muzeu Ethnologico Portuguez (MEP) e a investigadores actuantes de forma independente de organismos estatais, as alterações de fundo efectuadas na legislação portuguesa relacionada com a salvaguarda de vestígios antigos possibilitou o alargamento e aprofundamento de prospecções e escavações arqueológicas, com vista a um melhor conhecimento das realidades passadas, agora que se reconhecera superiormente a existência de um valor arqueológico passível de ser preservado e legado às gerações futuras (Cf. MARTINS, A. C., 2005).

Motivados por este contexto mais favorável, o pré-historiador P.e Eugène Jalhay (1891-1950) e Félix Alves Pereira iniciaram a exploração do tholos ainda neste mesmo ano (1909), conduzindo os materiais exumados (artefactos de sílex, pedra polida, cobre e bronze, a par de exemplares cerâmicos e de contas, para além dos característicos ídolos cilíndricos) para o MEP (MADEIRA, J., GONÇALVES, J. L. M., RAPOSO, L. e PARREIRA, R., 1972, p. 207), justamente à luz dos decretos entretanto publicados, que lhe conferiam primazia nestes casos (Id., Idem.).

Na verdade, o termo correspondente, na actualidade, ao concelho de Torres Vedras sobressai, sem dúvida, pela riqueza de arqueossítios, num testemunho indiscutível da diversidade dos recursos cinegéticos essenciais à sobrevivência humana, patenteado, ademais, no número de arqueossítios identificados até ao momento na região, não sendo, por conseguinte, surpreendente que avultem sítios funerários, nomeadamente dos atribuídos ao Calcolítico, revelando-se alguns exemplares fundamentais "[...] para o estudo da cultura do vaso campaniforme [...]." (FERREIRA, O. da V., 1970, p. 180) no actual território português.

Erguido no lado Sul do topo do Monte da Pena, de onde se desfruta de excelente visibilidade sobre a paisagem circundante, o tholos ostenta evidente monumentalidade, dispondo de câmara sepulcral de planta circular com ca de seis metros de diâmetro revestida com blocos pétreos sobrepostos formando falsa cúpula (= tholos), ao interior da qual se acedia por corredor com aproximadamente quatro metros de comprimento. A estrutura era integralmente envolvida por mamoa - ou tumulus -, constituído, neste caso, por material pétreo, perfazendo ca de treze metros de diâmetro.

[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 32 973, DG, I Série n.º 175, de 18-08-1943 (voltou a classificar o Monumento funerário eneolítico do Barro) (ver Decreto)
Decreto n.º 30 838, DG, I Série, n.º 254, de 1-11-1940 (suspendeu o diploma anterior quanto aos imóveis que fossem propriedade particular, até que se cumprisse o disposto no art.º 25.º do Decreto n.º 20 985, DG, I Série, n.º 56, de 7-03-1932) (ver Decreto)
Decreto n.º 30 762, DG, I Série, n.º 225, de 26-09-1940 (classificou o mesmo monumento funerário com a designação de Monumento funerário eneolítico do Barro) (ver Decreto)
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (classificou o Monumento funerário da Pena) (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 12737527
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Lisboa / Torres Vedras / Santa Maria, São Pedro e Matacães
Casal da Pena
Lugar do Barro -
Polícia:
LATITUDE
39.067437
LONGITUDE
-9.262503
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1841
1841-1909), do Colégio do Barro.
1885
1885 ter assistido à primeira tentativa de institucionalização do seu exercício, por intermédio do seu reconhecimento...
1891
1891-1950) e Félix Alves Pereira iniciaram a exploração do tholos ainda neste mesmo ano (1909), conduzindo os materia...
1908
1908, que permitiram colocar a descoberto materiais pré-históricos prontamente recolhidos pelo poeta e publicista P.e...
1909
1909), do Colégio do Barro.
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (classificou o Monumento funerário da Pena) (ver Decreto) Foi no seguimento dos estu...
1932
1932) (ver Decreto) Decreto n.º 30 762, DG, I Série, n.º 225, de 26-09-1940 (classificou o mesmo monumento funerário ...
1940
1940 (suspendeu o diploma anterior quanto aos imóveis que fossem propriedade particular, até que se cumprisse o dispo...
1943
1943 (voltou a classificar o Monumento funerário eneolítico do Barro) (ver Decreto)Decreto n.º 30 838, DG, I Série, n...
1950
1950) e Félix Alves Pereira iniciaram a exploração do tholos ainda neste mesmo ano (1909), conduzindo os materiais ex...
1964
1964).
1970
1970, p.
1972
1972, p.
2005
2005).
1
IMAGENS
12
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Complexificação das sociedades e sua inserção numa vasta rede de intercâmbios", Nova História de Portugal JORGE, Vítor de Oliveira Edição 1990 Lisboa
Tesouros Artísticos de Portugal ALMEIDA, José António Ferreira de Edição 1976 Lisboa
"Grutas artificiais da Quinta das Lapas (Torres Vedras)", Boletim Cultural da Junta Distrital de Lisboa FERREIRA, Octávio da Veiga Edição 1970 Lisboa
"Sepulturas pré-históricas de caracter mycenense", O Arqueólogo Português VASCONCELLOS, José de Leite de Edição 1902 Lisboa
"O Calcolítico na região de Torres Vedras", Turres Veteras IV. Actas de Pré-história e História Antiga LUCAS, Maria Miguel Edição 2002 Torres Vedras
"Subsídios para a História do Museu Etnológico do Dr. Leite de Vasconcellos", O Arqueólogo Português MACHADO, João Luís Saavedra Edição 1964 Lisboa
"Processo official do monumento pré-histórico do Monte da Pena (Torres Vedras)", O Arqueólogo Português PEREIRA, Félix Alves Edição 1909 Lisboa
"Desenvolvimento da hierarquização social e da metalurgia", Nova História de Portugal JORGE, Susana de Oliveira Edição 1990 Lisboa
"A consolidação do sistema agro-pastoril", Nova História de Portugal JORGE, Susana de Oliveira Edição 1990 Lisboa
"Achados da Idade do Bronze no Monte da Pena (Barros - Torres Vedras). Notícia prévia", O Arqueólogo Português PARREIRA, Rui, GONÇALVES, João Ludgero Marques, RAPOSO, Luís, MADEIRA, João Edição 1972 Lisboa
A Associação dos Arqueólogos Portugueses na senda da salvaguarda patrimonial. Cem anos de transformação (1863-1963). Texto policopiado. Tese de Doutoramento em Letras. MARTINS, Ana Cristina Edição 2005 Lisboa
"Armas, utensílios e esconderijos. Alguns aspectos da metalurgia do Bronze Final: o depósito do Casal dos Fiéis de Deus", Revista Portuguesa de Arqueologia MELO, Ana Ávila de Edição 2000 Lisboa

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