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Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja e ruínas do Mosteiro de Santa Maria das Júnias

Arquitectura Religiosa / Mosteiro - Itinerário de Cister

Designação
Designação Atual
Igreja e ruínas do Mosteiro de Santa Maria das Júnias
Outras Designações
Mosteiro de Santa Maria das Júnias (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Mosteiro - Itinerário de Cister
Itinerário Temático
Itinerários de Cister
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Nos últimos anos foi possível chegar a conclusões mais precisas a respeito da fundação do mosteiro. A tendência actual é para rejeitar as opiniões que situam a instituição da comunidade pelo século IX, em benefício de uma cronologia a rondar a década de 40 do século XII. "Efectivamente, a primeira referência segura de que dispomos (...) é uma inscrição gravada na face exterior da parede Norte da Nave, (...) onde se pode ler: Era Mª Cª 2 XXXVª", data que, pelo calendário gregoriano, corresponde ao ano de 1147. "Pela sua cronologia e implantação", este letreiro deve estar relacionado com "algum evento de particular relevância para a comunidade", eventualmente a "Sagração ou Dedicação do templo de Santa Maria das Júnias" (BARROCA, 1994, pp.419-420).
Desse primeiro período conservam-se importantes vestígios românicos, em particular na nave rectangular, que é decorada interiormente por frisos com figurações em pontas de lança. No exterior, as peças mais importantes desta fase são os dois portais (axial e laterais), cuja ornamentação obedece às determinantes artísticas experimentadas em torno da Sé de Braga ainda na primeira metade do século XII. O portal ocidental é de arco de volta perfeita, de duas arquivoltas (a exterior ornamentada com o tema das pontas de lança e realçada por moldura) que repousam em impostas decoradas com motivos geométricos, do tipo de corações invertidos. O tímpano é vazado, ao centro, por cruz de braços iguais, inserida em círculo, sobre lintel de decoração vegetalista estilizada. Os portais laterais, apesar de parcialmente mutilados na zona do lintel, ainda conservam importantes parcelas românicas, como o tímpano, de cruz vazada.
Algum tempo depois de terminada a igreja, deve-se ter edificado o claustro. Este revela já "tendências góticas, embora socorrendo-se ainda de arcos de volta perfeita" (IDEM, p.427). O que resta do conjunto claustral (apenas o ângulo Nordeste) é insuficiente para uma mais rigorosa catalogação desta parcela, mas é de supor que tenha sido edificado na primeira metade do século XIII, recorrendo a uma decoração já essencialmente vegetalista.
Pelos meados dessa centúria, a comunidade beneditina abraçou outra regra monástica, a de Cister. Apesar das evidentes diferenças, não consta que se tenham realizado grandes obras de adaptação, pelo menos no espaço religioso. A implantação do mosteiro respondia, de igual modo, aos anseios dos cistercienses, com extremo isolamento da comunidade e um aro rural para trabalhar, onde a água era um valor determinante. É de presumir que as dependências monásticas, localizadas a Norte da igreja, tenham sido intervencionadas, mas pouco mais podemos adiantar, até porque toda esta zona foi reconstruída na época moderna. A capela-mor original foi alteada no final da Idade Média, em virtude de o local onde o mosteiro havia sido construído apresentar um forte assoreamento. O arco triunfal foi também mexido nessa altura, datando presumivelmente do século XV a decoração de esferas que ornamenta as suas impostas.
Nos inícios de Quinhentos, o conjunto deve ter atravessado um período de acentuada crise, cujo resultado foi o abandono da comunidade. Em 1533, porém, com a visita do abade de Claraval, D. Edme de Saulieu, o mosteiro foi reactivado, realizando-se, então, as dependências a Norte da igreja, algumas das quais com dois andares, que ainda hoje se conservam. A edificação deste complexo deve ter sido lenta, uma vez que ainda se documentam obras no século XVIII.
O isolamento e a escassez de recursos económicos, todavia, nunca terão permitido grande desafogo por parte dos monges. Em 1834, o mosteiro foi extinto e as suas dependências foram aproveitadas pelos habitantes de Pitões para os mais diversos fins, convertendo-se a sua igreja em paroquial. Parcialmente intervencionado pela DGEMN, em 1981, não foi, até agora, possível definir um plano coerente de valorização e reconversão funcional, apesar dos vários estudos já consagrados ao edifício.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 37 728, DG, I Série, n.º 4, de 5-01-1950 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Parecer favorável de 01-10-2008 do Conselho Consultivo do IGESPAR,I.P.
Proposta de 21-04-2005 da DRPorto
Afectação 12699926
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Vila Real / Montalegre / Pitões das Junias
-- -
Pitões das Júnias -
Polícia:
LATITUDE
41.831101
LONGITUDE
-7.942635
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1147
1147.
1533
1533, porém, com a visita do abade de Claraval, D.
1834
1834, o mosteiro foi extinto e as suas dependências foram aproveitadas pelos habitantes de Pitões para os mais divers...
1950
1950 (ver Decreto) Nos últimos anos foi possível chegar a conclusões mais precisas a respeito da fundação do mosteiro...
1981
1981, não foi, até agora, possível definir um plano coerente de valorização e reconversão funcional, apesar dos vário...
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"A construção cisterciense em Portugal durante a Idade Média", Arte de Cister em Portugal e na Galiza, catálogo de exposição, pp.43-96 REAL, Manuel Luís Edição 1998 Lisboa
"Cister, a arquitectura e a cultura artística na época moderna", Arte de Cister em Portugal e Galiza (catálogo da exposição), pp. 230-279 PEREIRA, José Fernandes Edição 1998 Lisboa
História da Arte em Portugal - O Românico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 2001 Lisboa
Arquitectura Românica de Entre Douro e Minho ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1978 Porto
História da Arte em Portugal, vol. 3 (o Românico) ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1986 Lisboa
"Primeiras Impressões sobre a Arquitectura românica portuguesa", Revista da Faculdade de Letras do Porto, Série História, nº1, pp.3-56 ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1972 Porto
Epigrafia medieval portuguesa (862-1422) BARROCA, Mário Jorge Edição 2000 Lisboa
"Mosteiro de Santa Maria das Júnias. Notas para o estudo da sua evolução arquitectónica", Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2ª sér., vol. XI, pp.417-446 BARROCA, Mário Jorge Edição 1994 Porto
"O mundo românico (séculos XI-XIII)", História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331 RODRIGUES, Jorge Edição 1995 Lisboa
Portugal roman, vol. I GRAF, Gerhard N. Edição 1986
Montalegre e Terras de Barroso COSTA, João Gonçalves da Edição 1968 Montalegre
Montalegre e Terras do Barroso.Notas Históricas sobre Montalegre freguesias do concelho e região do Barroso COSTA, João Gonçalves da Edição 1987
"Materiais para a arqueologia do concelho de Montalegre", O Arqueólogo Português BARREIROS, Fernando Braga Edição 1920 Lisboa
Routier des abbayes cisterciennes du Portugal COCHERIL, Maur Edição 1986 Paris
Pitões das Júnias. Esboço de monografia etnográfica GUERREIRO, Manuel Viegas Edição 1981 Lisboa
"Mosteiro de Pitões das Júnias. Um caso de obstinação", Revista Descobrir, nº0, pp.110-115 MARTINS, Clara Joana Edição 1995 Lisboa

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