Nota Histórico-Artistica
Constituindo uma das povoações mais importantes da região ao longo da Idade Média, pela localização estratégica que ocupava durante o longo e difícil processo de Reconquista, Trancoso destacou-se, de igual modo, pela excelência dos recursos naturais que o território que lhe corresponde na actualidade sempre proporcionou às comunidades humanas que o procuravam e nele se fixavam, como evidenciam as inúmeras estações arqueológicas identificadas até ao momento no seu perímetro.
Foram estas características e potencialidades que lhe mereceram, entre as décadas de setenta e de oitenta do século XII, a obtenção do seu primeiro foral, outorgado por D. Afonso Henriques (1109-1185) e posteriormente confirmado por D. Afonso II (1185-1223), decorria, então, o ano de 1217, e, de novo, em 1391, dessa feita por iniciativa de D. João I (1357-1433), cabendo, porém, a D. Manuel I (1469-1521) a concessão, em 1510 (ano em que o soberano conferiu foral a inúmeras localidades), de novo foral e a colocação, no centro da povoação (no cruzamento dos eixos que ligam as quatro portas do muralhado medieval), do símbolo, por excelência, do poder local, ou seja, o pelourinho, como forma, não apenas de incentivar o desenvolvimento económico da zona, como de promover o seu povoamento.
Peça inscrita, por conseguinte, nas linhas arquitectónicas e gramática decorativa manuelinas, o "Pelourinho de Trancoso", executado em granito, é composto de coluna de fuste oitavado, superfície lisa (com argola de ferro colocada a meia altura) e base quadrada biselada nos ângulos, assente sobre soco formado por quatro degraus octogonais, como octogonal é o capitel precedido de gola e concluído por três anéis. É, no entanto, no remate que se revela todo o esplendor manuelino, constituído por gaiola composta de colunelo central liso e oito colunelos de fuste cilíndrico sobrepujados por três anéis de secção circular decorados com meias esferas. O monumento termina em pirâmide encimada por esfera armilar coroada por cruz de Cristo em ferro.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível