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Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Castelo e muralhas de Trancoso

Arquitectura Militar / Castelo

Designação
Designação Atual
Castelo e muralhas de Trancoso
Outras Designações
Castelo e cerca urbana de Trancoso (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Castelo
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
As origens do castelo de Trancoso remontam aos inícios da castelologia nacional. A primeira referência conhecida data de 960, e consta de um dos mais importantes documentos altimedievais portugueses: a doação de D. Chamôa Rodrigues, ao Mosteiro de Guimarães, de numerosas estruturas (militares e, eventualmente, também civis) que detinha na Beira Interior. Por este documento, é possível perceber que esta faixa de território esteve militarmente organizada logo a partir dos inícios do século X, altura de grande expansão da esfera civilizacional asturiano-leonesa.
Dessa primeira época, conserva-se uma torre, posteriormente adaptada a torre de menagem do castelo. De planta quadrada, silhueta tronco-piramidal e aparelho não-isódomo (ostentando os silhares ranhuras para enquadrar as fiadas superiores), a torre possui uma porta rasgada em arco em ferradura, elemento que confirma a sua cronologia pré-românica (BARROCA, 1990/91 e 2000).
A entrada da Beira Interior na posse da coroa portuguesa, já no século XII, e a importância estratégica desta zona face ao reino de Leão, levou a que muitos castelos raianos fossem objecto de reforma e de actualização. Trancoso não foi excepção, tanto mais tratando-se, nessa altura, de uma das principais localidades da região, a par da Guarda e da Covilhã (GOMES, 1996, p.119).
A construção românica do castelo dotou a antiga torre de uma cintura de muralhas e converteu-a em torre de menagem. Já no século XIII, de acordo com a interpretação de Mário Barroca, esta cerca foi complementada com vários torreões de planta rectangular, o que permitiu o "tiro flanqueado" (BARROCA, 2000, p.225). A estrutura irregular da planta, que se adaptou às condicionantes do terreno, é outra característica que podemos associar ao período românico, embora o esquema oval do castelo possa datar já do reinado de D. Dinis.
É precisamente a este último reinado que se atribui a maior fase construtiva desta fortaleza medieval, na sequência da consolidação fronteiriça proporcionada pelo Tratado de Alcanices. Para além de eventuais obras no castelo, o burgo foi totalmente amuralhado, ao abrigo de um programa reformador do próprio urbanismo da vila. A cerca enquadrou totalmente o casario e as portas foram concebidas como símbolos da autoridade régia e municipal. Ladeadas por maciças torres, as portas de El-Rei e do Prado (as que se conservam) são as mais emblemáticas imagens da cidade.
O interior das muralhas foi, também, alvo de grande reformulação. Mário Barroca chamou-lhe "Urbanismo criado" e estamos, de facto, na presença de um dos melhores exemplos de urbanismo gótico português. As ruas paralelas, de quarteirões regulares (BARROCA, 2000, p.225) revelam a amplitude desse programa, que chegou até aos nossos dias e que, recentemente, tem sido alvo de renovado interesse.
Os séculos seguintes não tiveram o mesmo impacto no castelo e nas muralhas de Trancoso, como os tempos medievais. Existem notícias de obras ao longo dos séculos XIV e XV, facto que confirma a constante preocupação em actualizar os sistemas defensivos da cidade. Na época moderna, Trancoso manteve o seu estatuto de fortificação importante regional, aqui se aquartelando diversos contingentes de soldados, em especial o de William Beresford, em 1809, no contexto das invasões napoleónicas.
Em meados do século XIX, a arruinada capela de Santa Bárbara, no interior do recinto, foi adaptada a paiol, mas tal função nunca chegaria verdadeiramente a efectivar-se. Pela mesma altura, a edilidade começava a desmantelar as muralhas, com vista à utilização de material em obras públicas, como a pavimentação das vias. O período mais grave de destruição ocorreu na viragem para o século XX, altura em que, em nome da modernidade, algumas portas e torres foram destruídas. Invertida a situação, o vasto programa restaurador da DGEMN, iniciado na década de 30, levou à reinvenção de algumas partes entretanto destruídas, como troços de muralha e ameias.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 7 586, DG, I Série, n.º 138, de 8-07-1921 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria de 29-10-1955, publicada no DG, II Série, n.º 285, de 10-12-1955 (sem restrições) (ZEP da Capela e Muralhas de Trancoso, do Pelourinho de Trancoso e da Capela de Santa Luzia)
Afectação 9913229
Localização
Guarda / Trancoso / Trancoso (São Pedro e Santa Maria) e Souto Maior
- -
Trancoso -
Polícia:
LATITUDE
40.77911
LONGITUDE
-7.347522
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1809
1809, no contexto das invasões napoleónicas.Em meados do século XIX, a arruinada capela de Santa Bárbara, no interior...
1921
1921 (ver Decreto) As origens do castelo de Trancoso remontam aos inícios da castelologia nacional.
1990
1990/91 e 2000).A entrada da Beira Interior na posse da coroa portuguesa, já no século XII, e a importância estratégi...
1996
1996, p.119).A construção românica do castelo dotou a antiga torre de uma cintura de muralhas e converteu-a em torre ...
2000
2000).A entrada da Beira Interior na posse da coroa portuguesa, já no século XII, e a importância estratégica desta z...
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses ALMEIDA, João de Edição 1948 Lisboa
Castelos da Raia Vol. I: Beira, 2ªed. GOMES, Rita Costa Edição 2002 Lisboa
A gloriosa história dos mais belos castelos de Portugal PERES, Damião Edição 1969 Barcelos
A maravilhosa história dos mais belos castelos de Portugal PERES, Damião Edição 1969 Porto
"Do Castelo da Reconquista ao Castelo Românico (Sec. IX a XII)", Portugália, nova série, vols. XI-XII, pp.89-136 BARROCA, Mário Jorge Edição 1991 Porto
"Aspectos da evolução da arquitectura militar da Beira Interior", Beira Interior - História e Património, pp.215-238 BARROCA, Mário Jorge Edição 2000 Guarda
Os mais belos castelos e fortalezas de Portugal GIL, Júlio, CABRITA, Augusto Edição 1986 Lisboa
Castelos da Beira histórica BEÇA, Humberto Edição 1922 Porto
Trancoso. Notas para uma monografia, 2ªed. CORREIA, Joaquim Manuel Edição 1989 Trancoso
Castelos Portugueses MONTEIRO, João Gouveia, PONTES, Maria Leonor Edição 2002 Lisboa
Terras de Trancoso MOREIRA, David Bruno Soares Edição 1932 Porto
Trancoso, terra de sonho e de maravilha TEIXEIRA, Irene Avilez Edição 1982 Trancoso

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Zona Histórica da Vila de Trancoso
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Conjunto de sepulturas escavadas em rocha a noroeste das muralhas de Trancoso
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