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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Castelo de Linhares

Arquitectura Militar / Castelo

Designação
Designação Atual
Castelo de Linhares
Outras Designações
Castelo e cerca urbana de Linhares (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Castelo
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
São muitas as lendas acerca da origem do castelo de Linhares. Elas alicerçam-se na memória popular e em antigas descrições e interpretações corográficas. Foram sistematicamente reproduzidas na historiografia nacionalista da primeira metade e meados do século XX. Mas, em boa verdade, nenhuma delas tem verdadeira comprovação arqueológica, muito pelo facto de nunca aqui se terem realizado sondagens.
O que sabemos, efectivamente, é que Linhares já era povoação acastelada no reinado de D. Sancho I, tutelando, juntamente com Celorico da Beira e outras fortalezas vizinhas, a secção setentrional da Serra da Estrela. Nesse final de século XII, os alcaides do castelo, Gonçalo e Rodrigo Mendes, saíram em auxílio da praça de Celorico, então alvo de ataque por parte de tropas leonesas. No entanto, desconhece-se tudo a respeito da primitiva configuração da fortificação nessa altura. É de presumir que se adaptasse ao protótipo de castelo românico, com torre de menagem isolada no interior do recinto fortificado e cerca implantada de acordo com as curvas de nível, mas nada podemos dizer acerca do castelo comandado pelos irmãos Mendes. Nas Inquirições de 1258, menciona-se que os moradores de Sátão eram obrigados a prestar o serviço de anúduva (ajudar à reparação de estruturas militares) na Guarda e em Linhares, constituindo este dado uma prova da importância estratégica deste último castelo no quadro defensivo do reino.
O conjunto que chegou até hoje data do reinado de D. Dinis, monarca que doou a vila a seu filho, Fernão Sanches, e é uma das mais importantes fortalezas góticas da Beira Alta Interior. Embora obedecendo à exigente topografia do terreno, e integrando numerosos afloramentos rochosos, é um característico castelo gótico, com torre de menagem associada à cerca, respondendo à noção de defesa activa que caracteriza aquele período da história militar ocidental. Planimetricamente, organiza-se em dois recintos desnivelados: a Ocidente, aproveitando o topo mais elevado, definindo um triângulo irregular, situa-se a alcáçova, enquanto que a nascente, numa plataforma mais larga, situar-se-ia a primitiva povoação, defendida assim por cerca.
Na actualidade, o conjunto apresenta apenas duas torres, desconhecendo-se se terão existido outras no projecto gótico. A torre de menagem, de secção rectangular, situa-se entre os dois recintos e protege a porta de acesso à alcáçova. Possui três pisos, fazendo-se o acesso ao interior pelo andar intermédio, através de escadaria metálica (na origem seria amovível) e conserva ainda vestígios de balcões de matacães. No lado oposto, culminando a vertente nascente do conjunto, ergue-se a torre do relógio, igualmente de planta rectangular e a que mais sobressai, pelo acentuado declive do terreno que a circunda. No interior, está atestada a existência de duas cisternas quadrangulares na alcáçova e restos do que se pensa ter sido o palácio dos alcaides. O acesso ao interior do circuito fazia-se por três portas, duas das quais dando para o segundo recinto e a terceira, a porta da traição, aberta na secção ocidental da alcáçova. Uma quarta porta, em arco apontado, faz a transição entre plataformas.
No século XIV, Linhares desempenhou papel relevante nas guerras que assolaram esta parcela do território, mas ao longo dos tempos perdeu preponderância, chegando até ao século XX em acentuado estado de degradação. Os mais efectivos trabalhos de restauro tiveram lugar nas décadas de 40 e de 50 da última centúria. Sem acompanhamento arqueológico adequado, removeram-se terras do interior e reconstruíram-se panos de muralha, entre os quais toda a cerca Norte do recinto inferior. Nas torres, o interior foi também objecto de trabalhos assinaláveis, contando-se as escadarias de madeira, o coroamento com merlões e a nova cobertura em telhado de quatro águas. Mais recentemente, renovaram-se as escadarias metálicas, protegeu-se a parte interna do adarve com guardas e renovou-se a organização interna das torres.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 8 201, DG, I Série, n.º 120, de 17-06-1922 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria de 28-05-1971, publicada no DG, II Série, n.º 141, de 17-06-1971 (com ZNA)
Afectação 9913329
Localização
Guarda / Celorico da Beira / Linhares
-- -
Linhares -
Polícia:
LATITUDE
40.54138
LONGITUDE
-7.461808
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1258
1258, menciona-se que os moradores de Sátão eram obrigados a prestar o serviço de anúduva (ajudar à reparação de estr...
1922
1922 (ver Decreto) São muitas as lendas acerca da origem do castelo de Linhares.
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Castelos da Raia Vol. I: Beira GOMES, Rita Costa Edição 1996 Lisboa
A gloriosa história dos mais belos castelos de Portugal PERES, Damião Edição 1969 Barcelos
Celorico da Beira e Linhares RODRIGUES, Adriano Vasco Edição 1979 Celorico da Beira
"Aspectos da evolução da arquitectura militar da Beira Interior", Beira Interior - História e Património, pp.215-238 BARROCA, Mário Jorge Edição 2000 Guarda
"Da Reconquista a D. Dinis", Nova História Militar de Portugal, vol. I, pp.21-161 BARROCA, Mário Jorge Edição 2003 Lisboa
"Levantamanento Arqueológico do Concelho de Celorico da Beira. Relatório do Trabalho de Campo", Trabalhos de Arqueologia da E.A.M., vol.2, pp.273-282 VALERA, António Carlos Neves de, MARTINS, Ana Margarida Edição 1994 Lisboa
Castelos da Beira histórica BEÇA, Humberto Edição 1922 Porto
Linhares. Terra beiroa FRANCO, José Edição 1944 Lisboa
Linhares antiga e nobre vila da Beira ABRANTES, Leonel Edição 1995 Folgosinho
Três Jóias Esquecidas, Marialva, Linhares e Castelo Mendo NEVES, Vítor Pereira Edição 1993 Castelo Branco
A serra da Estrêla e as suas beiras SIMÕES, Viriato Edição 1979 Lisboa

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Igreja de Linhares da Beira (Igreja de Nossa Senhora da Assunção), incluindo o seu recheio artístico
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Antiga Vila de Linhares da Beira / Zona Histórica da Vila de Linhares da Beira
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Janela manuelina integrada num prédio situado numa das ruas de acesso ao castelo
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Pelourinho de Linhares
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