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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja da Sé Velha

Arquitectura Religiosa / Sé, Catedral

Designação
Designação Atual
Igreja da Sé Velha
Outras Designações
Sé Velha de Coimbra / Catedral de Coimbra / Igreja Paroquial da Sé Velha / Igreja de Nossa Senhora da Assunção (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Sé, Catedral
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A Sé-Velha de Coimbra inscreve-se no Românico afonsino da cidade, que corresponde, grosso modo, ao reinado de D. Afonso Henriques, período de maior esplendor das oficinas românicas de Coimbra, mas simultaneamente de início de decadência e de estagnação das soluções estruturais e decorativas que caracterizam a produção românica desta cidade.
A campanha do século XII, bastante homogénea em todas as suas partes, teve início no episcopado de D. Miguel Salomão, pelo início da década de 60 e prolongou-se até à primeira metade do século XIII, altura em que se concluiu o portal principal, não sem que tivessem existido algumas paragens forçadas do estaleiro. O templo, de três naves, transepto ligeiramente saliente, torre lanterna sobre o cruzeiro e cabeceira tripartida, significa uma ruptura para com o esquema de catedrais românicas seguido até então no nosso país (Braga e Porto) e constitui um ponto de partida da chamada tipologia de catedrais do Sul (Coimbra, Lisboa e Évora). Para este facto muito terá contribuído a acção de Mestre Roberto, arquitecto de origem francesa que trabalhou também na Sé de Lisboa e em Santa Cruz de Coimbra, e que se deslocou, pelo menos duas vezes, à Catedral coimbrã para resolver problemas estruturais.
De todo este projecto inicial destaca-se a profusão de capitéis decorados com temas vegetalistas e animalistas, no que constitui o mais rico programa iconográfico do Românico português e, especialmente, a configuração de fortaleza da fachada principal, organizada segundo um esquema compacto tripartido, com o corpo central avançado e duas poderosas torres inscritas na massa fortificada, toda ela terminando em ameias.
No início do século XIII procedeu-se à construção do claustro, o primeiro de estilo gótico, aplicado a edifícios não cistercienses, em solo português. O início das obras situam-se pelo ano de 1218, depois de um moroso processo preparatório, provavelmente relacionado com a desobstrução da área citadina que viria a ocupar. A sua implantação parece ter obedecido à configuração do terreno, daqui resultando uma quadra perfeita mas disposta obliquamente em relação à igreja.
Nos séculos seguintes foram várias as remodelações por que passaram algumas partes da Sé de Coimbra. Particularmente importantes foram as obras executadas aquando do longo episcopado de D. Jorge de Almeida, na viragem para o século XVI e durante toda a primeira metade deste. Em 1498 este prelado decidiu proceder a uma ampla renovação da Sé, começando pelo retábulo-mor, que então encomendou a Olivier de Gand e a Jean d'Ypres.
As obras haveriam de prosseguir pelo Renascimento, destacando-se a acção do arquitecto João de Ruão. A ele se deve, entre outras obras no interior, a Porta Especiosa, executada na década de 30 e que se sobrepôs ao alçado Norte do transepto românico. Compõe-se de um arco triunfal de três andares, sendo o tímpano decorado com um baixo-relevo dedicado à Virgem com o Menino. Também Nicolau de Chanterenne trabalhou para este bispo, sendo-lhe atribuído o retábulo de São Pedro, no absidíolo esquerdo da cabeceira, local onde D. Jorge de Almeida decidiu sepultar-se em campa rasa.
Ainda da grande campanha de inícios do século XVI é a renovação da arca tumular de D. Sesnando, o alvazil moçárabe que D. Fernando, o Magno, colocou no governo da cidade na segunda metade do século XI e figura tutelar da história cristã da Coimbra medieval. Esta alteração ter-se-á dado em data muito precoce do episcopado, pois revela alguma simplicidade, com um letreiro gótico de pendor ainda ligado à descendência do arquitecto batalhino Mateus Fernandes.
O interior do templo mantém a sua feição original, mas enriquecido por algumas campanhas decorativas importantes. Nas naves e braços do transepto conservam-se arcossólios com os túmulos medievais de D. Tibúrcio, bispo da diocese na primeira metade do século XIII, o de D. Egas Fafe, e especialmente, o de D. Vataça, aia da rainha Santa Isabel e atribuído a Mestre Pêro.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (voltou a classificar, com a designação de Igreja da Sé Velha) (ver Decreto)
Nota: pelo mesmo diploma, em Túmulos e Sepulturas/Distrito de Coimbra/Coimbra, foi igualmente classificado como monumento nacional o "Túmulo de D. Sesnando", que se encontra no interior desta igreja
Decreto de 10-01-1907, DG, n.º 14, de 17-01-1907 (classificou com a designação de Sé Velha de Coimbra) (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria n.º 311/2014, DR, 2.ª série, n.º 92, de 14-05-2014 (alterou a ZNA incluída na ZEP) (ver Portaria)
Anúncio n.º 9541/2012, DR, 2.ª série, n.º 86, de 3-05-2012 (ver Anúncio)
Parecer favorável de 21-04-2010 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 19-04-2010 da DRC do Centro
Despacho de 18-02-2010 do director do IGESPAR, I.P. a devolver o processo à DRC do Centro
Parecer de 20-01-2010 do Conselho Consultivo a propor que seja apresentada nova proposta
Proposta de 9-11-2009 da DRC do Centro para a ZEP dos imóveis classificados e em vias de classificação do Centro Histórico de Coimbra
Portaria de 12-01-1957, publicada no DG, II Série, n.º 23, de 28-01-1957
Afectação 9913229
Abrangido em ZEP ou ZP
Localização
Coimbra / Coimbra / Coimbra (Sé Nova, Santa Cruz, Almedina e São Bartolomeu)
Largo da Sé Velha
Coimbra -
Polícia:
LATITUDE
40.208759
LONGITUDE
-8.42706
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1218
1218, depois de um moroso processo preparatório, provavelmente relacionado com a desobstrução da área citadina que vi...
1498
1498 este prelado decidiu proceder a uma ampla renovação da Sé, começando pelo retábulo-mor, que então encomendou a O...
1907
1907, DG, n.º 14, de 17-01-1907 (classificou com a designação de Sé Velha de Coimbra) (ver Decreto) A Sé-Velha de Coi...
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (voltou a classificar, com a designação de Igreja da Sé Velha) (ver Decreto)Nota: pe...
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Coimbra - guia para uma visita DIAS, Pedro Edição 2003 Coimbra
Manuelino. À descoberta da arte do tempo de D. Manuel I DIAS, Pedro Edição 2002 Lisboa
A Arquitectura do Ciclo Filipino SOROMENHO, Miguel Edição 2009 Vila Nova de Gaia
"O Românico português na perspectiva das relações internacionais", Românico em Portugal e na Galiza, pp.30-48 REAL, Manuel Luís Edição 2001 Lisboa
"La sculpture figurative dans l'art roman du Portugal", Portugal roman, vol. I, pp.33-75 REAL, Manuel Luís Edição 1986
A Obra Silvestre e a Esfera do Rei PEREIRA, Paulo Edição 1990 Coimbra
Inventario Artistico de Portugal - Cidade de Coimbra. GONCALVES, António Nogueira, CORREIA, Vergílio Edição 1947 Lisboa
História da Arte em Portugal - O Românico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 2001 Lisboa
História da Arte em Portugal - o Gótico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, BARROCA, Mário Jorge Edição 2002 Lisboa
Coimbra e Região BORGES, Nelson Correia Edição 1987 Lisboa
A Sé Velha de Coimbra VASCONCELOS, António Garcia Ribeiro de Edição 1930
Três túmulos CORREIA, Vergílio Edição 1924 Lisboa
"Vataça - uma dona na vida e na morte", Actas das II Jornadas Luso-Espanholas de História Medieval, vol. I, pp. 159-193 COELHO, Maria Helena da Cruz, VENTURA, Leontina Edição 1987 Porto
"O claustro da Sé de Lisboa: uma arquitectura «cheia de imperfeições»?", Murphy, nº1, pp.18-69 FERNANDES, Paulo Almeida Edição 2006 Coimbra
"Túmulo do Bispo de Coimbra D. Tiburcio", Os Descobrimentos e a Europa do Renascimento. A Voz da Terra Ansiando pelo Mar. Antecedentes dos Descobrimentos, XVII Exposição de Arte Ciência e Cultura, p.215 MATTOSO, José Edição 1983 Lisboa
"Porta Especiosa da Sé Velha de Coimbra. Aspectos metodológicos e apontamentos sobre uma intervenção de conservação", Revista Património - Estudos, nº8, pp.67-72 RODRIGUES, J. Delgado, PINTO, A. P. Ferreira, PROENÇA, N. Edição 2005 Lisboa
As mais belas igrejas de Portugal, vol. I GIL, Júlio Edição 1988 Lisboa
A escultura em Portugal (séculos XII-XV) SANTOS, Reinaldo dos Edição 1948 Lisboa
"O mundo românico (séculos XI-XIII)", História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331 RODRIGUES, Jorge Edição 1995 Lisboa
"O descanso eterno. A tumulária", História da Arte Portuguesa, vol.1, pp.435-455 MACEDO, Francisco Pato de Edição 1995 Lisboa
Portugal roman, vol. I GRAF, Gerhard N. Edição 1986
"Igreja e República: o processo de classificação da Sé Velha de Coimbra", A República, os Museus e o Património, pp. 134-149 CRAVEIRO, Maria de Lurdes Edição 2010 Coimbra
A Arquitectura "ao Romano" CRAVEIRO, Maria de Lurdes Edição 2009 Vila Nova de Gaia
"Conservação e restauro da Sé Velha de Coimbra. Coberturas, fachadas e porta especiosa", Revista Património - Estudos, nº8, pp.62-66 MARQUES, Fernando Edição 2005 Lisboa
Património Edificado com Interesse Cultural - Concelho de Coimbra Câmara Municipal de Coimbra - Departamento de Cultura Edição 2009 Coimbra
Sé Velha de Coimbra. Boletim da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, nº109 Edição 1962

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