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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Paço da Giela

Arquitectura Civil / Paço

Designação
Designação Atual
Paço da Giela
Outras Designações
Tipologia
Paço
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
O conjunto apalaçado de Giela constitui um dos mais interessantes exemplos de habitação nobre em meio rural da nossa Idade Média, sendo o aspecto actual o resultado de duas grandes fases construtivas: uma plenamente baixo-medieval e outra de inícios do século XVI.
As suas origens são um tanto obscuras, coincidindo alguns autores na hipótese de ter originalmente pertencido a D. João Domingues, abade de Sabadim, que, ainda no século XIV, terá patrocinado uma primeira construção (ALVES, 1987, p.73). A torre que hoje podemos observar, porém, data já do século XV, da altura em que a propriedade transitou para a posse de Fernão Anes de Lima (1399), por doação de D. João I. Seu filho, Leonel de Lima, foi nomeado Visconde de Vila Nova de Cerveira por D. Afonso V, título que se manteve "como único viscondado durante mais de século e meio" (SILVA, 1995, p.168). Estas circunstâncias provam como a estirpe dos Lima foi a mais importante do Alto Minho ao longo da Dinastia de Avis, a ela se devendo outras obras na região, como o Castelo e Paço de Ponte de Lima, diversos melhoramentos em Cerveira e a ponte de Cabreiro, com a sua monumental inscrição.
A torre é uma estrutura típica de fortis domus, de planta quadrangular regular, com acesso principal no alçado nascente, ao nível do segundo piso. Uma das suas características mais marcantes é o facto de não possuir quaisquer aberturas, à excepção de uma janela que encima o portal e uma fresta do lado Norte, circunstância que lhe confere "uma solidez militar verdadeiramente impressionante" (SILVA, 1995, p.54), reforçada ainda pela existência de um balcão com matacães e pelo remate em ameias. Este facto, que pode ter explicação no relativo conservadorismo das estruturas habitacionais de tipo torre da nossa Baixa Idade Média, pode igualmente dever-se à intenção de transferir para aqui a cabeça do território, uma vez que o paço é "sobranceiro à vila dos Arcos" e está diante "do antigo castelo de Santa Cruz", funcionando a sua torre como uma verdadeira torre "de menagem" (ALMEIDA, 1987, p.135).
Ao longo desse século XV, a torre foi objecto de algumas obras, como se prova pelos vestígios de telhados de construções adossadas, cujos sulcos são ainda visíveis sobre o portal principal (SILVA, 1995, p.54).
No reinado de D. Manuel, a velha fortis domus foi incorporada num grande paço senhorial, esteticamente actualizado em relação à época. Nessa altura, muitas torres baixo-medievais foram integradas em novas construções apalaçadas, ao abrigo de um processo generalizado de "procura do solar de origem de cada família antiga", como resposta à "investigação oficial ordenada pelo Rei" acerca das armas de cada família nobre do reino (SILVA, 1995, p.167).
O paço manuelino integrou a torre na nova estrutura, mas reservou-lhe um carácter meramente simbólico, na medida em que nenhuma passagem foi aberta entre ela o novo corpo habitacional. A reforma deveu-se ao terceiro visconde de Cerveira, D. Francisco de Lima, e as obras estão actualmente balizadas entre 1508 (data de entrada deste nobre no título) e 1527 (altura em que o paço é já referido). A sua organização reflecte as dominantes simples e racionais que estiveram na origem de numerosos paços tardo-medievais nacionais, entre os quais o de D. João I no castelo de Leiria: um corpo rectangular de dois pisos, com sala central mais ampla e ladeada por duas câmaras (SILVA, 1995, p.169).
A fachada principal está voltada a poente, nela se inserindo o portal, de arco quebrado encimado por um brasão dos Lima e resguardado por um corpo saliente onde se integra um balcão no piso superior. Na fachada lateral Sul, abre-se a mais decorada janela, de quádruplo arco quebrado e emoldurada por uma solução rectangular torsa, em cujo eixo superior se situa mais um brasão dos Lima. A sua relevância em relação às restantes poder-se-á explicar por constituir o vão de iluminação da principal câmara do paço (SILVA, 1995, p.169).
PAF
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 181501
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Viana do Castelo / Arcos de Valdevez / Arcos de Valdevez (São Paio) e Giela
- -
Lugar do Paço -
Polícia:
LATITUDE
41.849628
LONGITUDE
-8.408214
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1399
1399), por doação de D. J
1508
1508 (data de entrada deste nobre no título) e 1527 (altura em que o paço é já referido). A s
1527
1527 (altura em que o paço é já referido). A
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) O conjunto apalaçado de Giela constitui um dos mais interessantes exem...
1987
1987, p.73).
1995
1995, p.168).
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
A arquitectura manuelina DIAS, Pedro Edição 2009 Vila Nova de Gaia
Paços Medievais Portugueses SILVA, José Custódio Vieira da Edição 1995 Lisboa
Torres solarengas do Alto Minho GUERRA, Luís Figueiredo da Edição 1925
História da Arte em Portugal - o Gótico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, BARROCA, Mário Jorge Edição 2002 Lisboa
Portugal antigo e moderno: diccionario geographico, estatistico, chorographico, heraldico, archeologico, historico, biographico e etymologico de todas as cidades, villas e freguezias de Portugal e de grande numero de aldeias... PINHO LEAL, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de, FERREIRA, Pedro Augusto Edição 1990 Lisboa
Palácios e solares portuguezes (Col. Encyclopedia pela imagem) SEQUEIRA, Gustavo de Matos Edição 1900 Porto
Brasões da Sala de Sintra FREIRE, Anselmo Braancamp Edição 1930 Lisboa
Solares Portugueses AZEVEDO, Carlos de Edição 1988 Lisboa
Nobres Casas de Portugal SILVA, António Lambert Pereira da Edição 1958 Porto
"O património cultural do Alto Minho (civil e eclesiástico). Sua defesa e protecção", Caminiana, ano IX, nº14, pp.9-80 ALVES, Lourenço Edição 1987 Caminha

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