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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Casa do Terreiro

Arquitectura Civil / Casa

Designação
Designação Atual
Casa do Terreiro
Outras Designações
Casa do Terreiro n.º 5 a 15 (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Casa
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A actual Casa das Artes de Arcos de Valdevez beneficia de um enquadramento urbano privilegiado: a fachada principal abre-se para o jardim dos Centenários e o alçado posterior para o rio Vez, para a encosta de Giela, com o monte Guião no topo. A sua edificação remonta à segunda metade do século XVIII, e deve-se à família Pereira de Vilhena, cujo brasão deve ter figurado no frontispício desta casa, antes de ser substituído pelo que hoje conhecemos, esquartelado e com os símbolos dos Araújo, Azevedo, Vasconcelos e Gama, pertencente aos segundos proprietários. De facto, em 1810, o imóvel foi adquirido pelo Conselheiro Gaspar de Azevedo Araújo, razão pela qual é também designado por "Casa do Conselheiro". Mais tarde, a casa seria novamente vendida ao industrial António Dias Gonçalves e. já na década de 90 do século XX. comprada pela Câmara, que procedeu a obras de conservação e reutilização do espaço, com o objectivo de aí instalar a Casa das Artes, dotada de uma biblioteca, um auditório e uma área de exposições.
Apesar das muitas alterações de que foi objecto, o imóvel mantém as características setecentistas que o enquadram, de forma exemplar, na arquitectura civil barroca do Norte do pais (AZEVEDO, 1969). Tal como na grande maioria das casas brasonadas da época, também aqui observamos a tendência para o desenvolvimento dos volumes em comprimento e num sentido horizontalizante, com planta rectangular, que privilegia a procura da estabilidade em detrimento de uma planimetria dinâmica. A procura de movimento é consubstanciada na abertura simétrica e ritmada dos vãos e pela divisão do alçado principal através de pilastras, definindo três corpos. Assim, no piso térreo as janelas apresentam molduras rectas, situação que se repete nas janelas de sacada do andar nobre, cujo habitual tratamento privilegiado é bem visível nos modilhões onde se apoiam as varandas. Estes criam uma linha horizontal, reforçada pelo friso que percorre todo o alçado.
O ritmo dos vãos converge, ao centro, no portal principal, flanqueado por pilastras com capitéis, a que se sobrepõem os modilhões da varanda superior. Sobre esta, encontra-se o brasão de armas já referido que, tal como acontece em boa parte das casas nobres do século XVIII, tende a elevar-se e a romper a linha do telhado, que desenha um frontão. Assim, este elemento heráldico tornava-se ainda mais destacado, evidenciando o poder e o prestígio dos seus proprietários.
A fachada posterior, bastante modificada, apresentava, originalmente, três pisos, abertos por uma arcada e uma loggia com colunas, esta última fechada para criar um jardim de Inverno. Esta opção de maior abertura ao exterior justifica-se pela implantação do imóvel, sobre o rio.
Por sua vez, no interior destaca-se a escadaria e alguns dos salões, cujos tectos exibem pinturas em tela e estuque, mais tardias e por isso mesmo, já de gosto neoclássico. O retábulo da capela é, ainda, barroco.
A Casa do Terreiro constitui, assim, um bom exemplo da arquitectura civil do século XVIII, a par com uma série de edifícios de características semelhantes que encontramos em Arcos de Valdevez. Contudo, não observamos aqui a disparidade de tratamento entre o exterior e o interior, pois os espaços correspondentes aos diversos salões denotam uma importante decoração neoclássica ao nível dos tectos, consequência, muito possivelmente, da intervenção patrocinada por Gaspar de Azevedo de Araújo Gama, depois da aquisição do imóvel, no início do século XIX.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 28/82, DR, I Série, n.º 47, de 26-02-1982 (ver Decreto)
Número do Processo
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 12707538
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Viana do Castelo / Arcos de Valdevez / Arcos de Valdevez (São Paio) e Giela
Jardim dos Centenários
Arcos de Valdevez -
Polícia:
LATITUDE
41.847383
LONGITUDE
-8.417348
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1810
1810, o imóvel foi adquirido pelo Conselheiro Gaspar de Azevedo Araújo, razão pela qual é também designado por "Casa ...
1969
1969).
1982
1982 (ver Decreto) A actual Casa das Artes de Arcos de Valdevez beneficia de um enquadramento urbano privilegiado: a ...
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Inventário Artístico da Região Norte - I GONÇALVES, Flávio Edição 1973
Alto Minho ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1987 Lisboa
Casas armoriadas do Concelho dos Arcos de Valdevez: subsídios para o estudo da nobreza arcoense, vol. 1 SILVA, Armando Malheiro da, DAMÁSIO, Luís Pimenta de Castro Edição 2000 Arcos de Valdevez
Cozinhas. Espaço e Arquitectura PEREIRA, Ana Marques Edição 2006 Lisboa

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