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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja, sacristia, claustro e respectiva fonte e cruzeiro de Paço de Sousa

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja, sacristia, claustro e respectiva fonte e cruzeiro de Paço de Sousa
Outras Designações
Igreja do Salvador, matriz de Paço de Sousa / Igreja Matriz de Paço de Sousa / Mosteiro do Salvador de Paço de Sousa / Mosteiro de Paço de Sousa / Igreja Paroquial de Paço de Sousa / Igreja do Salvador (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
O principal mosteiro medieval da bacia do rio Sousa possui uma história rica, que tem o seu início muito antes da construção do edifício que, na actualidade, subsiste. Em 956, uma primeira comunidade familiar foi aqui fundada por D. Tructesindo Galindiz e sua mulher, Animia, sobre os restos do que se pensa ter sido uma uilla romana, mas de que não se detectaram ainda vestígios materiais. Sensivelmente um século depois, o cenóbio foi objecto de grandes reformas, no contexto proto-românico que caracteriza as décadas finais do século XI na diocese de Braga. Em 1088, com a presença solene do bispo D. Pedro, o novo templo foi sagrado.
As dúvidas acerca da cronologia exacta a atribuir às diferentes partes do conjunto iniciam-se com essa sagração. Sabemos que, nos inícios do século XII, o mosteiro estava já na posse dos Beneditinos que, com certeza, patrocinaram a construção do actual edifício, mas a data exacta desta vasta campanha e, sobretudo, o ritmo das obras não estão, ainda, suficientemente esclarecidos. De acordo com RODRIGUES, 1995, p.244, as obras não se terão iniciado antes de 1166, e prolongaram-se extraordinariamente, avançando lentamente sobre todo o século XIII e entrando, mesmo, no XIV (ALMEIDA, 1986, p.90).
Segundo a interpretação de Carlos Alberto Ferreira de Almeida, a empreitada românica iniciou-se pela fachada principal (e não pela cabeceira, como era habitual), porque terá havido a necessidade de se manter "boa parte da igreja anterior, enquanto se não adiantasse o corpo da nova", por forma a não se interromper o culto (ALMEIDA, 2001, p.118). Desta forma, o autor identificou três fases essenciais, bastante espaçadas no tempo, correspondendo a três diferentes impulsos construtivos: frontaria; corpo e cabeceira. Os argumentos que utilizou são de aceitar nas suas linhas essenciais, uma vez que, entre estes patamares de obra, existem suficientes elementos estilísticos diferenciadores.
Apesar destas discrepâncias, e das numerosas influências artísticas que aqui podemos identificar (assuntos que, pela sua complexidade, não podemos aqui desenvolver), o plano arquitectónico subordina-se à tipologia de templo beneditino de três naves, seguido em Portugal nos séculos XII e XIII (REAL, 1982): corpo tripartido em naves de quatro tramos, separadas por arcos diafragmas e cobertas por tecto de madeira; cabeceira igualmente tripartida, escalonada, com paredes testeiras redondas, e interior abobadado. Infelizmente, a capela-mor foi substituída, em 1741, pela actual, de planta rectangular e muito mais profunda, assim como desapareceu a capela de D. Egas Moniz, mandada destruir em 1605. Outras transformações ocorreram na época moderna, alterando-se, por completo, a fisionomia das áreas monacais e, principalmente, na década de 30 do século XX, quando se procedeu ao restauro de todo o conjunto.
No interior da igreja, conserva-se o mais importante túmulo românico nacional: o monumento funerário de D. Egas Moniz, tutor de D. Afonso Henriques e principal impulsionador do mosteiro, em cujas imediações possuía paço. A actual configuração da obra é o resultado de duas épocas distintas, uma realizada na segunda metade do século XII, pouco depois da morte deste nobre (1146) e outra pelos meados do século XIII (ALMEIDA, 2001, p.166), altura em que se terá refeito o túmulo.
Iconograficamente, é plena de actualidade com o que então se fazia noutros reinos da Europa ocidental, representando-se nela cenas da vida do tumulado, o passamento da sua alma e a deposição na terra. Por corresponder a uma atitude individual da história de Egas Moniz, merece destaque a viagem que empreendeu a Toledo, para se entregar a Afonso VII, a quem havia prestado vassalagem no cerco de Guimarães, atitude de verdadeiro e fiel membro da nobreza, que o fez abandonar o seu anterior senhor, Afonso Henriques. Num dos topos, representa-se o passamento da sua alma, simbolizada numa pequena figura nua, que sai da boca do seu corpo já sem vida.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 67/97, DR, I Série-B, n.º 301, de 31-12-1997 (alterou a designação para "Igreja, sacristia, claustro e respectiva fonte e cruzeiro de Paço de Sousa") (ver Decreto)
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (classificou a "Igreja de Paço de Sousa, compreendendo o túmulo de Egas Moniz") (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria n.º 397/2014, DR, 2.ª série, n.º 103, de 29-05-2014 (sem restrições) (ver Portaria)
Anúncio n.º 13638/2012, DR, 2.ª série, n.º 210, de 30-10-2012 (ver Anúncio)
Despacho de homologação de 28-01-2008 da Ministra da Cultura
Parecer favorável de 1-07-2007 do Conselho Consultivo do IGESPAR,I.P.
Proposta de 30-01-2007 da DR do Porto
Afectação 9913229
Abrangido em ZEP ou ZP
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Porto / Penafiel / Paço de Sousa
- -
Lugar do Mosteiro -
Polícia:
LATITUDE
41.165742
LONGITUDE
-8.344309
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1088
1088, com a presença solene do bispo D.
1146
1146) e outra pelos meados do século XIII (ALMEIDA, 2001, p.166), altura em que se terá refeito o túmulo.Iconografica...
1166
1166, e prolongaram-se extraordinariamente, avançando lentamente sobre todo o século XIII e entrando, mesmo, no XIV (...
1605
1605.
1741
1741, pela actual, de planta rectangular e muito mais profunda, assim como desapareceu a capela de D.
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (classificou a "Igreja de Paço de Sousa, compreendendo o túmulo de Egas Moniz") (ver...
1982
1982): corpo tripartido em naves de quatro tramos, separadas por arcos diafragmas e cobertas por tecto de madeira; ca...
1986
1986, p.90).Segundo a interpretação de Carlos Alberto Ferreira de Almeida, a empreitada românica iniciou-se pela fach...
1995
1995, p.244, as obras não se terão iniciado antes de 1166, e prolongaram-se extraordinariamente, avançando lentamente...
1997
1997 (alterou a designação para "Igreja, sacristia, claustro e respectiva fonte e cruzeiro de Paço de Sousa") (ver De...
2001
2001, p.118).
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"O Românico português na perspectiva das relações internacionais", Românico em Portugal e na Galiza, pp.30-48 REAL, Manuel Luís Edição 2001 Lisboa
"O Mosteiro de Roriz na arte românica do Douro Litoral", Actas do Colóquio de História Local e Regional (1979), separata REAL, Manuel Luís, SÁ, Pedro Edição 1982 Santo Tirso
História da Arte em Portugal - O Românico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 2001 Lisboa
Arquitectura Românica de Entre Douro e Minho ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1978 Porto
História da Arte em Portugal, vol. 3 (o Românico) ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1986 Lisboa
"Primeiras Impressões sobre a Arquitectura românica portuguesa", Revista da Faculdade de Letras do Porto, Série História, nº1, pp.3-56 ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1972 Porto
"The tombs at Paço de Sousa", Art Studies, nº4, pp.149-153 AGUIAR, José Monteiro de Edição 1926 Londres
"Penafiel Antiga. Subsídios para a futura Monografia do Concelho", Boletim da Câmara Municipal de Penafiel, pp.49-132 AGUIAR, José Monteiro de Edição 1936 Penafiel
Três túmulos CORREIA, Vergílio Edição 1924 Lisboa
Paço de Sousa. Resumo histórico MENDES, Manuel Edição 1987 Paço de Sousa
Românico do Vale do Sousa AA. VV. Edição 2008 Lousada
As mais belas igrejas de Portugal, vol. I GIL, Júlio Edição 1988 Lisboa
A escultura em Portugal (séculos XII-XV) SANTOS, Reinaldo dos Edição 1948 Lisboa
"O Românico em Portugal", História de Portugal, dir. José Hermano Saraiva, vol. 2, 1982, pp.305-321 VASCONCELOS, Flórido de Edição 1982 Lisboa
Memórias do Mosteiro de Paço de Sousa e index dos documentos de arquivo PIMENTA, Alfredo, MEIRELES, António da Assunção Edição 1942 Lisboa
"O mundo românico (séculos XI-XIII)", História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331 RODRIGUES, Jorge Edição 1995 Lisboa
História da Arte em Portugal LACERDA, Aarão de Edição 1942 Porto
"A igreja de Paço de Sousa", Ilustração Moderna, pp.281-287 VITORINO, Pedro Edição 1927 Porto
"Paço de Sousa, O românico nacionalizado", Belas Artes, nº 8, pp.5-21 MONTEIRO, Manuel Edição 1943 Lisboa
Portugal roman, vol. I GRAF, Gerhard N. Edição 1986
"Mónio Ermiges, abade de Paço de Sousa", Bracara Augusta, vol. 30, separata SOUSA, José João Rigaud de Edição 1976 Braga
"Livro dos Testamentos do Mosteiro de Paço de Sousa", Bracara Augusta, vol. 24, separata SOUSA, José João Rigaud de, MONTEIRO, Maria Teresa Edição 1972 Braga
Homenagens a Egas Moniz no seu túmulo no Mosteiro de Paço de Sousa. Saudações de boas-vindas CARVALHO, Diogo Augusto Lemos de Edição 1940 Porto
"O Túmulo de Egas Moniz", Boletim dos amigos do Porto, vol. IV, tomo I, 1966, separata FONSECA JÚNIOR , A. Nascimento da Edição 1966 Porto
Igreja de Paço de Sousa, Boletim da DGEMN, n.º 17 Edição 1939 Lisboa

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