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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja de Santa Maria do Olival, compreendendo os túmulos, designadamente o de D. Diogo Pinheiro, 1.º bispo do Funchal

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja de Santa Maria do Olival, compreendendo os túmulos, designadamente o de D. Diogo Pinheiro, 1.º bispo do Funchal
Outras Designações
Igreja de Santa Maria dos Olivais / Igreja Paroquial de Santa Maria do Olival (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A igreja gótica do Olival de Tomar encontra-se implantada sobre uma parcela da cidade romana de Sellium, tendo as escavações aqui realizadas posto a descoberto alicerces de estruturas do Império, posteriormente utilizadas como suportes e muros de uma extensa necrópole medieval, associada à igreja. Entre o espólio identificado encontram-se materiais pétreos de cronologia posterior, altimedieval, durante algum tempo considerados de época visigótica e, mais recentemente, atribuídos aos ciclos moçárabe ou pré-românico. Em 1983, uma primeira exposição permitiu contextualizar minimamente este conjunto (PONTE, 1983), mas falta, ainda, uma visão mais rigorosa e de índole monográfica. Iguais reservas devem ser tomadas em relação à extensa necrópole, onde se registaram enterramentos datáveis entre os séculos "V e XVI" (cf. BATATA, 1997, p.229), faltando, igualmente, uma mais rigorosa aproximação à realidade arqueológica encontrada e respectivos níveis de sobreposição.
A primitiva igreja terá sido edificada no século XII, por iniciativa de D. Gualdim Pais, mestre da Ordem do Templo, para cemitério dos freires. O próprio Gualdim Pais sepultou-se no seu interior, em túmulo de que resta a inscrição funerária, datada de 1195. Desconhece-se, todavia, como seria esse templo e quais as relações artísticas que certamente teria para com a charola românica do Convento de Cristo.
A actual igreja começou a ser construída nos meados do século XIII, presumivelmente durante o reinado de D. Afonso III, e cedo se instituiu como uma obra emblemática da arquitectura gótica nacional. O seu modelo planimétrico foi seguido em inúmeras obras de Norte a Sul do reino, aplicado a templos paroquiais, catedralícios e monacais/conventuais, uma "tipologia de longa duração", como lhe chamou Paulo PEREIRA, 1995, vol. I, p.359. É um edifício de três naves de diferentes alturas, sendo a central mais elevada, seccionadas em cinco tramos, com cobertura de madeira e destituída de transepto. A cabeceira é o único elemento abobadado e compõe-se de capela-mor de dois tramos, tendo o derradeiro sete faces, ladeada por dois absidíolos rectangulares. A fachada principal apresenta três panos, denunciando a organização interior, ostentando o central dois andares. Neste, abre-se portal de arco apontado, enquadrado por arquivoltas e inscrito em gablete, enquanto que o segundo registo é ocupado por exuberante rosácea que filtra luz para o interior. Os panos laterais ajustam-se obliquamente ao central, formando o que se convencionou chamar de fachada ad triangulum.
O carácter de ruptura desta obra, embora se discuta ainda se o seu plano evoluiu a partir de modelos românicos (como defende PEREIRA, 1995, vol. I, p.359, e como nega DIAS, 1994, p.61), fez com que a maioria dos autores defendesse uma filiação estilística no grande estaleiro alcobacense, terminado precisamente por esses meados do século XIII.
Nos séculos seguintes, a igreja manteve uma função funerária por excelência, facto que levou a que, já no século XVI, a face Sul do corpo do templo fosse enriquecido com uma série de capelas privadas de feição maneirista. Um pouco antes, entre 1525 e 1528, aqui se sepultou D. Diogo Pinheiro, primeiro bispo do Funchal, em túmulo renascentista hiper-decorado, saído da oficina de João de Ruão, então ainda em fase de implantação num país fortemente dominado pelo estilo manuelino.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria de 30-08-1946, publicada no DG, II Série, n.º 259, de 7-11-1946 (com ZNA)
Afectação 9913929
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Santarém / Tomar / Tomar (São João Baptista) e Santa Maria dos Olivais
Estrada de Marmelais de Baixo
Tomar -
Polícia:
LATITUDE
39.601513
LONGITUDE
-8.407384
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1195
1195.
1525
1525 e 1528, aqui se sepultou D.
1528
1528, aqui se sepultou D.
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto) A igreja gótica do Olival de Tomar encontra-se implantada sobre uma pa...
1983
1983, uma primeira exposição permitiu contextualizar minimamente este conjunto (PONTE, 1983), mas falta, ainda, uma v...
1994
1994, p.61), fez com que a maioria dos autores defendesse uma filiação estilística no grande estaleiro alcobacense, t...
1995
1995, vol.
1997
1997, p.229), faltando, igualmente, uma mais rigorosa aproximação à realidade arqueológica encontrada e respectivos n...
12
IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
A arquitectura gótica portuguesa DIAS, Pedro Edição 1994 Lisboa
"A Arquitectura (1250-1450)", História da Arte Portuguesa, dir. Paulo Pereira, vol. I, pp.335-433 PEREIRA, Paulo Edição 1995 Lisboa
As Origens de Tomar. Carta Arqueológica do Concelho BATATA, Carlos António Moutoso Edição 1997 Tomar
Tomar FRANÇA, José-Augusto Edição 1994 Lisboa
As mais belas igrejas de Portugal, vol. II GIL, Júlio Edição 1988 Lisboa
A Arquitectura Gótica em Portugal CHICÓ, Mário Tavares Edição 1981 Lisboa
História de Tomar ROSA, Amorim Edição 1982 Tomar
"A Igreja de Santa Maria do Olival", Boletim Cultural da Câmara Municipal de Tomar DUARTE, Maria do Rosário Antunes Edição 1988 Tomar
"Inscrições Tomarenses, séc. XII", Anais da União dos Amigos dos Monumentos da Ordem de Cristo GUIMARÃES, Vieira Edição 1918 Tomar
Tomar medieval. O espaço e os homens (sécs. XIV-XV), Dissertação de Mestrado apresentada à Universidade Nova de Lisboa CONDE, Manuel Sílvio Alves Edição 1988 Lisboa

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