Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Situado no centro histórico da cidade de Tomar, nas imediações da antiga Várzea Grande e do Rossio, o Palácio de Alvaiázere é um edifício senhorial de planta retangular dividida em dois pisos, erigido no século XVIII. O exterior mantém as fachadas de linhas austeras, pressupondo um muito tardio gosto maneirista. O edifício é marcado pela abertura simétrica de janelas em todas as fachadas, de peito e com gradeamento de ferro no piso térreo, de moldura com bandeira no andar nobre. Os cunhais são rematados em cantaria e um friso divide os dois registos. Ao centro da fachada principal rasga-se a porta principal, de moldura de pedra simples, encimada por janela de sacada. No interior, cada um dos pisos possui um grande átrio, estando o piso térreo ligado ao andar nobre por escadaria.
Originalmente, o edifício pertencia à irmandade de Misericórdia local, não se sabendo ao certo quais as suas funções primitivas. O edifício que hoje se conhece resulta da transformação do espaço numa fábrica que, no entanto, manteve o modelo arquitetónico palaciano, refletindo a tendência de instalar este género de unidades fabris em antigos conventos ou palácios, muito comum nas últimas décadas de Setecentos. (CUSTÓDIO, SANTOS: 1990, p. 566).
História
Não se conhece a data exata de edificação do Palácio de Alvaiázere. Sabe-se que a partir de 1771, estando na posse da Misericórdia de Tomar, foi alugado a Noel le Maitre, que aí instalou uma fábrica de meias. Em 1789, o edifício foi vendido ao industrial Jacome Ratton, que em parceria com Thimóteo Lecussan Verdier, restaurou o espaço e aí fundou a Fábrica de Fiação de Tomar, por alvará concedido por D. Maria I com data de 17 de Agosto desse ano (Idem, p. 552-554). Quatro anos depois, a firma construiu um novo espaço mais moderno, capaz de albergar uma unidade de fiação hidráulica, a denominada Fábrica Nova, para albergar a manufatura. A partir de então, o edifício do palácio ficou destinado apenas aos serviços administrativos da Fiação.
Depois de 1869, o palácio foi vendido, tornando-se propriedade do barão de Alvaiázere, título criado por D. João VI em 1818 a favor de Manuel Vieira da Silva Borges e Abreu. A partir de então, o imóvel ficou indelevelmente ligado à memória do título do proprietário, mantendo a designação até aos dias de hoje.
A partir de 1911 foi Quartel General da Região Militar, mas um incêndio em 1975 destruiu todo o interior. Foi objeto de uma ampla recuperação e acolhe, desde 2001, os Serviços de Registo e Notariado. As obras de reconstrução do interior mantiveram a fachada original, que conserva não apenas o valor arquitetónico do edifício mas também a memória do primeiro núcleo da Fábrica de Fiação de Tomar.
Catarina Oliveira
DGPC, 2015
Em colaboração com a Câmara Municipal de Tomar (Renata Faria Barbosa), 2015
Diploma de Classificação
A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001
Decreto n.º 28/82, DR, I Série, n.º 47, de 26-02-1982 (ver Decreto)
Edital N.º 27 de 3-04-1980 da CM de Tomar
Despacho de homologação de 13-03-1980 do Secretário de Estado da Cultura
Parecer favorável de 13-03-1980 da COISPCN
Proposta de 17-01-1980 da DGPC para a classificação como VC
Proposta de classificação de 10-10-1977 da CM de Tomar
Número do Processo
Não disponível