Nota Histórico-Artistica
Geograficamente ligado ao Rio Tâmega e às Serras do Marão e da Aboboreira, o território correspondente, na actualidade, ao concelho de Amarante destaca-se, não apenas pela beleza das suas paisagens, como pelos testemunhos da passagem e fixação de diferentes comunidades humanas ao longo dos tempos, numa evidência dos recursos cinegéticos que proporcionava à sua sobrevivência.
Mas estas terras distinguiram-se de igual modo pela forma como desenvolveram variantes regionais de alguns estilos arquitectónicos, a exemplo do românico que aqui assumiu uma expressão bem vincada, ainda que influenciada pelos conhecimentos procedentes de Santiago Compostela, que aqui chegavam através de Tui, cuja diocese dominou parcialmente o Alto Minho.
Não deixa de ser, no entanto, curioso que o Rio Tâmega funcionasse, nesta região, quase como uma fronteira que define duas áreas do românico, sendo que a localizada na margem esquerda exibe exemplares de linhas e decoração bastante mais simples, quando comparados aos erigidos na margem oposta, mais consonantes aos cânones gerais, de conteúdos e formas mais elaboradas.
Uma diversidade que poderá ser explicada à luz das diferenças observáveis no âmbito dos próprios recursos existentes, quer materiais, quer económicos (daqueles decorrentes), reveladas na própria estrutura de alguns templos.
Mas é também o caso de outro tipo de estruturas, a exemplo das pontes, das quais se destaca a "Ponte sobre o Tâmega", lançada entre (aqueles que são, actualmente) dois largos da cidade de Amarante, num dos quais se localiza o convento de São Gonçalo.
Embora remonte ao século XIII a construção da primitiva ponte, a que se ergue na actualidade resulta de uma construção setecentista realizada após a derrocada da original, ocorrida em 1763, não sem antes se transferir, para a igreja conventual (vide supra), as imagens de Nossa Senhora da Piedade e de Cristo Crucificado colocadas no cruzeiro granítico que ostentava a meio.
Composta de tabuleiro (com pavimento entretanto asfaltado) de perfil horizontal assente sobre três arcos de volta redonda de dimensões desiguais, a ponte possui contrafortes triangulares nos pilares, quer a montante, quer a jusante, sobrepujados por quatro varandins semi-circulares, assim como guardaria de igual modo granítica apoiada em cornija lavrada e dois pares de pináculos barrocos esquinadas assentes em pequenas esferas colocados nas duas extremidades.
A relevância, tanto histórica, como artística da ponte mereceu a sua inclusão no primeiro decreto português de classificação de construções antigas como "monumentos nacionais", publicado em 1910.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível