Nota Histórico-Artistica
Imóvel
O chafariz que hoje ornamenta o Passeio Alegre, na zona da Foz da cidade do Porto, foi executado no século XVIII.
Inserido num grande tanque quadrilobada, alicerçado sobre um soco multifacetado com três degraus, o chafariz ergue-se numa taça polilobada assente coluna fusiforme estriada. Em torno da taça quatro carrancas com remates vegetalistas marcam as saídas de água.
No centro desta taça firma-se um fuste com outras quatro carrancas que jorram água, sobre o qual assente uma espécie de capitel decorado com folhas de acanto.
O conjunto é rematado por uma coluna bolbosa encimada por fogaréu.
História
A história do Chafariz do Passeio Alegra permanece envolta em contradições. O chafariz, uma obra de gosto vincadamente barroco, cuja tipologia situa a sua execução no último quartel do século XVIII, foi, durante anos, atribuído a Nicolau Nasoni, afirmando-se que seria oriundo dos jardins da Quinta da Prelada.
No entanto, alguns autores (Aguiar: 1982, Pacheco: 1984 e Silva: 2000) afirmam que o chafariz estava originalmente no claustro do Convento de São Francisco do Porto; o cenóbio, que recebeu obras profundas entre 1771 e 1778, foi destruído durante o cerco do Porto, em 1833, sendo edificado, alguns anos depois, no seu lugar, o Palácio da Bolsa.
A atribuição a Nasoni parece ter surgido do facto de o fontanário ser erroneamente considerado parte integrante do conjunto decorativo do jardim, onde se inserem os Obeliscos do Passeio Alegre, erigidos perto do fontanário, estes sim originários da Quinta da Prelada e, comprovadamente, do risco daquele arquitecto italiano.
No entanto, parece mais credível que o chafariz seja oriundo de um espaço completamente destruído, como a crasta franciscana, ao invés de ter sido retirado de um conjunto paisagístico que se mantém praticamente inalterado desde a sua execução, como é o caso dos jardins da Prelada.
O Jardim do Passeio Alegre, onde se integra o fontanário, é um dos símbolos culturais e urbanísticos da cidade do Porto. Projetado em 1870 por Emílio David, o jardim foi inaugurado em 1888. Nos vinte anos seguintes, o espaço foi melhorado com "peças de valor cuja localização se fez com bom critério formal" (Aguiar: 1982, 206), como foi o caso do chafariz e dos já referidos obeliscos.
Em 1910 o Chafariz era classificado como monumento nacional.
Catarina Oliveira
DGCP, 2017
Diploma de Classificação
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível