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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe

Arquitectura Religiosa / Ermida

Designação
Designação Atual
Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe
Outras Designações
Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Ermida
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A modesta ermida de Nossa Senhora da Guadalupe é um dos mais actuais exemplos de distância entre as conclusões a que a História da Arte chega e as interpretações tradicionalmente repetidas em obras de referência e de síntese ao longo do último século. Em relação a este templo, continua a sugerir-se ter sido construído pelos templários no século XIII (BAPTISTA, 2000, p.17) ou, em alternativa, pelo Infante D. Henrique, no âmbito da tão discutida "Escola de Sagres". Pelo contrário, a mais recente historiografia tem apontado para uma edificação pela primeira metade do século XIV, com certeza posterior ao Milagre da Guadalupe, ocorrido na região de Cáceres por volta de 1320 (PEREIRA, 2001, p.1). Não faltam todavia, outras perspectivas alternativas, como veremos.
Uma datação nestes termos parece entrar em contradição com o aspecto arcaizante e até simplista do templo. A opção pela planta de nave única, de três tramos contrafortados lateralmente por poderosos gigantes, e por uma capela-mor rectangular de duplo tramo, abobadada com o recurso à cruzaria de ogivas, são características decisivamente arcaizantes. A estas soluções, há que juntar o aspecto volumetricamente atarracado da construção, bem como a escassez de vãos de iluminação e de motivos decorativos, que contribuem igualmente para a sensação generalizada de austeridade e de robustez. Em boa verdade, estas circunstâncias não a afastam muito dos modelos paroquiais dionisinos, seus prováveis contemporâneos, diferindo, apenas, nas proporções e no relativo valor dado à iluminação, em particular a da capela-mor. O recurso a grossos contrafortes escalonados é, aliás, uma das marcas mais claras do chamado Gótico do reinado de D. Dinis, acentuando, genericamente, o carácter austero das edificações então levantadas.
Ora, se a cronologia da obra fundacional chegou a um momento de consenso relativo na comunidade científica, também a existência de posteriores alterações parece ser uma realidade. Com efeito, a par da extrema sobriedade do monumento, coexistem alguns elementos tardo-góticos, eventualmente do século XV. Manuel Castelo Ramos, que os identificou, salienta a decoração "encordoada e antropomórfica" dos capitéis-impostas dos portais, o grosso perfil do arco triunfal (que aparece também em outras obras algarvias do século XV, como a Sé de Silves e a igreja de Santa Maria do Castelo de Tavira), ou as "tentações naturalistas" das mísulas onde descarrega a abóbada da capela-mor (RAMOS, 1996, pp.88-91). A própria janela nascente da ábside e a opção pela planta rectangular (e não poligonal) parecem reforçar o carácter tardo-gótico desta reformulação.
A confirmarem-se estes dados, ganha maior probabilidade uma reforma em pleno século XV (eventualmente ligada ao amplo desenvolvimento da região verificado com a subida ao poder da dinastia de Avis), em prejuízo de uma campanha manuelina, como sugeriu Pedro Dias (DIAS, 1994, p.148). E também a confirmarem-se estes dados, deverá ser tomada ainda com maiores reservas a leitura inconográfica que Paulo Pereira efectuou dos poucos elementos figurativos do interior, relacionando-os com o resgate de cativos em pleno século XIV (PEREIRA, 2001, p.2).
Monumento tradicionalmente ligado à figura mítica do Infante D. Henrique (que diversas notícias dão como tendo orado na ermida, ela própria vizinha do seu (desaparecido) paço de Terçanabal (DIAS, 1995, pp.59-61), a ermida da Guadalupe foi, nos anos centrais do século XX, um ponto essencial da política historicista do Estado Novo, que actuou também radicalmente em monumentos vizinhos. Data dessa altura o restauro geral efectuado, que se pautou pela reconstrução de alguns elementos, como contrafortes, beirados, etc. Mais recentemente, o IPPAR efectuou obras gerais de conservação, mas o monumento aguarda, ainda, um coerente projecto de estudo monográfico e de investigação arqueológica das imediações, que explique as fases de ocupação do local.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 9 842, DG, I Série, n.º 137, de 20-06-1924 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria de 11-04-1955, publicada no DG, II Série, n.º 1160, de 18-05-1955 (com ZNA)
Afectação 9913229
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Faro / Vila do Bispo / Vila do Bispo e Raposeira
Quinta da Senhora de Guadalupe
Raposeira -
Polícia:
LATITUDE
37.083674
LONGITUDE
-8.864787
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1320
1320 (PEREIRA, 2001, p.1).
1924
1924 (ver Decreto) A modesta ermida de Nossa Senhora da Guadalupe é um dos mais actuais exemplos de distância entre a...
1994
1994, p.148).
1995
1995, pp.59-61), a ermida da Guadalupe foi, nos anos centrais do século XX, um ponto essencial da política historicis...
1996
1996, pp.88-91).
2000
2000, p.17) ou, em alternativa, pelo Infante D.
2001
2001, p.1).
20
IMAGENS
12
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
A arquitectura gótica portuguesa DIAS, Pedro Edição 1994 Lisboa
Manuelino. À descoberta da arte do tempo de D. Manuel I DIAS, Pedro Edição 2002 Lisboa
"As empresas artísticas do Infante D. Henrique (1394-1460)", Mare Liberum, nº6, Dez. 1993, republ. A viagem das formas, pp.51-89 DIAS, Pedro Edição 1995 Lisboa
A Arquitectura Manuelina DIAS, Pedro Edição 1988 Porto
A arquitectura manuelina DIAS, Pedro Edição 2009 Vila Nova de Gaia
Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe. Vila do Bispo PEREIRA, Paulo Edição 2001 Lisboa
"A Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe", Ilustração, Ano 3º, nº 34, 16/3 TEIXEIRA, Garcez Edição 1928 Lisboa
"A Ermida de Guadalupe", Diário de Notícias, 26/2 FRANCO, Mário Lyster Edição 1939 Lisboa
Guia turístico e ambiental do concelho de Vila do Bispo BAPTISTA, Carlos Manuel Maximiano Edição 2000 Lisboa
"Decoração arquitectónica manuelina na região de Silves (séculos XV-XVI)", Revista Xelb, nº3, 1996, pp.79-142 RAMOS, Manuel Francisco Castelo Edição 1996 Silves
"O centro de acolhimento e interpretação da ermida de Nossa Senhora de Guadalupe", Revista Património - Estudos, nº8, pp.140-143 PAULA, Frederico Mendes, PISSARRO, Carlos Benrós Edição 2005 Lisboa
"A ermida de Nossa Senhora de Guadalupe e o Centro de Acolhimento e Interpretação. Intervenções do IPPAR", Revista Património - Estudos, nº8, pp.-138-139 PIMPÃO, Teresa Edição 2005 Lisboa

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