As estruturas exumadas têm sido caracterizadas como pertencentes a uma villa romana (ou até a um vicus), mas dada a falta de aptidão agrícola dos solos, a sua localização e o tipo de estruturas presentes, parece adaptar-se-lhe melhor um modelo produtivo correspondente a uma estrutura para exploração e transformação dos recursos estuarinos e marinhos, devendo corresponder a uma unidade fabril de salga de peixe.
Foi descoberta após o maremoto de 1755, mas só a partir de 1878, com Estácio da Veiga, é que se iniciaram os trabalhos de escavação e investigação do sítio. Já nessa época esse investigador identificou a erosão costeira como um dos principais problemas que afectava a preservação das estruturas arqueológicas devido ao contínuo recuo da linha de costa que afectava as ruínas. Em 1896 foram também aí efectuados trabalhos por Santos Rocha.
Já no século XX, em 1933, foram retomados os trabalhos por José Formosinho e em 1960 por Abel Viana e V. Ferreira. Na década de 80 são aí efectuadas escavações dirigidas por Francisco Alves, que em 1991 propõe medidas para a preservação do sítio, que na época se encontrava vedado.
Esta unidade fabril romana situa-se num paleoestuário, subsidiário das ribeiras de Budens, de Vale de Boi e do Burgau, que nele confluem e que em tempos mais recuados, maiores caudais, terão inundado permanentemente a várzea. Actualmente a boca do estuário (que deu o topónimo ao local) encontra-se assoreada e desviada para nascente.
Neste estabelecimento de salga de peixe, que deveria também integrar um porto de mar, foram identificadas, através da escavações arqueológicas efectuadas, cetárias onde se elaboravam os preparados de peixe, assim como um figidarium) que faria parte de um balneário e mosaicos.
Foram também recolhidas moedas de Nero (54-68) e de Honório (395-423) e um tesouro com mais de mil numismas, médios bronzes do Baixo Império, sobretudo de Constâncio (305-306), Honório e Arcádio (395-408), Imperador do Oriente. Descobriu-se ainda numeroso material, vidros, bronzes figurativos, como uma estatueta de Hera e um cupido alado e uma telha com a marca "G. AEMILI SCRIBONI". (JAM)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público
ZEP
Portaria n.º 900/91, DR, I Série-B, n.º 203, de 4-09-1991 (sem restrições)(ver Portaria)
Afectação
9914629
Abrangido
em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra
Classificação
Sem registos associados
Localização
Faro / Vila do Bispo / Budens
Praia da Boca do Rio
- -
Polícia:
LATITUDE
37.066943
LONGITUDE
-8.80918
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1755
1755, mas só a partir de 1878, com Estácio da Veiga, é que se iniciaram os trabalhos de escavação e investigação do s...
1878
1878, com Estácio da Veiga, é que se iniciaram os trabalhos de escavação e investigação do sítio. Já nes
1896
1896 foram também aí efectuados trabalhos por Santos Rocha. J
1933
1933, foram retomados os trabalhos por José Formosinho e em 1960 por Abel Viana e V.
1960
1960 por Abel Viana e V.
1977
1977 (ver Decreto) As estruturas exumadas têm sido caracterizadas como pertencentes a uma villa romana (ou até a um v...
1991
1991 propõe medidas para a preservação do sítio, que na época se encontrava vedado. Esta
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Bibliografia
Título
Autor(es)
Tipo
Data
Local
Roman Portugal
ALARCÃO, Jorge Manuel N. L.
Edição
1988
Warminster
Noventa Séculos entre a Serra e o Mar
BARATA, Maria Filomena
Edição
1997
Lisboa
A indústria romana de transformação e conserva de peixe, em Olisipo. Núcleo arqueológico da Rua dos Correeiros