Imóvel
A casa do Galvão que corresponde a uma habitação solarenga outrora integrada numa quinta dos arredores de Lisboa, encontra-se hoje perfeitamente inserida na malha urbana da freguesia de Belém. Sobranceira à calçada do Galvão, a casa destaca-se das restantes edificações situadas na envolvente, pela sua tonalidade amarelo ocre, pela graciosidade das suas proporções e ainda pelo amplo portão em moldura de cantaria encimado por frontão de volutas ladeado por pinhas e coroado por busto feminino em terra cota.
Tendo sido erguida na primeira metade do século XVIII, a casa corresponde, de facto, a um conjunto edificado formado por vários corpos distribuídos em torno de pátios e jardim. O edifício principal possuiu dois andares sendo que o piso térreo que se encontra parcialmente enterrado correspondia, originalmente, a uma zona de serviços e armazenamento.
Atravessando o arco virado à calçada entra-se num pequeno pátio onde se situa a escada de acesso ao piso nobre. Numa outra porta localizada no edifício contíguo que se destaca pelas cinco janelas de moldura recortada em cantaria, observa-se uma bandeira de ferro com a data de 1863.
No interior da habitação conservam-se ainda azulejos barrocos e rococós, com destaque para as cenas idílicas de atos da vida da mítica Rainha do Sabá e para os painéis de produção Joanina com vasos de flores e meninos com cestos floridos.
De referir, ainda, que foi durante a segunda metade do século XIX que se introduziram diversos elementos decorativos românticos, bem como os arranjos paisagísticos de estilo inglês no pequeno jardim com tanque retangular de espaldar decorado com volutas.
História
A zona de Belém tornou-se, sobretudo a partir do século XVII, um local muito procurado por famílias nobres dado ser uma área agrícola e de bons ares, sendo neste contexto que surgirá a Casa do Galvão. De notar que outrora esta propriedade localizava-se no acesso a Montes Claros, antiga estrada do Penedo, hoje Calçada do Galvão.
O seu primeiro proprietário, de nome António José Galvão, foi Intendente das Polícias e oficial-mor da Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra do rei D. José l que, em 1758, lhe fará a doação da propriedade. De referir que este domínio terá originalmente pertencido aos Condes da Calheta cujo palácio, hoje Museu Agrícola, se localiza na envolvente.
Em 1863 a propriedade foi adquirida por Eduardo Augusto Pedrosa, um liberal endinheirado que adaptou a casa ao gosto da época e às novas necessidades de conforto. É a partir de finais do século XIX que a propriedade começa a ser dividida para albergar diferentes usos até que, nos anos 80 do século XX, é adquirida pela família Lowndes Marques que, desde então, irá empreende uma cuidadosa reabilitação dos diferentes espaços.
Sílvia Leite/DIDA - IGESPAR/ 2010, atualizado por Maria Ramalho/DGPC/2017.
Diploma de Classificação
Em 6-06-2019 foi solicitada informação à CM de Lisboa sobre qual a situção jurídica do procedimento de classificação
Enviada cópia do processo pelo Ministério da Cultura à CM de Lisboa em 11-05-2010 a fim de ponderar a conclusão do procedimento
Despacho de homologação de 21-04-1999 da Secretária de Estado da Cultura
Despacho de concordância de 19-02-1999 do presidente do IPPAR
Parecer de 10-02-1999 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como VC
Despacho de abertura de 25-07-1994 do presidente do IPPAR
Deliberação de 12-07-1994 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como valor nacional ou pelo menos VC
Proposta de classificação de 4-01-1993 do proprietário
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Em Vias de Classificação
Em Vias de Classificação (Homologado como IM - Interesse Municipal)
Palácio Nacional de Belém e todo o conjunto intramuros, nomeadamente o Palácio, os jardins e outras dependências, bem como o Jardim Botânico Tropical, ex-Jardim-Museu Agrícola Tropical