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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Castro de Ovil

Arqueologia / Povoado Fortificado

Designação
Designação Atual
Castro de Ovil
Outras Designações
Tipologia
Povoado Fortificado
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Quando, em 1963, analisou documentação medieval relativa ao território onde o povoado teria sido construído durante a 2.ª Idade do Ferro desta região do actual território português, Arlindo de Sousa admitiu a sua existência em Paramos. Foi com base nesta possibilidade que a zona foi prospectada por uma equipa do "Grupo de Estudos para a Defesa do Ambiente e do Património Cultural de Espinho", identificando o povoado em 1981, num local conhecido por Castelo, um topónimo que indiciaria, à partida, a presença de estruturas antigas, como sucede com relativa frequência noutros pontos do país.

Os trabalhos de sondagem e de escavação conduzidos desde então, e sobretudo após a aquisição, por parte da Câmara Municipal de Espinho, em 1986, do terreno em que o povoado foi implantado, e a sua classificação como "Imóvel de Valor Concelhio" (o actual nível de "Imóvel de Interesse Municipal"), em 1990, têm permitido a exumação de uma série de artefactos característicos do período em que foi erguido.

Construído no topo de uma pequena colina bordejada, a Sul e a Oeste, pela rib.ª de Rio Maior, o povoado distribuir-se-ia, na origem, ao longo de apenas dois hectares. Mas, contrariamente ao que sucede na maioria dos exemplares desta tipologia, este castro não parece ter possuído qualquer sistema defensivo constituído, quer por muralhado, quer por taludes, tendo apenas usufruído das condições naturais de defesa conferidas pelo próprio leito cavado da ribeira e pelos rochedos aí existentes. A única preocupação terá residido nas vertentes voltadas a Norte e a Este, onde se construiu um fosso bastante profundo no afloramento xistoso.

As investigações permitiram identificar uma série de estruturas habitacionais de planta circular assentes directamente sobre o afloramento, posteriormente dotadas de vestíbulo. Entretanto, as escavações conduzidas noutros sectores do recinto revelaram a presença de outras edificações de carácter industrial, especialmente uma lagareta que poderia ter sido utilizada para a produção vinícola, oleícola ou, até mesmo, para a conserva e salga de alguns alimentos (SALVADOR, J. F., SILVA, A. M. S. P., 2000, p. 172).

Do espólio recolhido até ao momento, destaca-se a abundante presença de fragmentos cerâmicos característicos do universo castrejo, como talhas, panelas e vasos, de perfil em "S" e decorados por incisão, perfazendo triângulos preenchidos por linhas paralelas, oblíquas e reticuladas, assim como por impressão, configurando círculos, "SS" e escudetes. Além da cerâmica, foram exumados materiais decorrentes das actividades desenvolvidas pelos habitantes do povoado, a exemplo de pesos de tear e de cossoiros, pesos de rede, mós e escórias de fundição, não tendo sido detectados elementos suficientemente consistentes que nos permitam falar de uma ocupação romana no local, como ocorre em parte expressiva destes povoados de altura, balizando-se a sua existência entre o século II a.C. e o início do I d.C.

Nos últimos anos, foi elaborado, pelo Gabinete de Arqueologia criado pela autarquia de Espinho, um programa museológico abrangente para a estação arqueológica que, no entender dos autores, deve "[...] retratar a memória histórica e cultural da comunidade castreja de Ovil, através da salvaguarda e valorização in situ do povoado." (Id., Idem, p. 173), o qual, conjuntamente a aspectos tão essenciais quanto o da sinalização, contempla a instalação de um centro de acolhimento nas ruínas da antiga Fábrica de Papel, dotado de uma área de exposição.

[AMartins]
Diploma de Classificação
A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001
Decreto n.º 29/90, DR, I Série, n.º 163, de 17-07-1990 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IM - Interesse Municipal

ZEP n/a
Afectação 181501
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Aveiro / Espinho / Paramos
Lugar do Monte
Paramos -
Polícia:
LATITUDE
40.979331
LONGITUDE
-8.620879
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1963
1963, analisou documentação medieval relativa ao território onde o povoado teria sido construído durante a 2.ª Idade ...
1981
1981, num local conhecido por Castelo, um topónimo que indiciaria, à partida, a presença de estruturas antigas, como ...
1986
1986, do terreno em que o povoado foi implantado, e a sua classificação como "Imóvel de Valor Concelhio" (o actual ní...
1990
1990 (ver Decreto) Quando, em 1963, analisou documentação medieval relativa ao território onde o povoado teria sido c...
2000
2000, p.
2001
2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001 Decreto n.º 29/90, DR, I Série, n.º 163, de 17-07-1990 (ver D...
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IMAGENS
6
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Complexificação das sociedades e sua inserção numa vasta rede de intercâmbios", Nova História de Portugal JORGE, Vítor de Oliveira Edição 1990 Lisboa
Castelologia medieval de Entre-Douro-e-Minho. Das origens a 1220 ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1978 Porto
De terra em terra: excursões arqueológico-etnográficas através de Portugal (Norte, Centro, e Sul) VASCONCELLOS, José de Leite de Edição 1927 Lisboa
"Notícia da localização do Castro de Ovil em Paramos", Espinho. Boletim Cultural BRANDÃO, Francisco A. Edição 1982 Espinho
"Da descoberta do castro de Ovil à descoberta de um Gabinete de Arqueologia", Al-madan SALVADOR, Jorge Fernando, SILVA, António Manuel S. P. Edição 2000 Almada
"Alguns problemas históricos a respeito da Barrinha de Esmoriz", Boletim Cultural de Espinho AMORIM, Aires de Edição 1980 Espinho

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