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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Edifício da Misericórdia, incluindo hospital, capela e antiga hospedaria

Arquitectura Civil / Edifício

Designação
Designação Atual
Edifício da Misericórdia, incluindo hospital, capela e antiga hospedaria
Outras Designações
Edifício da Misericórdia de Albufeira / Edifício, Igreja e Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Albufeira (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Edifício
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
As instalações da Misericórdia de Albufeira constituem uma das mais antigas parcelas do centro histórico da cidade e localizam-se dentro do velho perímetro fortificado, implantando-se junto da mais importante porta (a da Praça, ou do Ocidente) e ocupando parte da alcáçova islâmica. Estes vestígios do sistema defensivo muçulmano desapareceram nos anos 60 do século XX, quando se construiu o Hotel Sol e Mar (GOMES, 2002, pp.339-340), mas tal campanha não destruiu o complexo da Misericórdia, que ainda hoje se mantém.
A instituição, fundada em 1499, desde cedo contou com importantes instalações, o que revela o grau de implantação e de aceitação na própria cidade. Ainda hoje é possível perceber que, delimitada pela muralha que se desenvolve desde a antiga Porta da Praça até à Porta do Mar (virada a Norte, hoje na confluência da Rua do Cemitério Velho), existe um quarteirão que foi praticamente todo ocupado pela Misericórdia local e que corresponde à face NO. da Rua Henrique Calado. Nesse quarteirão, funcionou a Capela, o Hospital e uma Hospedaria, assim como o edifício-sede e numerosas outras dependências de apoio às diversas actividades da instituição.
A capela é parte mais importante do conjunto e, simultaneamente, a mais antiga. Crê-se que seria mesquita de uso exclusivo da alcáçova e do paço dos governadores, posteriormente convertida em igreja cristã e, finalmente, em capela da Misericórdia. Este percurso funcional não está arqueologicamente provado, mas dada a localização do templo é natural que assim tivesse acontecido, embora nos faltem dados de caracterização sobre os séculos XIII e XIV. A fachada principal é de pano único e passaria despercebida entre o casario não fosse o seu portal manuelino e a empena triangular da frontaria. Aquele é de arco apontado, mas possui moldura inferior decorada com ligeiro encordoado que, descarregando sobre capitéis de decoração vegetalista, finos colunelos adossados à caixa murária e bases embebidas de secção multifacetada, prova o seu carácter manuelino, ainda que relativamente modesto.
O interior é de nave única, e apenas a capela-mor evidencia a fase manuelina, sendo coberta por abóbada de cruzaria de ogivas, com bocete ornamentado pela cruz da Ordem de Avis, sintoma provável de algum dinheiro real empregue na obra. O arco triunfal é abatido, mas possui ainda duas colunas torsas que descarregam sobre bases oitavadas, elementos artísticos que provam a sua feitura durante o ciclo manuelino. No corpo do templo, coberto por tecto de madeira, pode ainda observar-se um coro-alto barroco que se adossa à fachada principal.
Da capela-mor pode aceder-se à Sacristia e à antiga Casa do Despacho, esta última um espaço rectangular que, na origem, deveria ter um segundo acesso sem ser pelo interior da capela. A Hospedaria é um edifício de planta rectangular, disposto ao longo da via pública e tem como principal atractivo o seu portal, de arco apontado, muito simples e que, se não for contemporâneo do portal principal da capela, deverá ser o reaproveitamento de uma mais antiga habitação.
Compreensivelmente, o hospital ocupa a maior parte das antigas instalações. A primeira referência documental que se conhece data de 1571, mas parece relacionar-se com uma pequena casa de acolhimento, uma vez que, séculos mais tarde, em 1758, refere-se expressamente que o hospital é composto por uma só casa, "em que se acolhem os pobres passageiros, mas não a curar-se" (PINTO e PINTO, 1968). O edifício que chegou até hoje data genericamente do final do século XIX. Em 1880, a Santa Casa dirigiu uma petição à Câmara dos Deputados para alargamento das instalações, o que foi favoravelmente respondido três anos depois, tendo-se iniciado as obras em 1885, sob o comando do empreiteiro José Francisco do Nascimento. Inaugurado em 1904, dele fazem parte duas enfermarias, em dois andares, e integra a Torre do Relógio, estrutura que aproveitou uma das antigas torres defensivas da islâmica Porta da Praça.
PAF
Diploma de Classificação
A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001
Decreto n.º 45/93, DR, I Série-B, n.º 280, de 30-11-1993 (ver Decreto)
Número do Processo
Proteção
Classificado
Classificado como IM - Interesse Municipal

ZEP n/a
Afectação 9914029
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Faro / Albufeira / Albufeira e Olhos de Água
Rua Henrique Calado
Albufeira -
Polícia:
Largo da República
Albufeira -
Polícia:
LATITUDE
37.087507
LONGITUDE
-8.252169
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1499
1499, desde cedo contou com importantes instalações, o que revela o grau de implantação e de aceitação na própria cid...
1571
1571, mas parece relacionar-se com uma pequena casa de acolhimento, uma vez que, séculos mais tarde, em 1758, refere-...
1758
1758, refere-se expressamente que o hospital é composto por uma só casa, "em que se acolhem os pobres passageiros, ma...
1880
1880, a Santa Casa dirigiu uma petição à Câmara dos Deputados para alargamento das instalações, o que foi favoravelme...
1885
1885, sob o comando do empreiteiro José Francisco do Nascimento.
1904
1904, dele fazem parte duas enfermarias, em dois andares, e integra a Torre do Relógio, estrutura que aproveitou uma ...
1968
1968).
1993
1993 (ver Decreto) As instalações da Misericórdia de Albufeira constituem uma das mais antigas parcelas do centro his...
2001
2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001 Decreto n.º 45/93, DR, I Série-B, n.º 280, de 30-11-1993 (ver...
2002
2002, pp.339-340), mas tal campanha não destruiu o complexo da Misericórdia, que ainda hoje se mantém.A instituição, ...
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
As Misericórdias do Algarve PINTO, Maria Helena Mendes, PINTO, Victor Roberto Mendes Edição 1968 Lisboa
"Albufeira medieval", Bracara Augusta, vol. 14/15, separata AZEVEDO, José Manuel Semedo de Edição 1963 Braga
Breve história de Albufeira NOBRE, Idalina Nunes Edição 1989 Albufeira
Albufeira: percursos de uma história singular NOBRE, Idalina Nunes Edição 1995 Albufeira
Cronologia do concelho de Albufeira AMADO, Adelaide Edição 1995 Albufeira
Roteiros histórico-monumentais da cidade de Albufeira AMADO, Adelaide Edição 1993 Albufeira
Bibliografia do concelho de Albufeira AMADO, Adelaide Edição 1993 Albufeira

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