Nota Histórico-Artistica
Imóvel
O pórtico do antigo Convento de São Francisco insere-se atualmente na área urbana da freguesia que adotou o nome desta Ordem religiosa, tal era a importância deste imóvel na região. Hoje o único elemento que resta deste convento encontra-se ladeado a sul pela rua da Sociedade (pedonal) e, a norte, por um espaço aberto de domínio público composto por terreiro e área ajardinada na qual se localizava a antiga igreja e respetivo adro.
Este elemento patrimonial é a face visível do período de maior desafogo da instituição, verificada na segunda metade do século XVII e primeiras décadas do seguinte "altura em que teve maior número de frades" (VARGAS, 2004, p.67).
O pórtico compõe-se de tripla arcada de volta perfeita, secionada por pilares retangulares, sendo os arcos encimados por frontões triangulares em forma de cortina e rematados os laterais por pináculos e, o central, por uma cruz. Nos tímpanos e nas faces que separam os frontões, existem dez painéis de azulejos figurativos azuis e brancos do séc. XVIII saídos do ciclo lisboeta dos Grandes Mestres, sendo que seis deles representam membros ilustres da Ordem Franciscana e, os restantes, quatro emblemas alegóricos. Na face externa (sul) estão representados São Boaventura, São Francisco e São Luis e, na face interna (norte), São Pascoal do Baillon, São António e São Salvador d'Orta.
Em 2009 o conjunto de painéis de azulejos foi alvo de trabalhos de conservação e restauro da responsabilidade de Celso Mangucci e Assunção Zagalo.
História
Sabonha, como era chamada esta localidade durante o período medieval, chegou a ser uma das sedes do antigo concelho do Ribatejo tendo, no entanto, decaído em importância e acabando por ser integrada definitivamente no concelho de Alcochete em 1572. Será nessa época que surgirá no local uma nova fundação religiosa, neste caso dos frades franciscanos, ocupando o novo edifício dedicado a Nossa Senhora do Socorro, o que restava de uma antiga igreja com o Orago de Santa Maria, cujos vestígios foram detetados em 2005, durante uma intervenção arqueológica. Com a ocupação franciscana a povoação adquire um novo fôlego de tal forma que acabará mesmo por adotar o nome da Ordem.
Em 1834 a comunidade foi extinta como tantas outras no país e, quatro anos depois, o imóvel passa para a posse de um indivíduo de Alcochete, conhecido como Chapéu de Ferro, contando a lenda que a sua morte trágica ocorreu dentro do antigo convento quando se procedia ao seu desmantelamento para venda da pedra.
As festividades associadas ao espaço religioso também acabaram por se extinguir, referindo a documentação escrita que a festa anual decorria em 25 de março, dia da Anunciação de Nossa Senhora e que no 3º domingo de cada mês se realizava, no recinto do antigo convento, uma feira de gado e alfaias agrícolas, feira esta que terá subsistido até ao ano de 1900.
Paulo Fernandes/IPPAR/2003, atualizado por Maria Ramalho/DGPC/2016
Diploma de Classificação
A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001
Decreto n.º 2/96, DR, I Série-B, n.º 56, de 6-03-1996 (ver Decreto)
Edital de 29-12-1993 da CM de Alcochete
Despacho de homologfação de 3-08-1990 do Secretário de Estado da Cultura
Despacho de concordância de 26-07-1990 do presidente do IPPC
Despacho de concordância de 23-07-1990 do vice-presidente do IPPC
Parecer de 12-07-1990 da 9.ª Secção do Conselho Consultivo do IPPC a propor a classificação como VC
Proposta de classificação de 13-05-1987 da CM de Alcochete
Número do Processo
Não disponível