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Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Castelo da Guarda, Torre dos Ferreiros, troço situado junto à torre e todos os restantes fragmentos da muralha existentes

Arquitectura Militar / Castelo

Designação
Designação Atual
Castelo da Guarda, Torre dos Ferreiros, troço situado junto à torre e todos os restantes fragmentos da muralha existentes
Outras Designações
Castelo da Guarda / Castelo e cerca urbana da Guarda (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Castelo
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
O castelo da Guarda é a estrutura edificada que melhor entronca com as origens da cidade. Alguns autores colocaram a hipótese de aqui se ter localizado um antigo castro posteriormente romanizado, mas as informações materialmente seguras que possuímos apontam apenas para a construção de uma linha fortificada na viragem para o século XIII, precisamente no momento em que D. Sancho I transferiu para aqui a diocese de Egitânia e a cidade ganhou vida.
O que resta hoje do castelo, contudo, não é apenas fruto da altura em que a cidade nasceu. Reformas posteriores, realizadas nos reinados de D. Dinis, de D. Fernando e de D. João I, reformularam a estrutura fundacional, e conferiram o desenho que ainda hoje é possível reconstituir com alguma segurança. Com efeito, como tem sido constantemente realçado, a planta do castelo da Guarda "não se reduz a nenhuma figura geométrica precisa" (PEREIRA, 1995, p.27), sintoma claro das sucessivas transformações e adaptações às condicionantes da Guerra e à própria topografia do terreno.
É neste sentido que a investigação se depara com o problema de atribuição dos troços e torres sobreviventes a um destes três reinados. Com grande probabilidade, a Torre Velha, isolada das muralhas, de planta levemente poligonal mas com uma janela de arco de volta perfeita, datará o recinto mais antigo, tendo sido mesmo a sua torre de menagem, em torno da qual se localizava a alcáçova. Ainda mais problemática é a cronologia dos troços de muralha, torres e portas inseridas na cerca medieval. As portas da Covilhã e dos Curros, as mais afastadas na malha urbana, deveriam existir desde a construção inicial, na medida em que é entre elas que se articula a Rua Direita, principal via interior do burgo. Paralelamente, como realçou José Fernandes Pereira, um segundo eixo viário de máxima importância, foi aberto entre as portas da Erva e de El Rei, dispondo-se longitudinalmente em relação à Rua Direita, cruzando-a mesmo sensivelmente a meio caminho e definindo, assim, uma estrutura viária cruzada, tão ao gosto da organização romana das cidades, em cardus e decumanus (PEREIRA, 1995, p.30). Sobre este segundo eixo, contudo, não está provada a sua existência desde as primeiras décadas do século XIII, podendo ter sido rasgado já numa época posterior.
O desconhecimento que possuimos acerca das reformas empreendidas por D. Dinis, D. Fernando e D. João I assume-se, de resto, como um dos obstáculos principais a uma mais coerente perspectivação histórico-artística deste castelo. No reinado de D. Fernando, por exemplo, a reforma militar efectuada foi importante o suficiente para obrigar à demolição da segunda catedral da cidade, facto que comprova uma amplitude reformadora bastante alargada.
A reconstituição da planta do castelo da Guarda encontra ainda outros obstáculos, relacionados com as fases de destruição das muralhas e com o natural crescimento da cidade nos últimos dois séculos. Na viragem para o século XX são ainda referidos troços de muralha em locais onde hoje já nada existe, sendo a sua pedra reaproveitada para outras construções municipais e privadas. A Torre Nova, assim denominada por oposição à Velha torre do primeiro recinto românico, e localizada junto da Porta da Covilhã, foi demolida nos anos finais do século XIX. A Torre dos Ferreiros, subistente na sua maior parte, revela ainda uma planta em cotovelo, com os respectivos arranques de troços anexos, sendo a principal referência da muito destruída cerca da cidade.
De todas estas transformações resultou um dos mais interessantes castelos do país, não apenas por se situar numa segunda linha de defesa face à fronteira leste da Beira Alta, mas por testemunhar a actividade construtiva de carácter militar ao longo de, praticamente, toda a nossa Baixa Idade Média, bem como por ilustrar o processo de destruição por que passou o património militar nacional a partir do século XIX.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 38 147, DG, I Série, n.º 4, de 5-01-1951 (conjuntamente com o Castelo da Guarda, classificou a Torre dos Ferreiros e ainda, além do troço situado junto à torre, todos os restantes fragmentos de muralha existentes) (ver Decreto)
Decreto de 16-06-1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (classificou o Castelo da Guarda) (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Portaria de 22-09-1956, publicada no DG, II Série, n.º 237, de 8-10-1956 (sem restrições)
Afectação 9913329
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Guarda / Guarda / Guarda
-- -
Guarda -
Polícia:
LATITUDE
40.538227
LONGITUDE
-7.268145
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1910
1910, DG, n.º 136, de 23-06-1910 (classificou o Castelo da Guarda) (ver Decreto) O castelo da Guarda é a estrutura ed...
1951
1951 (conjuntamente com o Castelo da Guarda, classificou a Torre dos Ferreiros e ainda, além do troço situado junto à...
1995
1995, p.27), sintoma claro das sucessivas transformações e adaptações às condicionantes da Guerra e à própria topogra...
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Manuelino. À descoberta da arte do tempo de D. Manuel I DIAS, Pedro Edição 2002 Lisboa
Castelos da Raia Vol. I: Beira GOMES, Rita Costa Edição 1996 Lisboa
A Guarda medieval, posição, morfologia e sociedade (1200-1500) GOMES, Rita Costa Edição 1987 Lisboa
Guarda PEREIRA, José Fernandes Edição 1995 Lisboa
A gloriosa história dos mais belos castelos de Portugal PERES, Damião Edição 1969 Barcelos
Monografia artística da Guarda RODRIGUES, Adriano Vasco Edição 1984 Guarda
As origens da cidade da Guarda AGUIAR, Carlos Alexandre Edição 1942
Apontamentos para uma monografia da Guarda OLIVEIRA, Carlos de Edição 1940 Guarda
"Novos elementos sobre o castelo da Guarda (séculos XIII-XVIII)", Beira Interior. História e Património, pp.239-252 FERNANDES, Lídia Edição 2000 Guarda

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