Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Localizada numa das artérias centrais do centro histórico da Guarda, a casa com o número 7 da Rua dos Clérigos terá sido erigida nos últimos anos do século XIV.
O edifício habitacional desenvolve-se numa planta retangular, disposta ao longo da artéria, dividindo-se em dois pisos, a "loja", no piso térreo (destinado principalmente a armazém ou recolha de gado), e habitação no piso superior, ou nobre.
A fachada é composta por blocos de aparelho rústico de contornos irregulares, distribuindo-se os vãos de forma assimétrica. Estes constam, no piso inferior, de um rasgamento quadrado sem moldura, e de duas portas geminadas, uma mais larga rematada em arco hexagonal, e a outra mais estreita, em arco quebrado. No primeiro andar destaca-se a janela que encima a primeira porta, também de maiores dimensões, com lintel dentado e flanqueada por duas mísulas bastante salientes. À direita abre-se outro vão sem moldura.
No interior, ambos os andares são compostos por compartimentos únicos, com soalho, escada principal e vigamentos do telhado em madeira. Uma porta interior, que permitia a comunicação com com o edifício contíguo, foi entaipada nos anos 80 do século XX, quando se realizaram algumas pequenas obras na casa.
História
A Rua dos Clérigos foi uma das artérias medievais rasgadas depois da reconstrução das muralhas da Guarda, no reinado de D. Fernando I, que ampliou o perímetro defensivo da cidade. A artéria integra uma grelha irregular de vias que se dispõe à volta da Torre dos Ferreiros, um espaço que até à época se situava nos arrabaldes. A rua acabaria por ficar localizada nos terrenos traseiros à cabeceira da atual Sé da Guarda, erigida já no século XV em substituição da catedral mandada construir na centúria anterior por D. Sancho II. A Rua dos Clérigos tornava-se, assim, num eixo nobre, adequado à habitação do clero local, conforme atesta o seu nome.
A casa do número 7 terá sido erigida depois da obra da muralha fernandina, nas décadas finais de Trezentos, localizando-se então nos limites do estaleiro da catedral, durante o século e meio que demorou a conclusão desta. Esta casa nasce, portanto, "à sombra da Sé", partilhando não apenas o granito escuro que predomina na região, mas igualmente o carácter robusto, austero e compacto da generalidade das edificações da cidade, com especial destaque para o predomínio da parede sobre os vãos, de recorte muito simples (Pereira: 1995, p. 35).
Catarina Oliveira
DGPC, 2018
Diploma de Classificação
A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001
Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível