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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Capela de São Pedro de Balsemão

Arquitectura Religiosa / Capela

Designação
Designação Atual
Capela de São Pedro de Balsemão
Outras Designações
Capela de São Pedro de Balsemão (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Capela
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A capela de São Pedro de Balsemão é um monumento tão relevante cientificamente quanto problemática é a sua cronologia e forma original. Nos últimos cem anos, a historiografia divide-se em duas propostas cronológicas antagónicas: a época visigótica (séculos VI-VII) e a expansão do reino asturiano (séculos IX-X). Até ao momento, não foi possível confirmar qualquer destas sugestões e, por isso, Balsemão continua a integrar a polémica que tem separado investigadores desde que, há sensivelmente uma década e meia, os ciclos asturiano e moçárabe foram objecto de uma radical revalorização.
No local onde o templo se implanta, ou muito próximo, parece ter existido uma uilla romana, como o atestam algumas inscrições, um terminus augustalis do tempo de Cláudio e as aras reaproveitadas como altares (ALARCÃO, 1990, vol.1, p.377). A confirmar-se, algum dia, a relação desta uilla com o templo, teremos mais um exemplo da continuidade de ocupação que caracteriza já um considerável número de sítios no país.
A edificação da capela aconteceu num momento ainda indeterminado da Alta Idade Média. Para os defensores de uma cronologia de época visigótica, assume especial importância uma lápide datada de 588 e aparecida na cidade (cf. CORREIA, 1928, p.373). Outros argumentos, invocados por Lampérez y Romea, foram a forma ultrapassada do arco triunfal e o plano basilical adoptado. A partir daqui, e de outros contributos muitas vezes indirectos acerca do que teria sido a arte de época visigótica, a ideia de uma igreja dos séculos VI-VII ganhou forma e foi sucessivamente repetida por nomes marcantes como Schlunk, Fernando de Almeida, Hauschild, etc.
Nos últimos anos, todavia, ganhou maior relevo a hipótese de o templo datar de finais do século IX ou, mesmo, já do século X. O primeiro autor a propor esta ideia foi Joaquim de Vasconcelos, há quase cem anos (VASCONCELOS, 1911, p.79), por analogia com a igreja de São Pedro de Lourosa, epigraficamente datada de 912. No entanto, o sucesso do modelo "visigotista", proposto pelos autores anteriormente citados, praticamente inviabilizou esta proposta, só muito recentemente retomada por Real, Ferreira de Almeida, Barroca e Teixeira, entre outros.
Com efeito, a identificação de um clípeo (medalhão), de um pé de altar decorado com a tradicional cruz asturiana, de um fragmento de ajimez moldurado e a utilização de impostas de rolo decoradas com motivos cordiformes, são indicadores de uma cronologia avançada, a que o classicismo das formas (tão demonstrado na reutilização de capitéis coríntios tardo-antigos) emprega verdadeiro valor estilístico, aproximando-o de construções como São Pedro de Lourosa (onde também aparece um medalhão circular), a controversa Mesquita-Catedral de Idanha-a-Velha ou a basílica do Prazo (REAL, 1999, p.268). A chegada a um consenso da cronologia de Balsemão está, ainda assim, longe de esgotar todos os problemas, como a sugestão de uma ábside única rectangular, aparentemente mais característica da época visigótica, ou o aparecimento, num silhar, do símbolo dos condes de Portucale, na viragem para o século XII.
Nas centúrias seguintes, a igreja foi profundamente transformada. No século XIV, o bispo do Porto, D. Afonso Pires, escolheu-a para sua capela funerária e terá, para isso, "refeito toda a igreja" (ALMEIDA, 2001, p.31). Para além do seu sarcófago, hoje localizado a meio da nave central, não restam vestígios claros dessa reforma, sendo certo, no entanto, que, em 1643, Luís Pinto de Sousa Coutinho integrou-a no seu solar. Data, assim, do século XVII, a grande reforma responsável pelo aspecto actual do monumento. A porta ocidental foi inutilizada e transformou-se radicalmente a meridional que, monumentalizada com algumas lápides e uma escadaria, passou a ser a principal. Reconstruiu-se também a cabeceira e largos trechos do corpo, fazendo com que, o que hoje reconheçamos, seja um edifício seiscentista que aproveitou alguns elementos altimedievais.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 7 586, DG, I Série, n.º 138, de 8-07-1921 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 9913229
Abrangido em ZEP ou ZP
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Viseu / Lamego / Lamego (Almacave e Sé)
Rua Cardoso Avelino
Lamego -
Polícia:
Largo do Desterro
Lamego -
Polícia:
LATITUDE
41.106998
LONGITUDE
-7.7831
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1643
1643, Luís Pinto de Sousa Coutinho integrou-a no seu solar.
1911
1911, p.79), por analogia com a igreja de São Pedro de Lourosa, epigraficamente datada de 912.
1921
1921 (ver Decreto) A capela de São Pedro de Balsemão é um monumento tão relevante cientificamente quanto problemática...
1928
1928, p.373).
1990
1990, vol.1, p.377).
1999
1999, p.268).
2001
2001, p.31).
12
IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"O disco de Sabante e a influência da arte asturiana na área galaico-portuguesa", Carlos Alberto Ferreira de Almeida. In Memoriam, vol. II, pp.261-274 REAL, Manuel Luís Edição 1999 Porto
2000 anos de Arte em Portugal PEREIRA, Paulo Edição 1999 Lisboa
História da Arte em Portugal - O Românico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 2001 Lisboa
"Inscrições romanas de Balsemão", Beira Alta, vol.41, pp.257-268 VAZ, João Luís da Inês Edição 1982 Viseu
O legado islâmico em Portugal TORRES, Cláudio, MACIAS, Santiago Edição 1998 Lisboa
Capela de São Pedro Balsemão TEIXEIRA, Ricardo Jorge Coelho Marques Abrantes Edição 2003 Lisboa
Arte visigótica em Portugal ALMEIDA, Fernando de Edição 1962 Lisboa
"Contribuição para o estudo dos testemunhos pré-românicos de Entre-Douro-e-Minho ajimezes, gelosias e modilhões de rolos", Actas do Congresso Internacional, IX Centenário da Dedicação da Sé de Braga, Vol. I, pp.101-145 BARROCA, Mário Jorge Edição 1990 Braga
A arquitectura pré-românica em Portugal. São Pedro de Balsemão e São Pedro de Lourosa PESSANHA, José Edição 1927 Coimbra
"Arte visigótica", História de Portugal, dir. Damião Peres, Barcelos, Portucalense, 1928, pp.363-388 CORREIA, Vergílio Edição 1928
Três túmulos CORREIA, Vergílio Edição 1924 Lisboa
A igreja de Lourosa da Serra CORREIA, Vergílio Edição 1912 Lisboa
"Arte visigótica", História da Arte em Portugal, vol. I, 1986, pp.149-169 HAUSCHILD, Theodor Edição 1986 Lisboa
A igreja pré-românica de São Pedro de Lourosa, Dissertação de Mestrado em Arte, Património e Restauro FERNANDES, Paulo Almeida Edição 2002 Lisboa
"Eclectismo. Classicismo. Regionalismo. Os caminhos da arte cristã no Ocidente peninsular entre Afonso III e al-Mansur", Muçulmanos e Cristãos entre o Tejo e o Douro (sécs. VIII a XIII), pp.293-310 FERNANDES, Paulo Almeida Edição 2005 Palmela
História da Arte em Portugal LACERDA, Aarão de Edição 1942 Porto
"L'art pre-roman au Portugal", XVI Congrès International d'Histoire de l'Art, pp.125-140 MONTEIRO, Manuel Edição 1949 Lisboa
A escultura em Portugal, vol.1 SANTOS, Reynaldo dos Edição 1948 Lisboa
Iglesias mozárabes GÓMEZ-MORENO, Manoel Edição 1919 Madrid
Igreja de São Pedro do Balsemão: algumas notas BOTELHO, Simão Morais Edição 1977 Lamego

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