Esta capela, pertencente à Confraria de Nossa Senhora da Esperança, foi mandada edificar em 1586 pelo Padre Francisco Gonçalves. O alpendre que precede o templo foi construído posteriormente, bem como o programa decorativo do interior, que data já do século XVII.
Esta pequena capela de gosto chão apresenta uma planimetria longitudinal bastante prolongada, composta pelos volumes diferenciados do alpendre, da nave e da capela-mor, à qual foram adossadas do lado do Evangelho a sacristia e a torre sineira.
O alpendre, precedido por escadaria e gradeado, é suportado por um conjunto de pilares e duas colunas, apresentando uma dimensão semelhante à do corpo da nave. Antecede o portal principal em arco de volta perfeita, ladeado por duas pequenas janelas e encimado por lápide com inscrição referente à fundação da capela: "Esta casa he da invocaçam de Nossa Senhora da Speraça a que mandou fazer o Padre Francisco Goncalvez 1586".
O interior é composto pelos espaços diferenciados da nave única e da capela-mor, mais baixa e estreita. Todo o corpo é decorado com painéis de azulejos de padrão seiscentistas, de tipo maçaroca no primeiro registo das paredes, e de tipo laçaria no registo superior. O tecto de caixotões de madeira que abrange todo o espaço da nave até ao arco triunfal é pintado com pinturas policromas, representando a genealogia de Jesus, segundo o Evangelho de São Mateus.
Os retábulos colaterais e a talha que adorna o arco triunfal, em estilo nacional, foram executados em 1718 pelos imaginários Francisco Rebelo e Manuel Ribeiro, segundo indica o contrato celebrado em 3 de Maio desse ano entre os mestres e a Confraria de Nossa Senhora da Esperança. O retábulo-mor, executado na mesma época segundo o mesmo gosto, apresenta tribuna central e trono, onde alberga a imagem da padroeira, esculpida em pedra de Ançã e datada do final do século XVI, época de fundação do templo.
No espaço interior destaca-se ainda a imagem em pasta do Ecce Homo executada em 1655 por Manuel Siqueira de Macedo, juiz da confraria, e pintada por António Rodrigues dos Chãos. Durante vários anos, por falta de segurança da capela, esta imagem foi guardada na casa do seu autor; aquando da sua morte, em 1673, a viúva restituiu a imagem ao espaço da capela.
Catarina Oliveira
GIF/IPPAR/ 26 de Julho de 2005
Diploma de Classificação
Decreto n.º 251/70, DG, I Série, n.º 129, de 3-06-1970 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público