A carregar dados...

Logótipo MCJD PCI
Logótipo MCJD PCI

Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja da Atalaia, com pórtico renascença e um conjunto interno a que dão realce azulejos do princípio do séc. XVII

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja da Atalaia, com pórtico renascença e um conjunto interno a que dão realce azulejos do princípio do séc. XVII
Outras Designações
Igreja Paroquial de Atalaia / Igreja de Nossa Senhora da Assunção (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Mandada edificar cerca de 1528 por D. Pedro de Meneses, conde de Cantanhede, a igreja matriz da Atalaia, dedicada a Nossa Senhora da Assunção, é possivelmente o primeiro templo português a empregar uma "nova imagem espacial", desenvolvida depois das experiências com as tipologias intermédias entre o gótico mendicante e o classicismo - como os casos das matrizes de Caminha e de Vila do Conde (MOREIRA, Rafael, p. 341). A sua traça foi elaborada por João de Castilho, sendo os programas decorativos do portal principal e do arco cruzeiro da autoria de João de Ruão, naquela que é uma das primeiras obras feitas pelo mestre normando em Portugal.
O templo da Atalaia possui planta longitudinal, com uma curiosa fachada dividida em 5 panos, uma vez que os panos laterais possuem empenas curvas com arcos de passagem de volta perfeita. Os cunhais do templo são rematados por contrafortes coroados por pináculos. O corpo central da fachada é destacado, possuindo quatro registos; no primeiro foi aberto o portal principal, o segundo possui uma janela perspectivada, e os dois últimos são constituídos pela torre sineira. Esta fachada que actualmente conhecemos na matriz da Atalaia não corresponde à edificação original, uma vez que foi muito alterada pelo restauro efectuado nos anos 30 do século XX. O elemento que merece maior destaque é efectivamente o portal, elaborado por João de Ruão, cuja composição apresenta duas pilastras, com nichos que albergam as figuras de São Pedro e São Paulo, enquadrando arco de volta perfeita encimado por entablamento repleto de motivos grotescos que ladeiam a pedra de armas de D. Pedro de Meneses. Quatro medalhões foram esculpidos com bustos, dois ladeando o arco, com as figuras de um jovem e um guerreiro, outros inseridos na base das pilastras, mostrando um homem e uma mulher. Este portal-retábulo demonstra um "pleno conhecimento do clássico" (SERRÃO, Vítor, 2002, p.148), sendo evidentes as semelhanças que apresenta com outras obras do mestre João de Ruão, como o retábulo evocativo da Senhora da Misericórdia, elaborado para integrar a capela funerária de D. Jorge de Meneses em Varziela, ou o primeiro registo da Porta Especiosa da Sé Velha de Coimbra, erigida no final da década de trinta do século XVI.
Interiormente, a igreja divide-se em três naves de cinco tramos, com cobertura de madeira em três panos, e púlpito do lado do Evangelho, datado de 1674. As colunas jónicas que suportam os arcos da nave central não possuem qualquer decoração, à excepção das adossadas ao arco da capela-mor, que no seu capitel apresentam um modelo decalcado da obra Medidas del Romano de Diego de Sagredo, publicada em Toledo em 1526. No topo das paredes da nave central, intercalando com as janelas que iluminam o templo, foram colocados painéis de azulejo seiscentistas, figurando cenas do Antigo Testamento. As naves laterais são cobertas por silhares de azulejos enxadrezados ao nível do rodapé, sobre os quais foram colocados painéis semelhantes aos da nave central, com cenas do Novo Testamento. Na nave lateral do lado do Evangelho foi colocado o túmulo de D. José Manuel, segundo cardeal patriarca de Lisboa.
A capela-mor, coberta por abóbada de nervuras enquadrando o brasão do instituidor, típica das obras dos Castilho, possui arco formeiro decorado por motivos grotescos, com florões e candelabros. O retábulo de talha dourada setecentista colocado na capela-mor foi retirado durante o restauro do século XX, subsistindo uma imagem da Virgem com o Menino, possivelmente elaborado no início do século XVI.
A igreja matriz da Atalaia é uma obra experimental, onde se busca já alguma simetria e racionalidade no espaço edificado, embora este resulte algo rudimentar e empregue ainda soluções manuelinas, mas de que se destaca o programa ornamental ao romano, naquela que é considerada a mais inovadora obra do mestre escultor João de Ruão.
Catarina Oliveira
IPPAR/2004
Diploma de Classificação
Decreto n.º 11 453, DG, I Série, n.º 35, de 19-02-1926 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP n/a
Afectação 9913229
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Santarém / Vila Nova da Barquinha / Atalaia
EN 116
Atalaia -
Polícia:
LATITUDE
39.482837
LONGITUDE
-8.450326
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1526
1526.
1528
1528 por D.
1674
1674.
1926
1926 (ver Decreto) Mandada edificar cerca de 1528 por D.
2002
2002, p.148), sendo evidentes as semelhanças que apresenta com outras obras do mestre João de Ruão, como o retábulo e...
2004
2004
6
IMAGENS
8
BIBLIOGRAFIAS
PCIP Logo
Acesso Móvel
QR Code

Aponte a câmara do telemóvel para aceder a esta ficha no imediato.

Partilhar Património

Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"A igreja de Atalaia e a primeira época de João de Ruão", Revista Biblos, vol. 43 GONCALVES, António Nogueira Edição 1974 Coimbra
A escultura de Coimbra - do Gótico ao Maneirismo DIAS, Pedro Edição 2003 Coimbra
Manuelino. À descoberta da arte do tempo de D. Manuel I DIAS, Pedro Edição 2002 Lisboa
História da Arte em Portugal - o Renascimento e o Maneirismo SERRÃO, Vítor Edição 2002 Lisboa
Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Santarém SEQUEIRA, Gustavo de Matos Edição 1949 Lisboa
"Arquitectura: renascimento e classicismo", História da Arte Portuguesa, vol. II, 1995, pp. 303-375 MOREIRA, Rafael Edição 1995 Lisboa
A Igreja Matriz da Atalaia, Boletim da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, n.º 24 DGEMN - Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais Edição 1941 Lisboa
A Arquitectura "ao Romano" CRAVEIRO, Maria de Lurdes Edição 2009 Vila Nova de Gaia

Galeria de Imagens

Visualização Geográfica

Imóveis nas Proximidades

Exploração Geográfica
Quinta da Cardiga
Quinta da Cardiga

Golegã

Ver Ficha
Central Elétrica do Entroncamento, incluindo o património móvel integrado
Central Elétrica do Entroncamento, incluindo o património móvel integrado

Entroncamento

Ver Ficha
Igreja de Nossa Senhora da Conceição, Matriz de Tancos, incluindo o seu recheio, nomeadamente os azulejos, retábulos de talha com pinturas que revestem o seu interior, esculturas e pinturas ainda existentes
Igreja de Nossa Senhora da Conceição, Matriz de Tancos, incluindo o seu recheio, nomeadamente os azulejos, retábulos de talha com pinturas que revestem o seu interior, esculturas e pinturas ainda existentes

Vila Nova da Barquinha

Ver Ficha
Igreja da Misericórdia de Tancos
Igreja da Misericórdia de Tancos

Vila Nova da Barquinha

Ver Ficha