Nota Histórico-Artistica
A grandiosa igreja matriz de São Pedro da Gafanhoeira, que se impõe na malha urbana desta localidade alentejana, é uma reconstrução do final do século XVI, que visava substituir uma outra, mais antiga, e da qual se conservou a cabeceira. Esta, coberta por abóbada de cruzaria, apresenta pedras de fecho redondas, decoradas por cordas e motivos florais.
Na verdade, a documentação registava, já em 1534, notícias do mau estado em que se encontrava a igreja primitiva. Não se conhece a data do início das obras de edificação do novo templo, que já estava em construção no ano de 1586, sob a protecção do então Arcebispo de Évora, D. Teotónio de Bragança.
A fachada principal termina em frontão triangular com óculo no tímpano, e é lateralmente definida por pilastras de cantaria, coroadas por pináculos piramidais. Ao centro, o portal de verga recta é encimado por frontão circular interrompido pelas insígnias de São Pedro, a quem a igreja é dedicada. Os alçados laterais são marcados pelos contrafortes de granito que, à semelhança dos cunhais, são coroados por pináculos piramidais.
No interior, a nave é coberta por abóbada de meio canhão com caixotões geométricos, dividindo-se em três tramos cujos arcos são apoiados por mísulas. Estas, e o baptistério, encontram-se hoje caiados mas já tiveram pintura a fresco.
Para além do púlpito, ganham especial interesse os altares colaterais. O do lado do Evangelho, dedicado a Nossa Senhora do Rosário, apresenta retábulo de talha barroca e, no chão, a única tampa de sepultura do templo, com a data de 1674, pertencente a um sacerdote de origem irlandesa, Patrício de Velois. Do lado oposto, o altar de São Miguel é de época anterior. O retábulo-mor seiscentista foi apeado em 1950 e substituído pela composição que hoje se observa.
Assim, à campanha de obras do final do século XVI, de características maneiristas, principalmente no interior, sucedeu, de imediato, uma campanha decorativa, cujos elementos, nomeadamente alguns dos retábulos, foram sendo depois substituídos por outros mais actualizados.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Portaria n.º 211/2015, DR, 2.ª série, n.º 72, de 14-04-2015 (ver Portaria)
Procedimento (indevidamente) prorrogado até 31-12-2011 pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30 de Dezembro (ver Despacho)
Despacho de homologação de 3-06-2003 do Ministro da Cultura
Parecer favorável de 7-05-2003 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de 26-08-1999 da DR de Évora do IPPAR para a classificação como IIP
Despacho de abertura de 4-03-1997 do vice-presidente do IPPAR
Proposta de classificação de 27-02-1997 da DR de Évora do IPPAR
Em 20-10-1986 o IJF informou que merecia classificação
Número do Processo
Não disponível