Nota Histórico-Artistica
A antiga igreja paroquial de Nossa Senhora da Represa, situa-se na Herdade do mesmo nome, já conhecida no século XIII, em documento de doação do rei D. Sancho II, ao Bispo de Évora, com a designação de herdade de Arraiolos (ESPANCA, 1975, p.352).
É enquadrada por casario e, frente ao portal axial encontra-se cruzeiro de granito, algo atarracado.
Este templo merece destaque, não tanto pela sua arquitectura, comum no aro de Évora, mas por possuir um interessante conjunto de pintura mural, setecentista, bem como revestimento azulejar da centúria anterior.
Desconhecemos a data da fundação deste templo, bem como o autor do risco; porém, muito provavelmente, data dos inícios do século XVI, já que foi visitada em 1534, por ordem do Cardeal D. Afonso.
Esta igreja, com campanhas de obras entre os séculos XVI/XVIII, enquadra-se numa tipologia de planta, de grande simplicidade, comum a grande número de igrejas rurais alentejanas. A fachada axial é antecedida por galilé, de arcos de volta inteira. Na fachada oposta, exterior da ábside, encontramos interessante composição heráldica, provavelmente do século XVIII, pintada no tradicional vermelho decorativo, designado roxo-rei, cujo elemento central é uma cartela, com cruz de representação heráldica da ordem de Santiago. A cartela é sustentada por putti e rematada superiormente por querubim.
O acesso ao templo faz-se por portal, de verga rectangular. A nave, única, de módulo rectangular, é coberta por abóbada de berço, apoiada em contrafortes, na face sul, dispondo de várias dependências - sacristia, arrecadação, escadas de acesso ao terraço do alpendre - na face oposta. A rematar, capela-mor, de planta quadrada, com retábulo de talha dourada e policromada da época barroca, de transição do estilo nacional para o joanino.
Interiormente esta igreja alberga um interessante conjunto de azulejaria seiscentista, com padrões florais e geométricos, cuja encomenda data, provavelmente, do primeiro terço do século XVII.
Este conjunto articula-se com as outras artes, destacando-se a talha dourada dos altares e especialmente o conjunto de pinturas murais, que se encontram nos alçados laterais do coro de baixo. Estas composições, de carácter profano, contemporâneas do reinado de D. João V, narram temas da vida quotidiana rural, alguns de carácter anedótico, onde encontramos cenas de caça a cavalo e a pé, pastores, lavadeiras, cavaleiro arremessado do cavalo, bem como ilegíveis legendas em latim, que talvez ajudassem a perceber o porquê da presente temática, num templo. Porém, estas pinturas, apesar do seu carácter ingénuo, são de grande importância não só pela raridade destes temas na pintura mural, mas também pelo seu interesse documental.
Ana Maria Borges, DRCA, Junho de 2009
Diploma de Classificação
Portaria n.º 8/2015, DR, 2.ª série, n.º 4, de 7-01-2015 (ver Portaria)
Anúncio n.º 91/2014, DR, 2.ª série, n.º 75, de 16-04-2014 (ver Anúncio)
Parecer favorável de 3-02-2014 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 18-12-2013 da DRC do Alentejo para a classificação como MIP
Anúncio n.º 328/2013, DR, 2.ª série, n.º 206, de 24-10-2013 (ver Anúncio)
Despacho de 26-07-2013 do Secretário de Estado a Cultura a determinar a abertura de novo procedimento de classificação
Despacho de concordância de 24-07-2013 da diretora-geral da DGPC
Proposta de 17-07-2013 da DRC do Alentejo para a abertura de novo procedimento de classificação
Procedimento caducado nos termos do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma) , alterado pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, DR, 1.ª série, n.º 251, de 28-12-2012 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Despacho de abertura de 21-07-1986
Número do Processo
Não disponível