Nota Histórico-Artistica
A ermida de Santa Catarina do Aivado situa-se na Quinta do mesmo nome, nos arredores de Évora, em zona de pequena elevação, na proximidade de ribeira e de ruínas de pequena ponte. Na sua proximidade ficava ainda a casa do ermitão e um pouco mais distante, ficavam os montes, hoje em ruínas.
O templo, fundado no início do século XVI, inclui-se na tipologia de ermidas alentejanas do gótico final, de uma só nave, antecedida por alpendre, hoje inexistente e com cobertura de abóbada de nervuras. Apesar de muito arruinada, conserva pinturas murais de grande interesse.
De pequenas dimensões e marcada horizontalidade, apresenta planta rectangular, de uma enorme simplicidade e cobertura homogénea em telhado de duas águas. Na fachada, rasga-se portal em arco ligeiramente ultrapassado; superiormente restam as mísulas de suporte do alpendre. As fachadas laterais são cegas, sendo o portal a única fonte de iluminação do templo, que mostra, como outros, a adaptação à forte luminosidade mediterrânica. A cobertura, como é comum nas igrejas do gótico final alentejano, é de nervuras, que descansam em mísulas esculpidas, embebidas nas paredes.
A esta extrema simplicidade alia-se no interior do templo composição mural, de grande originalidade, intensamente colorida e de carácter narrativo. O retábulo-mor conserva uma grande composição, em dois registos, com emolduramentos de motivos fitomórficos. No registo superior o Calvário - Cristo na cruz, ladeado por S. João Evangelista e pela Virgem Maria, mostrando ainda, na linha do horizonte, casario e torres, sugerindo Jerusalém; no registo inferior Santa Catarina, coroada, envolta em manto aberto.
Os alçados laterais mostram-nos, do lado do Evangelho, a representação de S. Tiago aos Mouros, numa cena de grande movimento, com o santo guerreiro, a cavalo, de capa vermelha esvoaçante e ao fundo, do lado direito, junto a edifício ameado, dois guerreiros mouros, de turbantes e barbas enroladas, empunhando lanças e escudos.
Apesar do avançado estado de degradação, o edifício mostra-se muito interessante, quer pela simplicidade arquitectónica, quer pela originalidade e antiguidade das pinturas murais.
Ana Maria Borges, DSBC, Junho de 2009
Diploma de Classificação
Portaria n.º 248/2013, DR, 2.ª série, n.º 79, de 23-04-2013 (ver Portaria)
Procedimento prorrogado até 30-06-2013 pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, DR, 1.ª série, n.º 251, de 28-12-2012 (ver Diploma)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 21-11-2012 da diretora-geral da DGPC
Procedimento prorrogado pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Anúncio n.º 15182/2011, DR, 2.ª série, n.º 203, de 21-10-2011 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 11-04-2011 do diretor do IGESPAR, I.P.
Parecer favorável de 30-03-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Proposta de 20-11-2009 da DRC do Alentejo para a classificação como de IP
Edital de 12-07-2007 da CM de Évora
Despacho de abertura de 15-05-2007 do presidente do IPPAR
Proposta de 10-05-2007 da DR de Évora do IPPAR para a abertura de procedimento de classificação
Proposta de classificação de 15-05-1990 do proprietário
Em 11-11-1986 a CM de Évora enviou documentação para instrução do processo de classificação
Em 4-08-1986 foi solicitado à CM de Évora o envio de documentação para instrução do processo de classificação
Proposta de classificação de 21-04-1986 do IJF
Número do Processo
Não disponível