Nota Histórico-Artistica
O território abrangido na actualidade pelo município de Marco de Canaveses possui variados testemunhos da passagem de diferentes comunidades humanas ao longo dos tempos, certamente atraídas pelos excelentes recursos cinegéticos que sempre proporcionou à sua sobrevivência e fixação, como comprovam exemplarmente as escavações realizadas na "Área Arqueológica do Feixo". Disso são exemplo a fertilidade dos seus campos, irrigados por inúmeros recursos hídricos, que acabaria por ditar a principal actividade económica das populações neles residentes, ou seja, a agricultura. E foi a par desta característica, que a localização privilegiada da região lhe permitiu acolher algumas das mais importantes feiras medievais do território português, cuja realização era sobremodo facilitada pelas diferentes vias que atravessavam o seu termo (MONTEIRO, E., 1997, p. 119).
Uma particularidade que enraizaria já em pleno período medieval, ao longo do qual se ergueram múltiplos edifícios, com destaque para os solares brasonados.
Mas foi também o caso de templos construídos antes do início do processo de formação da nacionalidade, assim como durante a sua consolidação, como testemunha a "Igreja do Mosteiro de Alpendurada", ou "Igreja de S. João Baptista", seu orago.
Embora o Convento beneditino de S. João Baptista (de Alpendurada) tenha recebido couto em 1123, das mãos de D. Teresa, num acto confirmado por D. Afonso Henriques (1109-1185) volvida que estava apenas uma década, a igreja foi sagrada muito antes, em 1065, pelo bispo do Porto D. Sisnando Viegas.
O conjunto seria, contudo, objecto de uma vasta série de vicissitudes culminada, no final de quinhentos, com a transferência do seu recheio para o convento de S. Bento da Vitória, na cidade do Porto, permanecendo num quase total estado de abandono até que, passados doze anos, o abade Frei Jerónimo Freire decidiu reocupá-lo, mandando executar, para o efeito, uma ampla campanha de obras de reconstrução que ditou o amplo desvirtuamento do traçado românico do estaleiro original e subsequentes intervenções já filiadas no gótico.
Desta campanha seiscentista resultou, entre múltiplos aspectos, e já na centúria subsequente, a reconstituição da igreja conventual à luz dos paradigmas arquitectónicos e da gramática decorativa barroca que a dotou de altar na capela mor (separada do restante corpo do templo por grande arco triunfal), assim como de retábulos colaterais executados em talha dourada profusamente decorada.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Portaria n.º 402/2013, DR, 2.ª série, n.º 117, de 20-06-2013 (ver Portaria)
Procedimento prorrogado até 30-06-2013 pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, DR, 1.ª série, n.º 251, de 28-12-2012 (ver Diploma)
Anúncio n.º 13436/2012, DR, 2.ª série, n.º 182, de 19-09-2012 (ver Anúncio)
Parecer de 19-12-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura a propor a classificação como MIP do Mosteiro de Alpendurada, incluindo a igreja e sacristia
Procedimento prorrogado pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Proposta de 12-09-2011 da DRC do Norte para a classificação da Igreja e Mosteiro de Alpendorada como MIP
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Proposta de 13-06-2003 da DR do Porto do IPPAR para a classificação como MIP
Despacho de abertura de 28-02-2001
Proposta de 23-02-2001 da DR do Porto do IPPAR para abertura do processo de classificação da Igreja do Mosteiro de Alpendorada
Processo iniciado em 16-12-1980
Número do Processo
Não disponível