Nota Histórico-Artistica
A localidade de São João da Ribeira tem maior antiguidade que a feição actual da sua igreja matriz permite supor. Ela remonta, pelo menos, aos finais do século X, altura de uma discutida doação dos seus proprietários, D. Telo e sua mulher D. Múnia, ao mosteiro compostelano de Antealtares, instituição que viria a ter um papel decisivo no desenvolvimento da localidade nos século seguintes (ALVES, 1982, p.63).
Os vestígios mais antigos que, na actualidade, podemos identificar na igreja remontam à época final do Românico. Sabemos que, em 1136, o mosteiro de Antealtares e o arcebispo de Braga entraram em negociações pela posse plena desta parcela de território, sendo de supor que, nas décadas seguintes, o templo tivesse sido objecto de uma profunda reforma. Infelizmente, também do período românico temos um conhecimento fragmentário, uma vez que o edifício então edificado foi, também ele, objecto de grandes alterações na época moderna.
As duas portas laterais são os melhores testemunhos da obra românica. A do lado Sul compõe-se de duas arquivoltas apontadas, de diferentes dimensões - a exterior descarregando directamente na caixa murária e a interior assentando em duas colunas de capitéis vegetalistas; as impostas, igualmente diferenciadas entre si, são decoradas inferiormente por meias esferas, enquanto que, ao centro do portal, existe um tímpano liso. A porta Norte é ainda mais esquemática, de arco de volta perfeita definido por duas arquivoltas que assentam no muro. O tímpano é igualmente liso e a decoração resume-se à imposta nascente, onde se esculpiram sumários círculos.
A obra românica deixou ainda outros vestígios na planimetria do templo (que deve corresponde, genericamente, a essa altura, apresentando nave única relativamente curta e capela-mor rectangular, mais baixa e de menor secção que o corpo) e na cachorrada que corre nas fachadas laterais e que suportam o telhado. Esta, integra modilhões maioritariamente lisos, articulados com frustes decorações geométricas.
Todas estas características denotam uma campanha bastante tardia, verdadeiramente "de resistência" em relação às fórmulas artísticas góticas então já em voga, e que se pode situar em pleno século XIII (ALMEIDA, 1987, p.107) ou, mesmo, na segunda metade da centúria (AMARAL, 2000, DGEMN on-line).
No século XVIII, o templo foi objecto de uma profunda mudança. A fachada principal foi delimitada por pilastras-cunhais e o portal axial passou a ser de arco recto sobrepujado por cornija, a que se sobrepôs um janelão barroco disposto verticalmente. Do lado Sul da frontaria, adossou-se um campanário de dois registos e com arco sineiro a pleno centro. No interior, as alterações foram igualmente assinaláveis. Junto à fachada principal, edificou-se o coro-alto, que assenta sobre arco abatido e que contém um órgão e balaustrada a protegê-lo. O púlpito localiza-se do lado do Evangelho e é de caixa rectangular assente sobre mísula de pedra. Perto do arco triunfal existem duas capelas idênticas, abertas de cada lado da nave, com acesso por arco de volta perfeita e dotadas de retábulos de talha policromada. O arco triunfal é ladeado por dois retábulos de talha, situáveis estilisticamente na transição para o modo joanino (IDEM), e encontra-se encimado axialmente por um oratório com a representação da Santíssima Trindade. A capela-mor mantém a planta rectangular e ornamenta-a um retábulo semelhante aos laterais, de maiores dimensões. O interior do corpo e da ábside é coberto por tecto de madeira de caixotões.
Esta longa lista de obras, a que poderíamos ainda acrescentar os trabalhos realizados na sacristia, revelam como a época barroca incidiu sobre os principais elementos do templo, reservando as pré-existências para as zonas periféricas, neste caso as fachadas laterais. Tudo o resto foi alvo de modificação, numa acção que pretendeu modernizar e actualizar liturgica- e artisticamente o espaço religioso.
PAF
Diploma de Classificação
Portaria n.º 624/2020, DR, 2.ª série, n.º 203, de 19-10-2020 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 12-02-2020 da diretora-geral da DGPC
Anúncio n.º 155/2019, DR, 2.ª série, n.º 175, de 12-09-2019 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 24-07-2019 da diretora-geral da DGPC
Parecer favorável de 8-05-2019 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 30-10-2017 da DRC do Norte para a classificação como MIP
Anúncio n.º 348/2013, DR, 2.ª série, n.º 215, de 6-11-2013 (ver Anúncio)
Despacho de 17-09-2013 da diretora-geral da DGPC a determinar a abertura de novo procedimento da classificação
Proposta de 25-06-2013 da DRC do Norte para a abertura de novo procedimento de classificação
Anúncio n.º 13780/2012, DR, 2.ª série n.º 245, de 19-12-2012 (ver Anúncio)
Despacho de arquivamento de 16-11-2012 da diretora-geral da DGPC, com fundamento na existência de deficiências de instrução consideradas insanáveis em tempo útil
Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Despacho de abertura de 27-11-2000 do vice-presidente do IPPAR
Proposta de abertura de 21-11-2000 da DR do Porto do IPPAR
Número do Processo
Lugar Igreja