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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Torre de Malheiros, também denominada «Torre das Malheiras» ou «Torre de Refóios»

Arquitectura Militar / Torre

Designação
Designação Atual
Torre de Malheiros, também denominada «Torre das Malheiras» ou «Torre de Refóios»
Outras Designações
Torre de Malheiros / Torre de Malheiras / Torre de Refóios (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Torre
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A torre de Refoios do Lima é um dos melhores (e mais precoces) exemplos conservados de uma tipologia específica de habitação senhorial conhecida por domus fortis . Caracteriza-se por uma torre isolada, "inspirada nas torres de menagem dos castelos", e foi utilizada "sobretudo por pequenas linhagens, em processo de ascensão social", datando os primeiros exemplos ainda do século XII (ALMEIDA e BARROCA, 2002, pp.103-105).
Infelizmente, não se conhece ainda suficientemente bem a história desta torre, não tendo sido possível identificar a estirpe que promoveu a sua construção, nem sequer a data mais ou menos específica em que tal empreitada teve lugar. No século XII, D. Afonso Henriques doou as terras de Refoios a Mem Afonso - em 1124 segundo Fr. António Brandão, ou já em 1157, de acordo com José Mattoso (Cf. SILVA, 1995, pp.50 e 71, nota 20). Não se sabe, todavia, se foi a partir desse acto que se edificou a torre, uma vez que as opiniões mais consensuais situam o seu aparecimento só na Baixa Idade Média. Também a lenda que a liga à figura de D. Afonso de Ancemondes, companheiro do Conde D. Henrique e patrocinador do mosteiro de Refoios do Lima, deve ser encarada com grandes reservas, uma vez que não está provada qualquer intervenção deste nobre na sua existência.
São muitas as opiniões contrárias acerca da sua cronologia exacta. Durante anos, pensou-se que dataria do final do século XIV, análise defendida por Carlos de Azevedo, que identificou algumas semelhanças com a vizinha Torre da Giela (AZEVEDO, 1969, p.165, a partir de GUERRA, 1925). O facto desta última datar já do século seguinte, na sequência da instituição do viscondado de Cerveira, certamente obrigou a arrastar a cronologia da de Refoios e assim a encontramos catalogada, em 1987, como possível estrutura quatrocentista (ALMEIDA, 1987, p.116). Mais recentemente, as investigações de José Custódio Vieira da Silva levaram a recuar estas propostas, situando-a ainda na primeira metade do século XIII, antes das Inquirições de 1258. As analogias construtivas para com as Torres de Penegate (especialmente o "aparelho pseudo-isódomo e a inexistência de janelas ou balcão com matacães") e de Barbosa (SILVA, 1995, pp.50-51 e 170), colocam a domus fortis de Refoios num estado evolutivo ainda não plenamente gótico, o que contraria a tardia datação proposta pelos anteriores autores.
Com efeito, a Torre apresenta uma série de características que podemos considerar "arcaicas". De planta quadrangular, e de relativa baixa altura, é uma estrutura maciça de dois pisos, com acesso por porta única elevada. Esta, de arco apontado composto por largas aduelas, abre-se na fachada Sul e a ela se acede através de escadaria encostada ao alçado, formando um patim quadrangular sem protecções laterais (que deverão ter substituído o primitivo acesso de escada de madeira eventualmente recolhível). Os andares são exteriormente marcados por estreitas frestas, rasgadas axialmente nos panos murários, e o coroamento é feito por ameias quadrangulares. O sistema de aparelho utilizado reforça estas características pré-góticas, ao recorrer a fiadas relativamente irregulares, com silhares não muito bem aparelhados.
Não existe, aqui, qualquer sinal de refinamento estético (como as janelas e os balcões) característicos dos séculos da Baixa Idade Média; ao invés, a simplicidade e o aspecto maciço mais facilmente recordam as torres de menagem dos castelos românicos (isoladas no interior de pátios muralhados) que, propriamente, os paços góticos da nobreza fundiária nacional.
Na Idade Moderna, eventualmente no século XVII, construíram-se edifícios anexos, mais baixos e de carácter essencialmente agrícola. Recentemente transformados numa pequena unidade de turismo de habitação, estes edifícios mantiveram a torre como principal elemento do conjunto edificado, reforçando, desta forma, a sua importância histórica, mas também a sua relevância cenográfica na vasta área envolvente.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 2/96, DR, I Série-B, n.º 56, de 6-03-1996 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP Portaria n.º 817/99, DR, II Série, n.º 189, de 14-08-1999 (sem restrições)
Afectação 12707538
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Viana do Castelo / Ponte de Lima / Refóios do Lima
Quinta da Torre, nas proximidades do caminho de Penas
- -
Polícia:
LATITUDE
41.791126
LONGITUDE
-8.545639
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1124
1124 segundo Fr.
1157
1157, de acordo com José Mattoso (Cf.
1258
1258.
1925
1925).
1969
1969, p.165, a partir de GUERRA, 1925).
1987
1987, como possível estrutura quatrocentista (ALMEIDA, 1987, p.116).
1995
1995, pp.50 e 71, nota 20).
1996
1996 (ver Decreto) A torre de Refoios do Lima é um dos melhores (e mais precoces) exemplos conservados de uma tipolog...
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2002, pp.103-105).Infelizmente, não se conhece ainda suficientemente bem a história desta torre, não tendo sido possí...
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Paços Medievais Portugueses SILVA, José Custódio Vieira da Edição 1995 Lisboa
História da Arte em Portugal - o Gótico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, BARROCA, Mário Jorge Edição 2002 Lisboa
Alto Minho ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1987 Lisboa
Solares Portugueses - Introdução ao Estudo da Casa Nobre AZEVEDO, Carlos de Edição 1969 Lisboa
Monografia do concelho de Ponte de Lima AURORA, Conde de Edição 1946 Porto
Itinerários de Ponte de Lima REIS, António Matos Edição 1973 Ponte de Lima
"Do gótico ao manuelino no Alto Minho : monumentos civis e militares", Caminiana, nº12 ALVES, Lourenço Edição 1986 Caminha
Inventário Artístico da Região Norte - III (Concelho de Ponte de Lima) Edição 1974 Porto

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