Nota Histórico-Artistica
Com vestígios arqueológicos que atestam a presença de comunidades humanas no seu território desde o Paleolítico, numa confirmação de como os seus recursos naturais garantiam a sua sobrevivência e permanência ao longo dos tempos, o actual município de Torre de Moncorvo integra, entre outros, a "Igreja de Santo Apolinário, fonte e cruzeiro", localizada nas proximidades de Urros, sede de freguesia, terra de remota fundação e povoada em período anterior ao início do processo de formação da nacionalidade - ainda que repovoada ao tempo de D. Afonso Henriques (1109-1185), que a pretendeu transformar numa forte vila fronteiriça, conferindo-lhe foral em 1182 -, distribuindo-se entre cumes elevados e íngremes que a dominam fortemente, em plena região duriense e, em concreto, a Norte da margem direita do Rio Douro.
O templo em epígrafe, de invocação de Santo Apolinário (o "mártir de Ravena"), cujo culto se encontra fortemente enraizado na zona e sobre cujo martírio persistem diversas memórias, é de construção renascentista, embora tenha sido objecto de uma profunda intervenção barroca.
Transpondo o portal de verga recta rasgado no alçado principal culminado em empena truncada encimada por campanário de uma ventana sobrepujado por pináculos, acede-se ao interior da igreja, de nave única coberta por 55 caixotões em madeira pintados com motivos hagiográficos (do grego - 'Tratados dos Santos'). É aqui, no interior, que se pode admirar, a par do coro-alto, o púlpito erguido no lado do Evangelho; vestígios de pintura a fresco existentes na parede do lado da Epístola; altares laterais em talha dourada com colunas pseudo-salomónicas sobre as quais assentam arcos plenos concêntricos lavrados com elementos vegetalistas (folhas de acanto e parras) e cabeças de querubins; arco triunfal, de separação do corpo principal da nave da capela-mor, de volta plena, totalmente pintado, e, finalmente, a capela-mor, onde se encontra o túmulo com as relíquias de Santo Apolinário (colocado sobre caixão de xisto que se crê corresponder ao seu primitivo sepulcro), apresentado em forma de arca apoiada em quatro mísulas com a forma de cabeça de leão, ostentando estátua jacente e cenas da sua vida pintadas lateralmente. A capela alberga, ainda, altar-mor, executado em talha dourada, com representações da vida do Santo pintadas sobre madeira, cujo martírio é figurado nos 24 caixotões de madeira que forram o tecto da sacristia.
Integram o conjunto assim classificado, o "Cruzeiro de Nossa Senhora da Piedade", assim como a fonte implantada junto aos dois imóveis.
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Diploma de Classificação
Portaria n.º 443/2006, DR, II Série, n.º 49, de 9-03-2006 (ver Portaria)
Número do Processo
Não disponível