Nota Histórico-Artistica
Imóvel
A antiga Quinta da Família Bívar Cúmano corresponde a uma propriedade rural localizada no sítio do Rio Seco, a nordeste da cidade de Faro, encontrando-se hoje parcialmente cortada pela EN 125 (entre o Km 107.300 e o Km 107.400). A Sul e a Poente a quinta confrontava com a Ribeira do Rio Seco e, a Nascente, com a propriedade dos herdeiros de Manuel Amaro.
Hoje lamentavelmente em ruínas, esta propriedade associava, de forma exemplar, as áreas de produção agrícola com espaços de uma típica quinta de lazer e recreio do século XVIII, reunindo os valores da cultura local com elementos eruditos cortesãos. Do conjunto que seria formado por um imponente portal de entrada, casa de habitação da família, casa dos caseiros e um importante sistema hidráulico, apenas subsiste um portal secundário e um conjunto arruinado formado por tanque retangular e nora, apresentando, este tanque, um espaldar triangular ricamente decorado com elementos ornamentais de gesso em relevo, de gosto idêntico aos dois portais. Na decoração deste elemento destacam-se dois golfinhos policromados, ladeados por duas grandes volutas. Todo este trabalho de gesso faz parte da tradição de um artesanato algarvio com contaminações mais ou menos eruditas que se desenvolveu pelo menos desde o século XVI e de que o exemplo mais conhecido é a Casa das Figuras, classificada como Imóvel de Interesse Público. Junto à nora, no alinhamento do segundo portal, tem origem uma estrutura formada por alguns pilares de seção quadrada, rematados por um octógono formado pelos mesmos pilares, em que os lados diagonais (em relação aos primeiros pilares) formam bancos. Esta estrutura parece corresponder ao suporte de um caramanchão onde outrora se poderia desfrutar da sombra, da frescura e de uma vista panorâmica sobre a Ria Formosa e sobre os campos cultivados. A parte superior da estrutura que serviria de suporte ao caramanchão já não existe embora seja possível observar algumas marcas da sua presença nos pilares.
História
A presença de solos de boa capacidade agrícola, associada à disponibilidade de água, fizeram desta quinta uma importante área de regadio dedicada, sobretudo, à produção de hortícolas e arvenses que ocupavam a maior parte dos seus 4.4 hectares. O conjunto edificado remonta à segunda metade do século XVIII, embora alguns elementos sugerem terem existido construções anteriores, nomeadamente a presença de elementos de cantaria chanfrados habitualmente associados ao século XVI.
A família Bívar Cúmano adquire a quinta na centúria seguinte à da sua construção, ou seja já no século XIX, destinando-a a espaço de recreio dado que a sua residência principal era o Palácio Bívar, localizado no centro da cidade de Faro. A quinta mantém-se na posse desta família até 1974, sendo Ana Mafalda Paiva Simões Bivar Cúmano, residente em Lisboa, sua legítima proprietária. Em 1974 a propriedade é alvo de um complexo processo de expropriação que decorre até 1982 com o objetivo de proceder ao alargamento do traçado da EN 125. Apesar de ter sido uma das mais significativas quintas da Campina de Faro, em fevereiro de 1985 a Junta Autónoma de Estradas (JAE) inicia a demolição do portal monumental e da casa nobre de dois pisos com uma chaminé datada de 1768.
Maria Ramalho/DGPC/2016 com o contributo de Margarida Costa.
Diploma de Classificação
A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001
Decreto n.º 45/93, DR, I Série-B, n.º 280, de 30-11-1993 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível