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Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Dique ou represa para irrigação dos campos de Alvega entre Abrantes e Gavião

Arquitectura Civil / Dique

Designação
Designação Atual
Dique ou represa para irrigação dos campos de Alvega entre Abrantes e Gavião
Outras Designações
Dique dos campos de Alvega (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Dique
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A história de Alvega, no concelho de Abrantes, é indissociável da sua situação ribeirinha estratégica, e da sua condição de lezíria do Tejo. Aqui, a drenagem e rega de terrenos exigiram desde sempre o empenho humano, enquanto a possibilidade de navegação dos braços de rio proporcionava um motor para o desenvolvimento local. Aquando da conquista romana de Abrantes, ou Tubucci, em 130 a. C., Alvega (Ayre ou Aritium) era já um porto fluvial de destaque. Pela região passava a importante via militar romana XV, que ligava Lisboa (Olisipo) a Alvega, seguindo para Mérida (Emerita). Esta via seria servida por uma ponte-represa, situada no Casal da Várzea, entre Abrantes e o Gavião, da qual restam ainda algumas ruínas, a par de troços da calçada romana e de outros vestígios da ocupação.
A estrutura, que serviria a dupla função de ponte e de dique para retenção de águas destinadas à rega dos campos circundantes, encontra-se em avançado estado de ruína. A parte central do dique foi levada por uma cheia, que projectou à distancia blocos enormes da muralha, alguns destes ainda identificáveis há poucos anos. Restam portanto dois troços de muralha de cada lado da ribeira, acompanhando o declive acentuado do terreno. O dique era composto por duas muralhas, mais ou menos paralelas, com c. 1,5 m de largura cada uma, ligadas entre si por travamentos de 5 a 6 m de comprido, sendo o espaço interior preenchido com terra e pedras. A espessura total da muralha era de c. 9 metros, e a altura de 15 a 18 m. A muralha e a contrafortagem eram constituídos por alvenaria de lajes de xisto e argamassa.
Na foz da ribeira, onde esta desagua na lezíria, encontram-se restos de grandes pilares ou pegões, que poderão ter servido para sustentação de um canal de escoamento de águas, destinado à irrigação dos campos de Alvega. O aparelho construtivo é idêntico. Na base dos pilares ainda se identificaram as marcas de utilização do fórfex, espécie de gancho de metal utilizado para elevar os blocos de pedra, nos quais eram escavados dois orifícios de fixação em lados opostos. A utilização do fórfex é geralmente indicativa de uma cronologia romana, visto que o método foi posteriormente abandonado. Os pilares devem ser lidos em relação com o dique, apesar das centenas de metros que os separam. Assim se poderá compreender a referência que faz Francisco de Holanda, em 1571, a uma ponte romana sobre o Tejo, a montante de Abrantes: "Fizeram outra ponte magnífica, acima d'Abrantes, onde estão os pegões e montes de pedra, e esta quisera reedificar o Infante Dom Fernando (...)" (Francisco de HOLANDA, 1984, p. 26).
O conjunto ganha ainda mais interesse se for considerado em relação com os restantes vestígios romanos da zona, como o vicus do Aneirão (que durante muito tempo se imaginou corresponder à cidade romana de Aritium Vetus), na área do qual ainda restam arruamentos, muralhas, alicerces de casas e sepulturas, galerias subterrâneas, as ruínas de um possível aqueduto e os já referidos troços da calçada militar, para além de muita cerâmica e achados menores.
Sílvia Leite / DIDA / IGESPAR, I.P. / 17-08-2007
Diploma de Classificação
Em 24-09-2018 foi solicitada à CM de Abrantes informação sobre o processo de classificação
Enviada cópia do processo pelo Ministério da Cultura à CM de Abrantes em 3-05-2010 a fim de ponderar a conclusão do procedimento
Despacho de homologação de 11-03-1976
Parecer de 5-03-1976 da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a propor a classificação como VC
Despacho de homologação de 12-09-1974 do Secretário de Estado dos Assuntos Culturais e Investigação Científica
Parecer de 19-07-1974 da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da Junta Nacional de Educação a propor a classificação como VC
Despacho de homologação de 6-12-1949 do Subsecretário de Estado da Educação Nacional
Parecer de 19-11-1949 da 2.ª Subsecção da 6.ª Secção da Junta Nacional de Educação a propor a classificação como IIM
Processo iniciado em 1942
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Em Vias de Classificação
Em Vias de Classificação (Homologado como IM - Interesse Municipal)

ZEP n/a
Afectação 12707538
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Portalegre / Gavião / Gavião e Atalaia
Ribeira da Represa
- -
Polícia:
LATITUDE
39.457171
LONGITUDE
-7.994977
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1571
1571, a uma ponte romana sobre o Tejo, a montante de Abrantes: "Fizeram outra ponte magnífica, acima d'Abrantes, onde...
1942
1942 A história de Alvega, no concelho de Abrantes, é indissociável da sua situação ribeirinha estratégica, e da sua ...
1949
1949 do Subsecretário de Estado da Educação Nacional Parecer de 19-11-1949 da 2.ª Subsecção da 6.ª Secção da Junta Na...
1974
1974 do Secretário de Estado dos Assuntos Culturais e Investigação Científica Parecer de 19-07-1974 da 4.ª Subsecção ...
1976
1976 Parecer de 5-03-1976 da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a propor a classificação como VC Despacho de homologa...
1984
1984, p.
2007
2007
2010
2010 a fim de ponderar a conclusão do procedimento Despacho de homologação de 11-03-1976 Parecer de 5-03-1976 da 4.ª ...
2018
2018 foi solicitada à CM de Abrantes informação sobre o processo de classificação Enviada cópia do processo pelo Mini...
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Título Autor(es) Tipo Data Local
Da Pintura Antiga HOLANDA, Francisco de Edição 1984 Lisboa

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