Nota Histórico-Artistica
Sendo uma das mais graciosas vilas do Norte de Portugal (Guia de Portugal, 1983, p. 1019), Ponte de Lima beneficiou desde a mais Alta Antiguidade da sua localização estratégica no território peninsular, assumindo-se como ponto de cruzamento de vários caminhos, nomeadamente de uma das mais importantes vias militares lançadas ao tempo da conquista romana: a que unia Bracara Augusta (Braga) a Tuy (Pontevedra), ligando o actual território português à urbe de Santiago de Compostela. Uma via que acabaria por ser convertida no denominado "Caminho Português", ou seja, num dos traçados privilegiados da peregrinação àquela cidade galega (Cf. PORTUGAL, J. e TÉRRON, A. G., 1995).
Este posicionamento explicaria, em boa parte, o facto de Ponte de Lima ter albergado, na sua malha urbanística, múltiplos organismos de assistência, albergarias e hospitais fundamentais ao bem estar dos peregrinos que se dirigiam, justamente, a Santiago de Compostela (Cf. GRAÇA, L. e GRAÇA, J., 2002), enquanto assistia à multiplicação de igrejas e capelas.
Foi ainda junto à antiga muralha, no caminho de acesso ao (actual) centro histórico, num maciço sobranceiro à própria vila, que a "Capela das Pereiras" foi erguida no século XVI, numa época de particular fervor construtivo e, neste caso particular, em substituição de uma pequena ermida que existia no mesmo local.
Foi, no entanto, reconstruída em meados do século XVIII, após o terramoto de 1755, altura em que ocupou a quase totalidade da sua actual área. Não seria, contudo, a única vez em que o edifício, de planta longitudinal, seria objecto de intervenção arquitectónica (Inventário Artístico da Região Norte, 1974, p. 10).
Em 1818, o traçado inicial da nave única foi profundamente alterado, sendo-lhe acrescentada nova abside (de planta rectangular) e a sacristia - do lado esquerdo, à semelhança da quadrangular torre sineira -, cuja porta, a par do arco triunfal, ainda conservam vestígios de pintura polícroma. E é a esta mesma intervenção que remonta a fachada actual, com frontispício neoclássico (terminado em frontão contra-curvado com cruz latina), e à qual se acede por escadaria frontal de dois lanços, assim como através de uma segunda, lateral, de um só lanço.
[AMartins]
Diploma de Classificação
A classificação como VC foi convertida para IM nos termos do n.º 2 do art.º 112.º da Lei n.º 107/2001, publicada no DR, I Série-A, N.º 209, de 8-09-2001
Decreto n.º 28/82, DR, I Série, n.º 47, de 26-02-1982 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível