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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja e vestígios do Mosteiro de São Francisco do Monte

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja e vestígios do Mosteiro de São Francisco do Monte
Outras Designações
Mosteiro de São Francisco do Monte de Orgens / Convento de São Francisco do Monte / Igreja Paroquial de Orgens / Igreja de São Francisco (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Do antigo mosteiro de São Francisco do Monte de Orgens apenas subsiste a igreja, transformada em paroquial aquando da extinção das ordens religiosas, parte do refeitório, o lageado do claustro e os perfis da arcaria a Sul, confinante com o templo. Fundado em 1410 por Frei Pedro de Alemanços, natural da Galiza, este mosteiro franciscano teve a sua origem numa pequena ermida dedicada a São Domingos que existia no local onde foi depois levantada a igreja e as dependências. Ao longo das centúrias seguintes foi objecto de múltiplas intervenções arquitectónicas, decorativas e das próprias vivências, com a transferência dos religiosos para a cidade de Viseu, na primeira metade do século XVII. A década de 1740 veio trazer nova vida ao mosteiro, e a igreja que hoje conhecemos é a face ainda visível desta campanha de obras que revalorizou uma casa então bastante arruinada.
Estabelecidos os primeiros religiosos em Orgens, cedo a nobreza de Viseu beneficiou o mosteiro com donativos, tornando-se a sua igreja num dos espaços preferidos para enterramento destas famílias. Deve-se, no entanto, ao rei D. Afonso V a maior contribuição em esmolas e pedraria, que permitiram edificar a igreja e restantes dependências. Todavia, o relativo afastamento de Viseu, a necessidade de novas obras e a humidade do local, nefasta para os religiosos, veio a ditar a sua transferência para um novo convento, a construir na cidade. O primeiro requerimento a solicitar a mudança data de 1603, mas diversos problemas atrasaram a efectivação desta medida, apenas concretizada a 6 de Março de 1635, quando foi lançada a primeira pedra na Quinta de Mançorim. Entretanto, todos estes atrasos motivaram novas obras de conservação no antigo mosteiro, tendo-se mesmo refeito a capela-mor. Mas aqui só vieram a ficar oito religiosos e um presidente, funcionando o antigo mosteiro como oratório.
As obras sucedem-se em Orgens e em 1741, graças à esmola do Reverendo Manuel Ferreira, abade de Povolide, iniciou-se uma grande reforma de todos os espaços, que ficaria concluída em 1749. Foi autor do projecto o irmão arquitecto Frei Francisco de Jesus Maria, de Vila Real, construindo-se então três dormitórios de vinte celas, livraria, hospedaria, claustros com varandas no andar superior, e a igreja.
A fachada do templo enquadra-se no modelo de tantas outras destes religiosos, sendo definida por pilastras de aparelho rusticado, rematadas por fogaréus, nos cunhais, e apresentando arco abatido na galilé, sobrepujado por janelão do coro que, por sua vez, é enquadrado por nichos com a imagem de São Francisco e de São Domingos. No mesmo eixo central abre-se ainda um óculo e o frontão é contracurvado, com cruz na empena.
No interior, a nave única e a capela-mor, cobertas por abóbada de berço, articulam-se através de arco triunfal, sobre o qual se observa uma Crucificação ladeada pelas imagens de Nossa Senhora e São João, e em baixo o brasão do Reverendo Manuel Ferreira. Um lambril de azulejos de figura avulsa, certamente executado nas oficinas coimbrãs, cerca de 1745, percorre o espaço, no qual se destaca, ainda, o retábulo-mor, de talha dourada maneirista, atribuível ao entalhador local Francisco Lopes de Matos. Há também a assinalar os retábulos colaterais, de talha dourada, as capelas na nave abertas por arcos de pedraria, e o coro alto, com balaustres a que se sobrepõe, ao centro, uma maquineta com a imagem de São Francisco.
Com a extinção das ordens religiosas, em 1834, o edifício conventual e a cerca foram vendidos e depois praticamente demolidos. A igreja passou para a posse da paróquia, que ainda hoje a conserva. O processo de extinção regista um inventário de todas as peças existentes à época.
Uma referência final para o terreiro que antecede a igreja e onde se pode observar um cruzeiro com uma imagem de São Francisco datada de 1711, e a denominada fonte de ouro, inscrita num arcossólio quinhentista que pertencia, muito possivelmente, à igreja anterior.
(RC)
Diploma de Classificação
Portaria n.º 191/2013, DR, 2.ª série, n.º 69, de 9-04-2013 (ver Portaria)
Despacho de 28-01-2013 da diretora-geral da DGPC a alterar a designação para Igreja e vestígios do Mosteiro de São Francisco do Monte
Procedimento prorrogado até 30-06-2013 pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, DR, 1.ª série, n.º 251, de 28-12-2012 (ver Diploma)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 4-12-2012 da diretora-geral da DGPC
Anúncio n.º 13470/2012, DR, 2.ª série, n.º 187, de 26-09-2012 (ver Anúncio)
Procedimento prorrogado pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Despacho de concordância de 23-11-2011 do diretor do IGESPAR, I.P.
Parecer de 23-11-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura a propor a classificação como MIP da igreja, restos do Convento de que fazia parte, bem como do património integrado
Proposta de 7-09-2011 da DRC do Centro para a classificação da igreja e do património integrado como MIP
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Devolvido em 11-04-2006 à DR de Coimbra do IPPAR para juntar proposta de ZEP
Proposta de 7-08-1997 da DR de Coimbra do IPPAR para a classificação como IIP
Edital de 6-11-1996 da CM de Viseu
Despacho de abertura de 5-12-1991 do presidente do IPPC
Proposta de 11-10-1991 do IPPC para a abertura da instrução do processo de classificação da igreja
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MIP - Monumento de Interesse Público

ZEP Portaria n.º 191/2013, DR, 2.ª série, n.º 69, de 9-04-2013 (sem restrições) (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 4-12-2012 da diretora-geral da DGPC
Anúncio n.º 13470/2012, DR, 2.ª série, n.º 187, de 26-09-2012 (ver Anúncio)
Parecer favorável de 23-11-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 7-09-2011 da DRC do Centro
Afectação 12700426
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Viseu / Viseu / Orgens
-- -
Orgens -
Polícia:
LATITUDE
40.670298
LONGITUDE
-7.940085
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1410
1410 por Frei Pedro de Alemanços, natural da Galiza, este mosteiro franciscano teve a sua origem numa pequena ermida ...
1603
1603, mas diversos problemas atrasaram a efectivação desta medida, apenas concretizada a 6 de Março de 1635, quando f...
1635
1635, quando foi lançada a primeira pedra na Quinta de Mançorim. E
1711
1711, e a denominada fonte de ouro, inscrita num arcossólio quinhentista que pertencia, muito possivelmente, à igreja...
1740
1740 veio trazer nova vida ao mosteiro, e a igreja que hoje conhecemos é a face ainda visível desta campanha de obras...
1741
1741, graças à esmola do Reverendo Manuel Ferreira, abade de Povolide, iniciou-se uma grande reforma de todos os espa...
1745
1745, percorre o espaço, no qual se destaca, ainda, o retábulo-mor, de talha dourada maneirista, atribuível ao entalh...
1749
1749.
1834
1834, o edifício conventual e a cerca foram vendidos e depois praticamente demolidos.
1991
1991 do presidente do IPPC Proposta de 11-10-1991 do IPPC para a abertura da instrução do processo de classificação d...
1996
1996 da CM de Viseu Despacho de abertura de 5-12-1991 do presidente do IPPC Proposta de 11-10-1991 do IPPC para a abe...
1997
1997 da DR de Coimbra do IPPAR para a classificação como IIP Edital de 6-11-1996 da CM de Viseu Despacho de abertura ...
2006
2006 à DR de Coimbra do IPPAR para juntar proposta de ZEP Proposta de 7-08-1997 da DR de Coimbra do IPPAR para a clas...
2010
2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)Devolvido em 11-04-2006 à DR de Coimbra do IPPAR para junta...
2011
2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma) Despacho de concordância de 23-11-2011 do diretor do IGESPAR...
2012
2012, DR, 1.ª série, n.º 251, de 28-12-2012 (ver Diploma)Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 4-1...
2013
2013, DR, 2.ª série, n.º 69, de 9-04-2013 (ver Portaria) Despacho de 28-01-2013 da diretora-geral da DGPC a alterar a...
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Historia Serafica da Ordem dos Frades Menores de S. Francisco na Provincia de Portugal. SOLEDADE, Frei Fernando da, ESPERANCA, Frei Manuel da Edição
"Artistas e artífices nas dioceses de Lamego e de Viseu", Revista "Beira Alta". ALVES, Alexandre Edição
"Memórias do extinto Mosteiro de São Francisco do Monte de Orgens (Viseu)", Revista Millenium, nº 22, Abril de 2001 ALVES, Alexandre Edição 2001 Viseu
"O Convento de S. Francisco d'Orgens", Almanaque de Vizeu Ilustrado, 1884 LUCENA, Gabriel de Edição 1884

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