Nota Histórico-Artistica
Conjunto
O troço da linha do elétrico que vai desde a vila de Sintra (Estefânia) até à Praia das Maças, estende-se por cerca de 11 km, junto à estrada que liga a vila a Colares, seguindo depois até à costa. O conjunto integra estruturas de apoio e composições, nomeadamente o terminal da Ribeira que inclui garagem e oficina, esta última integrando a mina e a represa, o edifício da subestação do Banzão e o edifício da bilheteira da Praia das Maças.
A viagem dura 45 minutos e é efetuada a cerca de 15 Km por hora, correspondendo a um dos mais originais percursos turísticos existentes em Portugal, dando a conhecer não só a serra circundante, como a histórica localidade de Colares e as suas belezas costeiras. Por esta linha é ainda possível observar o interessante conjunto de arquiteturas de veraneio - moradias unifamiliares enquadradas por um extenso pinhal - que foram sendo construídas na zona entre Colares e a Praia das Maças, sobretudo entre os anos 30 a 40.
História
Foi em 1887 que, pela primeira vez, um comboio proveniente de Lisboa chegou a Sintra, ficando assim a vila para sempre ligada à capital, resultando num acréscimo de visitantes desejosos de conhecer as belezas da região. De modo a responder a esta necessidade a Câmara Municipal de Sintra promove, a 28 de setembro de 1890, a abertura de um concurso público para a construção da linha férrea.
A primeira fase da linha que ligou Sintra a Colares foi inaugurada a 31 de março de 1904 e, pouco depois, estendeu-se até à Praia das Maças. A frota original, adquirida em Filadélfia, Estados Unidos, era composta por sete carros motores e outros tantos atrelados, dos quais quatro ainda se encontram em funcionamento.
Apesar do impulso inicial, logo em 1914 a empresa faliu e foi vendida em hasta pública. Na década de 20, graças ao empenho do administrador-delegado Camilo Farinhas, o percurso foi objeto de melhoramentos, incluindo o seu prolongamento até às Azenhas do Mar.
As décadas de trinta e quarenta foram problemáticas em termos financeiros mas, apesar disso, algumas beneficiações foram sendo implementadas, como a inauguração do terminal Colares-Banzão, criação de abrigos nas estações e uma estrutura de apoio mais cómoda na Praia das Maçãs. Mas, se por um lado os custos com a linha aumentaram, originando o aumento do preço dos bilhetes, por outro, os transportes rodoviários estavam em franco crescimento competindo assim com os transportes ferroviários. O primeiro troço a ser sacrificado foi o das Azenhas do Mar à Praia das Maçãs, realizando-se a última viagem a dia 31 de outubro de 1954, acontecendo o mesmo ao troço entre a Vila Velha e a Estação em 1958, devido ao alargamento da Volta do Duche. Apesar disso, a década de sessenta, graças ao administrador João de Campos que mandou construir dois novos desvios: um para a Ponte Redonda e outro para a Quinta da Nora, foi possível angariar mais passageiros.
Em 1974 o mau estado da linha originou um acidente grave envolvendo um morto, situação esta que deixou a população bastante abalada e que foi a justificação que faltava para a empresa determinar o seu encerramento. Assim, no dia 15 de Setembro todos os elétricos recolhem à gare da Ribeira de Sintra sendo substituídos por uma frota de autocarros. A 15 de maio de 1980, foi oficialmente reiniciada a circulação dos elétricos nesta linha mas apenas entre o Banzão e a Praia. Curiosamente foi a 15 de Setembro de 1995, precisamente vinte e um anos anos depois do seu encerramento, que a Câmara Municipal de Sintra deu início aos trabalhos de recuperação integral da linha (Sintra - Praia das Maças) e respetivas instalações, tendo apenas aberto ao público a 4 de junho de 2004. Hoje mantém-se em funcionamento para grande gáudio dos visitantes da região.
Paulo Fernandes. Revisão de Maria Ramalho/DGPC/2015. Colaboração da C. M. Sintra.
Diploma de Classificação
Aviso n.º 19757/2021, DR, 2.ª série, n.º 204, de 20-10-2021 (este com planta) (ver Aviso)
Aviso n.º 15163/2021, DR, 2.ª série, n.º 157, de 13-08-2021 (ver Aviso)
Deliberação de 13-08-2018 da CM de Sintra a aprovar a classificação como MIM
Edital n.º 933/2013, DR, 2.ª série, n.º 189, de 1-10-2013 (ver Edital)
Despacho de 5-09-2013 do presidente da CM de Sintra a sujeitar a audiência prévia dos interessadosr a classificação como MIM
Edital n.º 68/2013 de 21-03-2013 da CM de Sintra
Despacho de 21-03-2013 do presidente da CM de Sintra a determinar a abertura do procedimento de classificação como de IM
Anúncio n.º 13816/2012, DR, 2.ª série, n.º 251, de 28-12-2012 (ver Anúncio)
Despacho de arquivamento de 13-12-2012 da diretora-geral da DGPC
Parecer favorável de 30-11-2012 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 28-11-2012 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para o arquivamento do procedimento de classificação, por não ter valor nacional, e o envio de cópia do processo à CM de Sintra para a ponderação da classificação como de IM
Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Despacho de 18-03-1997 do Ministro da Cultura a detrminar a abertura da instrução do processo de classificação do Troço Ribeira / Praia das Maçãs da antiga linha de eléctricos de Sintra, incluindo as respetivas estruturas de apoio e composições
Parecer favorável de 10-12-1996 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de 2-08-1996 da CM de Sintra para a classificação como IIP, após deliberação camarária de 24-07-1996
Número do Processo
Não disponível