Nota Histórico-Artistica
O Marco que assinalava a IV Légua da antiga estrada real, que ligava Lisboa a Santarém, foi construído em 1788, por iniciativa da rainha D. Maria I que, por esta altura, determinou a marcação desta via por marcos, dos quais sabemos terem existido doze. Na sua configuração original, este monumento era idêntico ao que assinala a VI Légua (o único que se conserva in situ no actual concelho de Vila Franca de Xira). No entanto, diversas vicissitudes levaram a que este marco tenha chegado aos nossos dias em várias parcelas e em local distinto para o que tinha sido originalmente determinado.
Estruturalmente, o marco compunha-se de três partes: a base era cúbica e formada por duplo soco e plinto; o corpo correspondia à parcela central e era o elemento que melhor revelava a verticalidade do monumento, compondo-se de paralelepípedo rectangular, em cuja face principal existia uma inscrição comemorativa da construção, com a data e as armas nacionais; o coroamento era composto por duas peças, sendo a inferior uma estrutura piramidal de base quadrada e a superior uma esfera pétrea, que rematava o conjunto e que incorporava um relógio de Sol, dotado de gnomon metálico entretanto desaparecido, mas de que restam alguns vestígios na esfera.
Este marco manteve-se no local original até 1985. Nesse ano, um acidente rodoviário destruiu-o parcialmente, o que levou a Junta de Freguesia de Alverca a removê-lo para o centro da localidade e a musealizá-lo de alguma forma, colocando-o no Largo César Alípio Ferreira (antigo Largo do Mercado), numa zona relvada e protegido por gradeamento metálico. No entanto, a parte conservada pela Junta de Freguesia resume-se ao coroamento, encontrando-se a secção inferior em local incerto.
À semelhança do que aconteceu com a esmagadora maioria dos antigos marcos viários das estradas portuguesas, também este não chegou aos nossos dias, intacto e no local fundacional. A boa vontade do poder local de Alverca se, por um lado, conservou uma parcela importante da obra, capaz de assegurar uma ligação de memória com o passado da região, por outro não foi suficiente para criar uma estrutura no próprio local de implantação original, facto que fomenta a descontextualização do monumento das condições que permitiram a sua edificação.
PAF
Diploma de Classificação
Portaria n.º 758/2014, DR, 1.ª série, n.º 187, de 29-09-2014 (alterou a designação) (ver Portaria)
Declaração de Retificação n.º 43/2014, DR, 1.ª série, n.º 187, de 29-09-2014 (declara sem efeito a portaria anterior, por ter sido publicada na 1.ª série) (ver Declaração)
Portaria n.º 187/2014, DR, 1.ª série, n.º 179, de 17-09-2014 (alterou a designação) (ver Portaria)
Despacho de concordância de 14-05-2014 do diretor-geral da DGPC
Proposta de 9-05-2014 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a alteração da designação para "Marco da IV Légua da estrada real Lisboa-Santarém"
Despacho de autorização (s/data) da vice-presidente do IPPAR
Informação favorável de 8-12-2006 da DR de Lisboa do IPPAR
Proposta de 24-11-2006 da CM de Vila Franca de Xira para a recuperação e reimplantação em local próximo do original
Decreto n.º 32 973, DG, I Série n.º 175, de 18-08-1943 (classificou o marco de légua na [EN 12-1 (atual EN 10)], ao quilómetro 16,50 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível