Nota Histórico-Artistica
Construídos em 1782 por iniciativa da rainha D. Maria I, os dois obeliscos, que ainda hoje ladeiam a Estrada Nacional que liga Lisboa a Vila Franca de Xira (e daí a Santarém), foram concebidos como marcas cenográficas destinadas a assinalar o termo do território da capital. A sua construção antecede, em seis anos, os doze marcos de légua que sabemos terem existido nesta estrada, de que apenas um se conserva in situ (ao km. 29.270) e de que restam abundantes vestígios de outros dois no actual concelho de Vila Franca de Xira.
Apesar desta diferença cronológica, a edificação dos marcos não pode ser dissociada da dos obeliscos, e demonstram uma mesma preocupação em beneficiar e monumentalizar a principal via terrestre que ligava Lisboa ao Norte do país, numa atitude vincadamente neo-clássica, que tanto sucesso teve em outros países europeus da altura. As legendas epigráficas que acompanham os obeliscos elucidam a respeito do mais amplo processo de beneficiação viária do termo de Lisboa levado a cabo nesta altura, de que fizeram parte não só a construção de marcos de légua e de obeliscos, mas também o plantio de oliveiras, cujo azeite se destinava à Casa Pia e a alimentar o sistema de iluminação da cidade de Lisboa (AZEVEDO, FERRÃO e GUSMÃO, 1963, p.83), obras encarregues por D. Maria ao Intendente Geral da Polícia do Reino, Diogo Ignacio de Pina Manique.
Os obeliscos propriamente ditos são idênticos e compõem-se de três partes claramente diferenciadas: as bases são de secção quadrangular e volume cúbico, assentes sobre socos de duplo degrau, e com as face Sul decoradas por amplas legendas epigráficas comemorativas da edificação e do contexto de beneficiação da rede viária em torno de Lisboa; seguem-se os fustes, de secção piramidal progressivamente adelgaçada, sobre estruturas quadrangulares irregulares, ostentando o brasão nacional na parte inferior das faces meridionais; finalmente, os remates são em forma de fogaréu, originalmente monolíticos, mas um já restaurado, em virtude de ter caído nos anos 80 do século XX.
Pela sua posição, junto a uma via de intenso tráfego na área metropolitana de Lisboa, os obeliscos encontram-se sujeitos a numerosas ameaças. A principal tem sido a sua extrema vulnerabilidade a acidentes de trânsito, como aconteceu em 1968, ano em que algumas partes de um dos obeliscos foram danificadas pela colisão de um veículo. O projecto inicial previu um elemento de separação dos monumentos das pequenas ribeiras que ladeavam a estrada, através de muretes dotados de grelhas de ferro, mas não equacionou qualquer protecção em relação à via. Desta forma, ao longo das últimas décadas, as faces inferiores das bases têm sido pintadas com riscas florescentes, como forma de sinalização preventiva em termos rodoviários, facto que veio deturpar significativamente a condição de originalidade dos obeliscos.
Igualmente grave tem sido a pressão urbanística na zona, responsável, no início dos anos 90 do século XX, pelo licenciamento camarário de uma obra que violava a zona de protecção dos monumentos. Uma breve comparação entre fotografias tiradas há 30 ou 40 anos e outras mais recentes prova como toda a zona envolvente foi alvo de uma urbanização crescente, que muito contribuiu para a pressão sobre os marcos do termo de Lisboa e os colocou numa posição secundária, que pouco ou nada tem que ver com a intenção inicial de monumentalização que presidiu à sua edificação.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 32 973, DG, I Série n.º 175, de 18-08-1943 (classificou como "Dois obeliscos, um de cada lado da estrada nacional n.º 12-1.ª, ao km 13,895") (ver Decreto)
Número do Processo
Um de cada lado da E.N. 10, ao km 13,895, à entrada de Alverca