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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Convento de Nossa Senhora da Estrela

Arquitectura Religiosa / Convento

Designação
Designação Atual
Convento de Nossa Senhora da Estrela
Outras Designações
Convento de Nossa Senhora da Estrela / Santa Casa da Misericórdia de Marvão / Lar da Santa Casa da Misericórdia (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Convento
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Principal instituição religiosa de Marvão, o Convento foi fundado no século XV, a partir de uma petição feita pelos habitantes da vila e pelo Infante D. Henrique (então senhor da localidade) ao Papa, que obteve resposta afirmativa de Nicolau V a 7 de Julho de 1448. Um dos argumentos invocados para a construção de uma casa religiosa neste local foi o da lenda de Nossa Senhora da Estrela, tradição devocional de grande impacto na região e que está, ela própria, associada às origens lendárias de Marvão. Conta-se que, após a invasão muçulmana de 711, os cristãos da zona recusaram pactuar com o novo poder e, antes de fugirem para as Astúrias, onde ajudaram a montar a resistência, esconderam uma imagem de Nossa Senhora, por eles venerada. Muitos séculos depois, um pastor, guiado por uma estrela, encontrou a imagem, numa espécie de gruta, iniciando-se, aí, a grande devoção à santa (GIL, vol. II, 1988, p.124).
Pela sua importância, pensamos que, em algum momento da História, pretendeu-se atribuir maior antiguidade ao convento, razão do aparecimento da data de 1258 como ano de fundação (COELHO, 1982, p.16). Poder-se-á tratar, evidentemente, de um erro motivado por deficiente transmissão de dados, mas o certo é que nenhum documento ou prova material sugere uma instituição anterior a 1448, sendo, por isso, de duvidar de qualquer notícia relativa a 1258.
A construção ter-se-á iniciado imediatamente após a bula papal e supomos que as obras decorreram em bom ritmo ao longo desse século XV, podendo mesmo entrar nos inícios do século XVI, como o cruzeiro manuelino que se implanta no adro sugere. Da estrutura gótica restam ainda importantes elementos, sendo o portal principal o mais importante, até pelo impacto visual que proporciona. Apesar da elegância dos seus elementos (DIAS, 1994, p.168), é uma obra relativamente (propositadamente?) arcaica, característica do que se vem chamando gótico paroquial, mas cuja origem se encontra nos conventos mendicantes do século XIII. Na Estrela de Marvão, repetiu-se, dois séculos depois, um portal de arco apontado, de quatro arquivoltas e inscrito num avançado gablete. Para além desta notável fidelidade a esquemas góticos de Duzentos ou Trezentos, os capitéis não possuem qualquer decoração, o que indicia uma deliberada austeridade aplicada aos elementos artísticos, provável determinação da comunidade franciscana a quem foi confiada a instituição. Outros vestígios quatrocentistas encontram-se no claustro (onde subsistem alguns arcos geminados sob a camada seiscentista reformadora) e na capela lateral Norte, quadrangular e ainda com uma pequena porta que dava acesso a uma desaparecida dependência.
Nos séculos seguintes, foram muitas as alterações verificadas no conjunto. Logo no tempo manuelino, deu-se forma a uma outra capela, anexa à capela-mor, de dois tramos e com forte abobadamento em cadeia, que corresponderá a uma primeira campanha de beneficiação do lendário local onde aparecera a imagem. Em 1689, foi a vez do corpo da igreja ser integralmente refeito, com novo abobadamento e a supressão dos eventuais vestígios da obra primitiva neste sector.
Mas a mais importante fase moderna teve lugar nos finais do século XVIII, altura em que a diocese de Portalegre foi regida por D. Jerónimo Carvalhal e Silva. Este devoto da Senhora de Marvão empreendeu a construção da sacristia em 1772 (por trás da capela-mor e com acesso para a capela da Estrela), reformou parcialmente a capela da santa (cobrindo as suas paredes com azulejos azuis e brancos e mandando construir o retábulo de mármore e a imagem de jaspe que o coroa) e decidiu sepultar-se em campa rasa diante do altar, no solo da capela manuelina.
Extinta a congregação em 1834, o convento foi ocupado pela Misericórdia local, que aí instalou o seu Hospital. Nos últimos anos, foi a Santa Casa que promoveu obras de restauro e de ampliação, responsáveis pela actual configuração de todo o conjunto e pelo pequeno museu no interior da igreja.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 28/82, DR, I Série, n.º 47, de 26-02-1982 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 22051577
Abrangido em ZEP ou ZP
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Portalegre / Marvão / Santa Maria de Marvão
-- junto da Igreja de Nossa Senhora da Estrela (zona extra-muros)
Marvão -
Polícia:
LATITUDE
39.393886
LONGITUDE
-7.37295
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1258
1258 como ano de fundação (COELHO, 1982, p.16). P
1448
1448.
1689
1689, foi a vez do corpo da igreja ser integralmente refeito, com novo abobadamento e a supressão dos eventuais vestí...
1772
1772 (por trás da capela-mor e com acesso para a capela da Estrela), reformou parcialmente a capela da santa (cobrind...
1834
1834, o convento foi ocupado pela Misericórdia local, que aí instalou o seu Hospital. N
1982
1982 (ver Decreto) Principal instituição religiosa de Marvão, o Convento foi fundado no século XV, a partir de uma pe...
1988
1988, p.124).Pela sua importância, pensamos que, em algum momento da História, pretendeu-se atribuir maior antiguidad...
1994
1994, p.168), é uma obra relativamente (propositadamente?) arcaica, característica do que se vem chamando gótico paro...
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
A arquitectura gótica portuguesa DIAS, Pedro Edição 1994 Lisboa
"As empresas artísticas do Infante D. Henrique (1394-1460)", Mare Liberum, nº6, Dez. 1993, republ. A viagem das formas, pp.51-89 DIAS, Pedro Edição 1995 Lisboa
"Apontamentos para a história do Convento de Nossa Senhora da Estrela de Marvão", Ibn Maruán BALESTEROS, Carmen Edição 1991
As mais belas igrejas de Portugal, vol. II GIL, Júlio Edição 1988 Lisboa
Terras de Odiana. Medobriga, Ammaia, Aramenha, Marvão, 2.ª ed. COELHO, Possidónio Mateus Laranjo Edição 1988 Lisboa
Marvão. Elucidário breve de uma visita a esta vila COELHO, Possidónio Mateus Laranjo Edição 1946 Lisboa
"O actual concelho de Marvão e as suas freguesias nas Memórias Paroquiais de 1758", Ibn Máruan GORJÃO, Sérgio, MACHADO, J. Liberata Edição 1993
"Um apontamento documental para o estudo artístico do convento de Nossa Senhora da Estrela de Marvão", Ibn Maruán GORJÃO, Sérgio Edição 1995
Inventário Artístico de Portugal - vol. I (Distrito de Portalegre) KEIL, Luís Edição 1943 Lisboa
Marvão, Castelo de Vide e Portalegre DINIS, Alberto Calderon Edição 1975 Lisboa
Apontamentos para a história da pitoresca vila de Marvão BUGALHÃO, Custódio da Mota Edição 1974 Portalegre

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Todo o aglomerado urbano sito dentro do perímetro do castelo e das muralhas de Marvão
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