Nota Histórico-Artistica
Imóvel
O Solar dos Falcões, mais conhecido como Solar D. Carlos, situa-se no centro histórico de Cascais, na área de expansão seiscentista/setecentista da vila. Construído provavelmente ainda durante o século XVII, é um dos raros exemplos em Cascais de uma residência senhorial que resistiu ao sismo de 1755. O conjunto edificado inclui também uma capela, a Capela de Nossa Senhora da Nazaré, classificada como Monumento de Interesse Público (ver descrição do imóvel nº 3178 neste Inventário). Quando em 1755 a Paroquial de Cascais - Igreja de Nossa Senhora da Assunção - foi atingida pelo terramoto, os principais atos litúrgicos passam a ser ministrados neste pequeno templo, situação esta que se manterá até terminarem as obras de recuperação do templo.
O Solar dos Falcões que, muito possivelmente, terá sido alvo de algumas alterações ao longo dos anos, afigura-se hoje no entanto como uma construção bastante homogénea de dois pisos marcados pela horizontalidade e sobriedade. A fachada principal apresenta, ao nível do andar inferior, um revestimento em silhares bem aparelhados, sendo marcada também pelos cunhais em pedra, pelo ritmo repetido de sacadas com grelhagens de ferro forjado e pelos frontões curvos que surgem tanto na entrada principal, como no portal da capela, onde ainda se observa uma inscrição com a data de 1791, provavelmente o registo de alguma campanha de obras. O conjunto edificado integra ainda um espaço verde, antigo quintal do Solar, atualmente vedado por muro em alvenaria de pedra. No interior da residência destaque-se o salão nobre decorado com frescos e estuques datáveis do século XVIII e, no interior da capela de uma só nave, a decoração de azulejos barrocos com evocação dos milagres de Nossa Senhora da Nazaré, entre outras temáticas religiosas.
História
O nome pelo qual ficou conhecido o Solar, está ligado ao apelido de uns dos seus proprietários, Bernardino Falcão Pereira e sua mulher Antónia Felícia Gameiro Feyo, herdeiros de uma família para quem, a própria Capela, terá servido durante algum tempo como jazigo.
Em 1808, depois de passar por várias mãos, o Solar é adquirido por Manuel Rodrigues de Lima. Curiosamente será neste mesmo ano que é assinada a Convenção de Sintra que estipulava a retirada das tropas de Napoleão, comandadas pelo General Junot, General este a quem, supostamente, terá sido cedido o imóvel para alojamento temporário.
O nome D. Carlos é associado a este Solar a partir do momento em que é transformado em alojamento turístico, certamente como forma de homenagear este rei que, como se sabe, tinha residência no Palácio da Cidadela.
Maria Ramalho/DGPC/2015.Colaboração de Sónia Sousa/CMCascais
Diploma de Classificação
(Ver ficha da Capela de Nossa Senhora da Nazaré, integrada neste solar, que está classificada como IIP)
Aviso de 5-03-2009 da CM de Cascais, publicado no Boletim Municipal de 28-04-2009
Despacho n.º 92/2005, de 19-12-2005, da Vereadora da Cultura, Educação e Assuntos Socias e Saúde da CM de Cascais, a homologar a classificação como de IM
Em 6-06-2003 foi dado conhecimento do despacho à CM de Cascais
Despacho de concordância de 24-05-2003 do presidente do IPPAR, com o consequente encerramento do processo de classificação
Proposta de encerramento de 22-05-2003 da DR de Lisboa do IPPAR, por o imóvel não possuir um valor cultural de âmbito nacional
Proposta de 29-01-2003 da CM de Cascais para a ampliação da classificação como IIP da Capela de Nossa Senhora da Nazaré a todo o Solar dos Falcões, onde se encontra incorporada
Em 2-08-1985 foi solicitado à CM de Casdcais o envio de documentação complementar para a instrução do processo de classificação
Em 19-05-1982 a CM de Cascais enviou cartografia do imóvel
Em 12-04-1982 a CM de Cascais enviou documentação fotográfica do imóvel
Processo iniciado em 1982 com notícia do Jornal da Costa do Sol sobre a eventual demolição do imóvel
Número do Processo
Não disponível