Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Em pleno centro histórico de Cascais, praticamente diante da igreja matriz e numa área amplamente arborizada, a Casa Sommer é um importante exemplo de residência privada plenamente oitocentista - não obstante a sua construção relativamente tardia -, que conjuga simultaneamente tendências românticas e neoclássicas (constituindo estes dois eixos estilísticos os mais relevantes do século XIX internacional). Do ponto de vista local, ela é herdeira de uma dinâmica construtiva privada de grande impacto na vila oitocentista, pontuada por numerosos palacetes de pessoas ligadas à família real e a monarquias estrangeiras.
Desconhecendo-se o arquiteto do projeto original, que deve ter sido delineado pelos finais do século XIX, o edifício apresenta uma planta quase quadrangular (10,24x11,73m), de três pisos sobrepostos, evidenciados exteriormente nas fachadas através de cornijas que formam arquitraves, sendo os registos modulados segundo uma hierarquia funcional: mais pronunciado no rés-do-chão e de menor desenvolvimento o último piso. A sua verticalidade é assumida pela elevação de 2,60m do piso nobre em relação ao logradouro, impondo-se desta forma sobre a praça pública. Esta hierarquia é também materializada ao nível do sistema construtivo, sendo o primeiro andar coberto exteriormente por aparelho rusticado. A fachada principal volta-se a sul, e é antecedida por pórtico retangular, assente sobre pilares nos ângulos, que enquadra a entrada axial e forma a varanda nobre do segundo andar, protegida por balaustrada e voltada para a igreja. As restantes fachadas repetem-se umas às outras, com três vãos harmonicamente abertos nos alçados que reforçam a estrutura quadrangular do conjunto. As paredes são fenestradas por vãos de lintel reto, enquadrados por frontões lisos e curvos (estes aplicados às portas centrais), pilastras caneladas, molduras e tríglifos de inspiração clássica.
Do lado norte, a propriedade integra umas antigas cocheiras, construídas por Francisco António de Magalhães, edifício de dois andares e de planta longitudinal, com acesso por portais de arco abatido.
História
A casa adquiriu o nome de um dos seus proprietários - Henrique Sommer - empresário ligado ao comércio do ferro, ficando contudo conhecido como o pai da indústria cimenteira em Portugal.
Por via sucessória a casa passou para a posse de múltiplos ramos da família Sommer: Champalimaud; Champalimaud Jardim e Ribeiro Teles. A sua última utilização remonta aos primeiros anos da década de oitenta do século XX, tendo servindo como Centro de Cultura e Desporto da Camara Municipal de Cascais, data a partir da qual foi deixada ao abandono. Finalmente, em 2003, o edifício é adquirido pela Camara que propõe a sua conversão em Arquivo de História Local, encontrando-se hoje o projeto, da autoria da arquiteta Paula Santos, em fase de conclusão.
PAF, revisto por Maria Ramalho/DGPC/2015
Diploma de Classificação
Aviso de 29-09-2005 da CM de Cascais publicado no Boletim Municipal de 16-11-2005
Despacho de 19-09-2005 da Vereadora da Cultura, Educação e Juventude da CM de Cascais a homologar a classificação como de IM
Em 17-09-2004 foi dado conhecimento do despacho à CM de Cascais
Despacho de concordância de 7-09-2004 do presidente do IPPAR, com o consequente arquivamento do procedimento de classificação de âmbito nacional
Proposta de 30-08-2004 da DR de Lisboa para que se considere que o imóvel não tem valor patrimonial para uma classificação de âmbito nacional
Pedido de parecer de 8-10-2003 da CM de Cascais sobre a eventual classificação como de IM
Deliberação de 16-06-2003 da CM de Cascais a determinar o interesse na abertura do procedimento de classificação como de IM
Número do Processo
Não disponível