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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Real Fábrica de Atanados da Vila de Povos

Arquitectura Civil / Quinta

Designação
Designação Atual
Real Fábrica de Atanados da Vila de Povos
Outras Designações
Quinta da Fábrica / Fábrica de Curtumes de Povos / Real Fábrica de Atanados de João Mendes de Faria e sucessores / Real Fábrica de Atanados da Vila de Povos (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Quinta
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Um olhar sobre a indústria de curtumes em Portugal terá de integrar obrigatoriamente, o núcleo industrial de Rio de Couros, em Guimarães, as fábricas de Alcanena e a Quinta da Fábrica, exemplos que correspondem a épocas económicas e técnicas distintas e afirmam esta actividade produtiva entre nós.
Fundada em 1729, por João Mendes de Faria Barbosa, a fábrica de curtumes de Povos laborou até cerca dos anos 40 do século XX, com uma actividade produtiva nem sempre estável, mas que permitiu uma utilização das estruturas funcionais por cerca de 200 anos. Integrada na época das grandes manufacturas, muitas delas reais, esta fábrica era privilegiada, inserida nos modelos de proteccionismo ao fomento industrial do tempo de D. João V.
Localizada em espaço agrícola e com uma proximidade imprescindível do rio (Povos teve um porto em actividade até cerca de finais do século XVIII, sensivelmente) esta actividade manufactureira instalou-se num local onde algumas das matérias-primas lhe eram próximas - água; lixo de pombo; azeite; (estes dois produtos obtidos na própria quinta), e mesmo as cascas de sobro ou de carvalho que podiam ser compradas em quintas do outro lado do Tejo (parecem ter sido as suas maiores fornecedoras).
De uma forma sucinta pode falar-se de três áreas edificadas / construídas indissociáveis e que integram o conjunto patrimonial que ainda hoje caracteriza a Quinta da Fábrica:
1. Núcleo habitacional composto pela casa do proprietário que incorpora uma capela, marcado por duas fases de construção muito visíveis exteriormente, uma Joanina e outra Pombalina; pela área habitacional do capataz contígua à primeira e organizada em altura, formando uma espécie de torre. Esta é a zona mais elevada do complexo e da qual se avistavam todas as actividades laborais, servindo como um eficaz posto de controle à própria produção. De uma forma também contígua e alinhada organizam-se as habitações para os diversos artesãos ou operários da curtimenta, construções que dentro do conjunto revelam um menor cuidado construtivo e de revestimentos do que a casa do proprietário por exemplo (o estado de abandono a que este conjunto tem estado votado e alguns acidentes que já ocorreram no local fazem adivinhar que o grau de conservação de algumas das construções e de alguns dos estuques ou azulejos possa ser mau).
Esta concentração de habitações, numa quinta, revela uma actividade desenvolvida num só local e dependente de um número de trabalhadores com alguma dimensão. Evidências materiais que manifestam uma organização laboral manufactureira onde os princípios racionais da concentração e divisão do trabalho estão presentes, de acordo com o arquétipo das manufacturas europeias.
2. Núcleo funcional ligado ao labor dos curtumes. Existem estruturas de natureza diversa, dependente da sua função no conjunto das diferentes fases do tratamento das peles, desde o complexo sistema hidráulico - canais, tanques, pequenas comportas açudes, até ao núcleo dos tanques de curtimenta, localizados no exterior e nas proximidades do edifício principal e do curso da água. A cave do edifício da quinta caracterizada por um enorme vão, poderia comportar com alguma certeza as actividades de surrar a pele. Existem depois outros elementos dispersos, como ganchos ou suportes em ferro, que podem estar relacionados com as fases de descarnar as peles (constituiria uma das primeiras fases). Não se encontram grandes equipamentos tecnológicos que evidenciem esta actividade fabril, as evidências descritas podem passar despercebidas, se não houver um conhecimento desta actividade e dos seus processos numa época manufactureira. Constituem, contudo, um testemunho imperdível do património técnico e rural do tempo de D. João V.
3. Núcleo agrícola e jardins caracterizado por uma área com alguma dimensão e na qual se encontram alguns dos vestígios produtivos e técnicos indispensáveis à obtenção das peles curtidas.
Deolinda Folgado /Outubro 2005
Diploma de Classificação
Portaria n.º 260/2010, DR, 2.ª Série, n.º 71, de 13-04-2010 (ver Portaria)
Despacho de homologação de 29-06-2007 do Secretário de Estado da Cultura
Despacho de concordância de 20-06-2005 do presidente do IPPAR
Parecer favorável de 1-06-2005 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de 10-09-2004 da DR de Lisboa do IPPAR para a classificação como IIP
Edital N.º 226/2002 de 8-07-2002 da CM de Vila Franca de Xira
Despacho de abertura de 12-11-2001 do vice-presidente do IPPAR
Proposta de 10-11-2001 da DR de Lisboa do IPPAR para a abertura da instrução do processo de classificação
Proposta de classificação de 15-12-1998 da CM de Vila Franca de Xira
Proposta de classificação de 24-09-1997 de particular
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como MIP - Monumento de Interesse Público

ZEP Portaria n.º 1622/2006, DR, 2.ª série, n.º 191, de 3-10-2006 (sem restrições) (ZEP da Quinta da Fábrica, do Pelourinho de Povos e do Monte do Senhor da Boa Morte) (ver Portaria)
Edital N.º 277/2003 de 13-08-2003 da CM de Vila Franca de Xira
Despacho de homologação de 29-05-2003 do Ministro da Cultura
Parecer favorável de 7-05-2003 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de 26-04-2003 da DR de Lisboa
Afectação 181504
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Lisboa / Vila Franca de Xira / Vila Franca de Xira
Quinta da Fábrica
Povos (junto ao antigo porto) -
Polícia:
LATITUDE
38.968208
LONGITUDE
-8.986817
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1729
1729, por João Mendes de Faria Barbosa, a fábrica de curtumes de Povos laborou até cerca dos anos 40 do século XX, co...
1997
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2001
2001 do vice-presidente do IPPAR Proposta de 10-11-2001 da DR de Lisboa do IPPAR para a abertura da instrução do proc...
2002
2002 de 8-07-2002 da CM de Vila Franca de Xira Despacho de abertura de 12-11-2001 do vice-presidente do IPPAR Propost...
2004
2004 da DR de Lisboa do IPPAR para a classificação como IIP Edital N.º 226/2002 de 8-07-2002 da CM de Vila Franca de ...
2005
2005 do presidente do IPPAR Parecer favorável de 1-06-2005 do Conselho Consultivo do IPPAR Proposta de 10-09-2004 da ...
2007
2007 do Secretário de Estado da Cultura Despacho de concordância de 20-06-2005 do presidente do IPPAR Parecer favoráv...
2010
2010, DR, 2.ª Série, n.º 71, de 13-04-2010 (ver Portaria)Despacho de homologação de 29-06-2007 do Secretário de Estad...
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"A Quinta da Fábrica": a Real Fábrica de Atanados de João Mendes de Faria e sucessores", in Cira - Boletim Cultural, nº 8, pp. 93-126 CUSTÓDIO, Jorge Edição 1999 Vila Franca de Xira

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Monte do Senhor da Boa Morte, incluindo Ermida do Senhor da Boa Morte, uma estrutura habitacional da época islâmica, sepulturas antropomórficas escavadas na rocha, uma linha de muralhas e as ruínas de um solar que pertenceu aos condes da Castanheira
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Igreja do Mártir Santo São Sebastião, também denominada «Igreja do Mártir São Sebastião»
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